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200 anos da independência do Brasil apagados pelas eleições e “privatização dos símbolos” – Académico 21 Agosto 2022

O professor universitário de Sociologia Política Alexandre Camargo considerou que as celebrações dos 200 anos da independência do Brasil foram apagadas pela “privatização dos símbolos” nacionais, falta de recursos, e pelo aproximar das eleições presidenciais.

200 anos da independência do Brasil apagados pelas eleições e “privatização dos símbolos” – Académico

“O 1822 ficou apagado no meio disso tudo, infelizmente”, afirmou à Lusa o professor do programa de mestrado em Sociologia Política da Universidade Cândido Mendes (UCAM).

Desde que Jair Bolsanaro é Presidente do Brasil, o 07 de setembro (dia em que, em 1822, foi proclamada a independência do Brasil pelo príncipe D. Pedro de Bragança com o famoso ’Grito do Ipiranga’) “tornou-se uma data de demonstração de força política”, quando sempre foi uma data cívica, disse o académico.

“O 07 de setembro é poucas semanas antes das eleições”, lembrou o professor, um processo eleitoral altamente polarizado entre o Jair Bolsonaro e o ex-chefe de Estado Lula da Silva, cuja campanha oficial teve início na terça-feira.

Na opinião de Alexandre Camargo, a classe política e apoiantes do Presidente brasileiro, que no dia 02 de outubro procura a reeleição, privatizaram os símbolos nacionais, como bandeira, o hino “e um híbrido mutante disso tudo que é a camisa da seleção brasileira”, um fenómeno que começou a ser explorado a partir das manifestações contra o Governo da então presidente do Brasil Dilma Rousseff.

“De um grupo político, privatizou-se o símbolo nacional e isso faz perder muita força de mobilização”, disse, somando-se ainda o facto de os institutos de pesquisa, universidades e centros culturais terem sido “completamente soqueteados, com falta de recursos nesses últimos quatro anos”.

Alexandre Camargo recordou ainda que em 2000, quando se celebraram os 500 anos ‘descoberta’ do Brasil através da chegada da armada comandada por Pedro Álvares Cabral, a 22 de abril de 1500, à então chamada Ilha de Vera Cruz, “houve uma série de iniciativas, houve uma série de efemérides, houve a reconstrução, inclusive ao lado do Governo português, do trajeto de Portugal para o Brasil das naus”.

“Houve toda uma espetacularização mediática sobre o evento, com amplo apoio Governamental”, aliado a um esforço por parte das universidades e centros culturais, que agora, em 2022, para as comemorações do bicentenário da independência, estão sem recursos, disse.

“A conjuntura em 2000 é um conjuntura em que o Fernando Henrique Cardoso [Presidente brasileiro na época] costurou acordos de lusofonia”, acordos estes que, segundo o professor universitário, foram prosseguidos pelo governo de Lula (2003-2010), “especialmente com a aproximação à África lusófona”.

“Não é só a descoberta que teve muito mais foco e relevância do que a independência. A questão é que naquela época o Brasil estava numa modernização crescente, de estabilização da moeda”, afirmou.

“Em 2000 havia essa possibilidade de olhar para o passado enquanto resgate de um país que se aposta no futuro e hoje não é o caso”, considerou.

A aposta, agora, em 2022, não foi essa: a “aposta foi privatizar os símbolos nacionais para capitalizar ganho político”, concluiu. A Semana com Lusa

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