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Guiné-Bissau: 2,7% de eleitores vão ficar sem votar no domingo 08 Mar�o 2019

O presidente da Comissão Nacional de Eleições da Guiné-Bissau, José Pedro Sambú, afirmou hoje que 2,7% dos cidadãos inscritos para votar nas legislativas de domingo não o poderão fazer devido a problemas técnicos.

Guiné-Bissau: 2,7% de eleitores vão ficar sem votar no domingo

Segundo a Lusa, Sambu deu estas indicações hoje,07, numa audiência que concedeu à missão de observação eleitoral da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que foi receber informações sobre os preparativos para a votação.

O dirigente da CNE informou os observadores eleitorais que a percentagem dos eleitores inscritos que não vão poder votar equivale a 20 mil pessoas.

Os eleitores em causa encontram-se nas regiões de Gabu (em Sonaco) no leste, em Tombali (na localidade de Quebo), no sul, na região de Cacheu (em Ingoré) e em alguns bairros de Bissau.

Pedro Sambú disse que a CNE queria fazer com que essas pessoas votassem no próximo domingo, através do recurso às fichas da sua inscrição, já que os seus nomes não aparecem nos cadernos eleitorais, mas teve que recuar naquela pretensão na sequência de críticas de vários partidos concorrentes ao escrutínio.

O Gabinete Técnico de Apoio ao Processo Eleitoral (Gtape), instituição do Governo que fez o recenseamento eleitoral, entregou à CNE os cadernos com 761.676 inscritos.

Militares começam a votar hoje

Entretanto, militares e polícias guineenses de todo o país votaram hoje de manhã nas principais regiões do país, três dias antes das legislativas, para estarem disponíveis para apoiar o ato eleitoral de domingo.

“É uma tradição que cumprimos com prazer: votar e proteger a democracia”, disse à Lusa o tenente Amadu Uri Bangorá, 64 anos, que já perdeu a conta aos anos em que serve nas Forças Armadas guineenses.

“No domingo, vamos proteger a democracia, hoje votamos”, disse o militar, dos poucos que aceitou falar com jornalistas.

Apesar de estarem todos fardados, a descontração era evidente entre os polícias e militares misturados e alinhados nas filas.

Após o voto, pintaram o dedo, como os civis, mas mais por tradição do que por algum efetivo risco de um segundo voto, já que os seus nomes foram retirados dos cadernos eleitorais das suas áreas de residência e estão concentrados em cadernos específicos.

O dia de hoje serve também de ensaio das eleições de domingo, explicou Uri Cali, chefe de serviço da Comissão Regional de Eleições de Bafatá.

O responsável referiu que a Comissão Nacional de Eleições tem a confiança da população, mas não dos políticos.

“Todos confiam, mas alguns políticos acham que não”, disse Uri Cali, enquanto vigiava as duas filas de militares e polícias que se organizavam junto às duas urnas.

Segundo ainda a Lusa, cada voto foi colocado num envelope para o círculo eleitoral onde cada militar ou polícia eleitor se recenseou. “Depois mandamos para lá, para ser contado com os seus do seu círculo. Aqui só fazemos recolha, não contamos votos”, explicou.

Apesar das sucessivas crises políticas, com interferência de militares em muitos casos, a Guiné-Bissau está, por estes dias, “a mostrar ao mundo que é um país democrático”.

“Agora estamos à espera que as eleições [de domingo] façam o país virar uma página, mas, infelizmente, os nossos políticos acham que o GTAPE [Gabinete Técnico de Apoio ao Processo Eleitoral] ou a CNE [Comissão Nacional de Eleições] fazem alguma coisa para mudar os resultados e isso não é verdade”, salientou Uri Cali.

“Quem ganha é em quem o povo vota, foi sempre assim”, salientou.

À espera na fila para votar, Amadu era dos mais entusiasmados com o voto e com as eleições de domingo.

“Tudo vai correr bem, a Guiné vai ser um país novo”, disse o militar, que insistiu várias vezes no distanciamento das Forças Armadas.

“Estamos aqui para servir a democracia, para nos submetermos ao poder político, e não ao contrário”, prometeu o tenente.

No domingo, concorrem 21 partidos políticos às eleições legislativas, um ato eleitoral que tenta pôr fim a uma crise política que dura desde 2015, depois de o Presidente, José Mário Vaz, e o então primeiro-ministro, Domingos Simões Pereira, se terem incompatibilizado, conclui a Lusa.

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