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1º ano do assalto ao Capitólio incitado por Trump: "Democracia foi ameaçada" 07 Janeiro 2022

Esta quinta-feira relembra-se ’in loco’ o primeiro aniversário do assalto ao Capitólio para impedir o Congresso dos Estados Unidos de formalizar a vitória do 46º presidente. "Foi a primeira vez na nossa história em que um presidente não só perdeu uma eleição mas também tentou impedir a passagem do poder incitando a invasão do Capitólio", disse Biden, "mas falharam".

1º ano do assalto ao Capitólio incitado por Trump:

Hoje sabe-se que os preparativos da ação inaudita, que espantou o mundo e fez temer sobre o futuro da democracia na América, começaram durante o comício em que Trump incitou, na manhã de quarta-feira, 6, os seus boys.

"Vão lutar por todos os meios para sairmos deste inferno e termos de volta o nosso país". Seguiu-se, horas depois, o assalto ao Capitólio com o objetivo de obrigar a parar o processo para a confirmação do presidente-eleito Joe Biden.

A rede formada por agitadores da extrema-direita --- Supremacistas Brancos, Proud Boys (neofascista dirigido por Enrique Tarrio que se autodesigna afrocubano)... — abrangia todo o país e começou a organizar o 6 de janeiro um mês antes, com pedidos de financiamento aos simpatizantes para fazer reverter os resultados da eleição de 3 de novembro.

Entre os apoiantes de Trump que se destacaram no assalto ao Capitólio, estavam Ashli Babbitt e Viking Angeli (foto). Este descendente de italianos começou a ser notado nas manifestações pró-Trump pela indumentária: sem camisa em qualquer estação do ano, o capacete viking e o rosto pintado. Aparece em diversos vídeos em vários momentos do assalto ao Capitólio. Três dias depois foi detido.

Ashli Babbitt, a primeira pessoa a falecer na "insurreição". A californiana de 35 anos e veterana da Força Aérea conduziu o grupo avançado que partiu vidros para forçar a entrada em lugares vedados na Casa dos Representantes. Acabou morta a tiro.

O marido, Aaron Babbitt, disse à televisão KUSI de San Diego que Ashli — que cumpriu diversas missões no Afeganistão e Iraque entre 2006 e 2018 — era uma fervorosa apoiante de Trump. "Eu não entendo porque é que ela decidiu fazer isso", disse a sogra à cadeia televisiva WTTG.

FBI preocupado com ataque vindo de dentro no Capitólio

Às vésperas da inauguração da nova presidência, as Forças Armadas americanas não descartavam a possibilidade de ataques a partir da própria equipa de segurança constituída por soldados.

Por isso, o FBI "escrutinou, um a um, os 25 mil soldados da Guarda Nacional designados para fazer a segurança da cerimónia, no Capitólio", segundo afirmou o secretário do Exército dos Estados Unidos, Ryan McCarthy.

Como medida de segurança para a cerimónia inaugural, o Capitólio foi isolado e foram mobilizados quase o triplo de guardas nacionais, do que em cerimónias de posse anteriores. Com um número tão grande de soldados envolvidos, não se descartava que houvesse entre eles simpatizantes dos extremistas que invadiram a sede do Congresso americano.

É que entre os mais de 125 detidos após o ataque, que resultou na morte de cinco pessoas, estavam vários militares no ativo e na reserva.

McCarthy e vários representantes da polícia, da Guarda Nacional, dos Serviços Secretos e outras autoridades reuniram-se no domingo para planear uma ação conjunta para o dia da posse. O objetivo: garantir a troca de poder de modo democrático e sem incidentes.

"Estamos a analisar continuamente o processo. Fazemos não apenas dois mas um terceiro exame a cada um dos indivíduos designados para esta operação", disse McCarthy.

Segundo ele, os oficiais iam atuar, conscientes da potencial ameaça, e os comandantes estariam atentos a quaisquer problemas dentro de suas tropas. Entre outras medidas, os nomes das pessoas envolvidas na segurança foram sendo inseridos em bancos de dados para verificar se se haveria algo questionável.

O chefe do Gabinete da Guarda Nacional, Daniel R. Hokanson, disse estar confiante em relação aos processos para identificar potenciais ameaças. "Se houver alguma indicação de que algum dos nossos soldados expressa opiniões extremistas, ele será entregue às forças da lei ou a situação será tratada imediatamente na cadeia de comando", afirmou.

É comum que o Exército dos Estados Unidos verifique periodicamente as ligações entre soldados e extremismo. O facto de essa análise passar no pós-06-01 também pelo FBI indicava uma medida de segurança adicional antes da posse.

Protestos menores que o esperado

Após o ataque ao Capitólio, vários governadores americanos mobilizaram a Guarda Nacional e ergueram barreiras à volta dos edifícios dos governos, em meio a advertências de que protestos armados poderiam ocorrer em todos os 50 Estados antes da posse de Biden.

No domingo seguinte, porém, protestos convocados por grupos extremistas foram registados em apenas algumas cidades e foram muito menores do que o esperado.

"A questão é: esses são todos? Existem outros?", disse McCarthy. "Precisamos estar cientes disso e colocar todos os mecanismos em funcionamento para examinar minuciosamente esses homens e mulheres que apoiariam qualquer operação como essa", completou.

Quase todos os protestos desse domingo foram realizados pelo grupo extremista Boogaloo Bois/Boys, um movimento pró-armas e anti-governo com foco numa guerra civil. No entanto, eles reuniram poucas pessoas em cidades como Salem, no Oregon, e Lansing, no Michigan.

Segundo investigadores, os grupos extremistas ao serem alvo de bloqueio nas redes sociais, ficaram impedidos de se organizarem. Além disso, as prisões de pessoas que participaram do ataque ao Capitólio dissuadiram muitos extremistas de participar de protestos. Muitos líderes anunciaram logo que desistiriam de se juntar às novas manifestações.

"Sinto que esta parte da batalha acabou", disse Enrique Tarrio, líder do grupo extremista Proud Boys, que poucos dias antes do ’seis de janeiro’ foi preso por roubar e queimar uma bandeira do movimento Black Lives Matter.

Fontes: Washington Post/New York Times/The Hill/DW. Fotos: (Ao alto, ao centro) A californiana de 35 anos e veterana no Afeganistão conduz o grupo que partiu vidros para entrar no Senado. A polícia disparou e ela foi a primeira a morrer.

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