OPINIÃO

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A CONVIVÊNCIA E O SENTIDO DA EXISTÊNCIA 08 Julho 2018

Os exemplos dos povos antigos cuja “alma” encontrava ainda bem próximo da “natureza” e distante da corrupção, vaidade e egoísmo, podem ensinar aos homens de hoje, mergulhados no individualismo e egoísmo, as mais belas e valiosas lições sobre a verdadeira convivência.

Por: * José João Neves Barbosa Vicente

A CONVIVÊNCIA E O SENTIDO DA EXISTÊNCIA

Conviver é indispensável para a vida humana; sem esse tipo de relacionamento entre os homens, a existência perde o seu sentido verdadeiramente humano. Não é de se estranhar, portanto, que impedir um ser humano de conviver com o seu semelhante, constitui-se não apenas em um castigo cruel, mas principalmente em uma forma de diminuir o sentido da sua existência. Para os seres humanos, conviver é um prazer natural, mesmo que essa convivência aconteça entre grupos pequenos ou selecionados por cada um deles.

Os exemplos dos povos antigos cuja “alma” encontrava ainda bem próximo da “natureza” e distante da corrupção, vaidade e egoísmo, podem ensinar aos homens de hoje, mergulhados no individualismo e egoísmo, as mais belas e valiosas lições sobre a verdadeira convivência. Para eles, conviver não era uma forma de agradar o outro e nem possuía em sua essência qualquer tipo de interesse; a convivência era um prazer natural cujo significado era viver pleno. Homens e mulheres viviam e conviviam em grupos porque estar perto um do outro era, para eles, algo bom, prazeroso, natural e proporcionava significado e sentido à existência.

O egoísmo e o individualismo não encontravam espaços para minar a convivência desses homens, porque para eles, os costumes sob os quais viviam, não eram algo criado ou inventado por eles, mas sim um “presente” concedido pelos deuses aos seus antepassados; ninguém, portanto, tinha autoridade ou poder para contestar ou modificar os costumes. Os antigos valorizavam e preservavam o grupo e a convivência até mesmo com o sacrifício do indivíduo. Todos viviam em prol da preservação da verdadeira convivência e contra a proliferação do individualismo e interesses particulares. Quando os homens convivem sem egoísmo, vaidade, individualismo e interesses particulares, o mundo fica melhor, fica humano, mas quando a convivência é corrompida, o mundo se transforma em lugar de “Bestas&rd quo; e caminha descontroladamente para o abismo mais escuro e profundo.
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*Filósofo, professor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Editor da GRIOT: Revista de Filosofia.

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