LUSOFONIA

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

15 de janeiro, "o dia em que Angola se tornou independente" 15 Janeiro 2023

O título do Diário de Notícias este 15 de janeiro evoca, 48 anos depois, o dia em que Agostinho Neto, Holden Roberto e Jonas Savimbi assinaram, com o presidente português, Costa Gomes, o documento que reconhecia o direito à independência de Angola, que viria a ser proclamada dez meses depois, a 11 de novembro.

15 de janeiro,

O histórico Acordo do Alvor — " que definiu o quadro jurídico da transição do colonialis­mo para a Independên­cia Nacional"— foi assinado num hotel da vila algarvia do Alvor, ao fim de cinco dias de negociações.

Os três movimentos rivais que lutavam pela independência de Angola, MPLA, FNLA e UNITA, assinaram, com o Estado português, o documento que reconhecia o direito à independência — que viria a ser proclamada a 11 de novembro desse 1975.

Segundo o DN hoje, em "60 artigos, ficaram definidos os compromissos para a participação de um governo de transição até à realização de eleições, em outubro".

Eleições? Não, não as houve. Segundo o DN, «António de Almeida Santos, à data ministro da Coordenação Inter-Territorial, assim que viu o documento percebeu que "aquilo não resultaria"». Teve infelizmente razão: os primeiros combates ocorreram em Luanda, pouco depois da assinatura do documento.

Entre "várias e complexas razões" para o fracasso do acordo, está que "o envolvimento internacional na luta pelo poder em Angola" que "transformou a ex-colónia portuguesa em mais um cenário do conflito entre as superpotências mundiais", lê-se no DN de hoje.

1975 luso-angolano-verdiano

Lisboa, interface. Tínhamos entre cinco e doze anos e, cansados do "soldado cabo furriel", jogávamos em três campos "FNLA-MPLA-UNITA". Crianças de Angola, Cabo Verde e Portugal nos jogos na longa marquise do 2º andar, donde víamos a colega da Escola 22 na casa onde trabalhava a mãe, o rés de chão com quintal do Palácio Cabral.

Brincávamos com as cores das três bandeiras e não sabíamos que elas ensanguentavam o solo angolano, que o Acordo de Alvor foi "só para inglês ver", que no dia seguinte os representados pelos três líderes no Alvor iniciaram uma guerra civil de 27 anos.

Mesmo no centro dessa realidade, a infância feliz esquecera que era parte desse êxodo, nesse 1975 que fez desembarcar em Portugal quase um milhão de "retornados". De Angola, contavam-se largas centenas de milhares de pessoas que depois seriam chamadas de retornados, como?, se eram nascidos em Angola. E eram de todas as cores.

Os idos de Cabo Verde iriam aprender coisas que não estavam e não estão nos livros. No nosso segundo ano em Portugal, passámos a saber da classificação cromoestratigrafada do império colonial português. Ensinaram-nos os três irmãos, netos da dona Luisa a quem a nossa Mãe ajudava pagando-lhe adiantado por trabalhos de costura que tardavam. Eles falaram-nos pela prmeira vez, e quase de certeza única, em que os protagonistas revelaram essa realidade pungente.

Os três irmãos netos da dona Luisa nascidos em Angola tinham inscrito nos seus assentos de batismo a sua "raça": um era preto, outro mestiço e a irmã era branca.

Foto (DN.pt): Entre Neto e Savimbi, o presidente português (setembro 1974 a 14 julho 1976) Francisco Costa Gomes.

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade


  • Mediateca
    Cap-vert

    Uhau

    Uhau

    blogs

    publicidade

    Newsletter

    Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project