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Cabo Verde na Volta ao Mundo de Emil e Liliana Schmid 08 Março 2014

Emil e Liliana Schmid ganharam destaque no Guiness Book of Records em 2004 pela mais longa viagem de carro do mundo. Cabo Verde é a mais recente paragem do casal suíço que, ao volante do seu velho Toyota Land Cruiser, viaja há 30 anos à volta do mundo. Depois de passarem por Santiago, Brava e Fogo, o casal septuagenário está há uma semana em São Nicolau, mas ainda tenciona conhecer São Vicente e Santo Antão.

Cabo Verde na Volta ao Mundo de Emil e Liliana Schmid

Emil e Liliana, actualmente com 72 anos, passavam pela Geórgia, Arménia, Ucrânia e Moldávia quando decidiram que poderiam tentar embarcar o Land Cruiser para o Porto da Praia, na ilha de Santiago. Enquanto o carro vinha de barco, o casal suíço viajou de avião até à capital do nosso país com escalas no Dubai e Casablanca. Quando finalmente chegou o automóvel depararam-se com mais uma das inúmeras dificuldades que têm sido obrigados a passar nos últimos trinta anos como viajantes sem destino. O valor pedido pelas Alfândegas era demasiado elevado, mas com a ajuda do Ministério do Turismo tudo se resolveu da melhor forma e puderam seguir viagem para a ilha do Fogo e mais tarde a Brava, que muito os encantou.

Por estranho que pareça esta não é a primeira vez que o casal está em Cabo Verde. Há mais de quarenta anos conheceram o nosso país, ainda uma colónia portuguesa. Nessa viagem da qual poucas memórias restam passaram pelo Sal, Santiago e Fogo. “Não havia muito para ver nessa altura. Tudo está muito diferente. O Fogo tinha pouco mais do que o vulcão”, conta Emil Schmid ao asemanaonline.

A viagem dos Schmids entrou para o Guiness Book desde 1997 e foi novamente actualizada em 2004 quando o casal conseguir somar 665,712 quilómetros percorridos passando por 172 países e territórios em todos os continentes. Um feito que já mereceu referência em mais de 250 artigos jornalísticos nos quatro cantos do mundo. Cabo Verde é a sua 180ª paragem mas as rodas do velho Land Cruiser comprado em 1982 já pisaram terras incríveis como a Índia, que consideram a sua viagem mais marcante.

Mas há países onde a experiência não foi das melhores. Na Macedónia, Austrália e Guatemala por exemplo, viveram situações traumáticas como tentativas de assalto e agressão. Hoje, dizem que não passaram de sustos sem consequências de maior e que também ficam para a história.

Mudar de vida aos 42 anos

Liliana e Emil Schmid tinham uma vida considerada abastada na Suíça aos 42 anos de idade. Com bons empregos, carreiras invejáveis e salários acima da média, além de uma boa poupança. Porém, aventureiros por natureza, decidiram mudar de vida. A ideia inicial era mais tímida, um ano no máximo a viajar pelo mundo. A primeira viagem à Escandinávia marcou o início desta ousada forma de vida que mantêm até hoje, aos 72 anos.

A partir daí disseram adeus à monotonia, mesmo que isso signifique enfrentar dificuldades como a que vivem agora em Cabo Verde. “Viajar entre as ilhas com um carro não é fácil. Às vezes é difícil mas na maior parte das vezes é uma boa experiência e cada sacrifício tem valido a pena”, garante Emil Schmid.

Até aqui têm sobrevivido com as curtas reformas a que tiveram direito pelos anos de serviço, algum dinheiro herdado dos pais que entretanto faleceram e optando por uma vida bem mais simples. “A maior parte das vezes dormimos no carro, não ficamos em hotéis nem nada parecido e procuramos poupar ao máximo”, explica Emil.

Acreditam que o seu peculiar estilo de vida tem-nos mantido com um espírito jovem ensinando-os a adaptar-se às diferenças e a ultrapassar dificuldades. Passadas três décadas como viajante, Emil assegura que não estão cansados. “Estamos à espera do Pentalina para podermos transportar o nosso Land Cruiser para São Vicente e daí vamos a Santo Antão que já nos disseram que também vamos adorar. Se conseguirmos transporte marítimo ainda vamos à Boa Vista antes de deixar Cabo Verde”.

O casal não está habituado a fazer planos. Por isso, ainda não sabe ao certo para onde segue a sua viagem recordista mas acreditam que Malta é uma boa opção e daí talvez Bósnia, Kosovo e Médio Oriente. Pretendem regressar a África mas lá mais para o fim do ano, nos meses de Inverno. “Estivemos na Serra Leoa, Angola, Libéria mas queremos voltar a esses países agora em paz e conhecer melhor o continente africano”.

Susana Rendall Rocha

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