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Cultura do Suor - Os intocáveis: Jaime Ben Hare Soifer Schofield analisa « a trapalhada» do ministro da Cultura no tocante à candidatura do Museu do ex-Campo de Concentração de Tarrafal a património da humanidade 13 Julho 2021

O nosso colaborador Jaime Ben Hare Soifer Schofield prossegue com a sua série de «Cultura de Suor - Os intocáveis, focando desta vez sobre «a autenticidade e trapalhada» no processo relativo ao MUSEU MEMORIAL INTERNACIONAL DO CAMPO DA MORTE LENTA DE TXOM BOM DO TARRAFAL - Santiago de Cabo Verde, no âmbito da candidatura deste a PATRIMÓNIO IMATERIAL DA HUMANIDADE. O cronista salienta que, a contracenso, o titular da Pasta da Cultura, Abraão Vicente, serve-se de dinheiro disponibilizado ao projeto para « levar a cabo a mais vergonhosa, a mais mesquinha, a mais vil, a mais inqualificável vingança contra o CAMPO e os seus encarcerados», alguma vez verificada sob o céu tropical dos 4.033 Km2 de ilhéus de basalto-Cabo Verde. Crítica que para o CRITÉRIO AUTENTICIDADE, o ministro desprezou o precioso e valioso acervo acumulado e devidamente organizado do referido MUSEU, através do trabalho da FUNDAÇÃO AMÍLCAR CABRAL. «Ignorou as sub-estruturas físicas edificadas pela ditadura de Salazar, de entre elas: a Frigideira, a Holandinha, a Biblioteca, o Cemitério, as duas Coiznhas, o Posto de Saúde, o Economato, as duas Lavandarias, o Sanitário colectivo e o individail, as Oficinas de Carpintaria, Serralharia e Sapataria; o Colunato, as torres de Vigia, a Central Eléctrica e respectiva Oficina: o arame farpado que acompamha o perímetro envolvente, para além do fosso; o Cemitério; os gabinetes de trabalho dos polícias e guardas, a residência do Director e as dos guardas», especificou Jaime Ben Hare Soifer Schofield, para quem as autoridades da República devem assacar responsabilidades ao atual ministro da Cultura. Para mais detalhes, leia o apontamento que se segue.

Por: Jaime Ben Hare Soifer Schofield*

Cultura do Suor - Os intocáveis: Jaime Ben Hare Soifer Schofield analisa « a trapalhada» do ministro da Cultura no tocante  à candidatura  do Museu do ex-Campo de Concentração de Tarrafal a património da humanidade

A CULTURA DO SUOR - OS INTOCÁVEIS (4. ª parte): A TRAPALHADA

Jaime Ben Hare Soifer Schofield a)
. “Se quiser pôr à prova o carácter de um homem, dê-lhe poder’ - Abraham Lincoln.

1. A LIÇÃO DE TXOM BOM

Txom Bom é uma lição. DJATO é uma pintura de Txom Bom. Do Pedro Rolando. A raiva, os músculos do lavrador pescador, os olhos do aprendiz da sabedoria, os encarcerados atletas adaptados a novas pistas de corridas e campos de voleibol, a voz tonitroante do Martinho a soletrar os advérbios e as serras de Porrugal, a partilha da camoca enviada por uma das inúmeras mãos solidárias. Ah! e a luz de Txom Bom! Da transparência azul prata laranja oiro do Paraíso TXOM BOM inundava a força a traterniade, reflectida pelo pincel do Leonardo da Vinci de Txom Bom.

2. DA AUTENTICIDADE E DA TRAPALHADA

O MUSEU MEMORIAL INTERNACIONAL DO CAMPO DA MORTE LENTA DE TXOM BOM DO TARRAFAL adquire cada dia mais notoriedade, designadamente pelas trapalhadas, a que o Execuivo Cabo-Verdiano se vê envolvido, pela acção e voz do Sr. Ministro da Cultura, mormente a partir do momento da ‘descoberta’ que o espaço era o sítio mais visitado do País.

Porém o MUSEU MEMORIAL INTERNACIONAL DO CAMPO DA MORTE LENTA DE TXOM BOM DO TARRAFAL, vem adquirindo o seu lugar natural na História da Humanidade, qual seja, DA AUTENTICIDADE E DA TRAPALHADA

O MUSEU MEMORIAL INTERNACIONAL DO CAMPO DA MORTE LENTA DE TXOM BOM DO TARRAFAL. Para o que o espaço já foi classificado como Património Cultural Nacional através da Resolução n.º 33/2006, de 14 de agosto e desde 2004 integra a lista indicativa de Cabo Verde a património da UNESCO.

Ora, trata-se tão-só de seguir os passos sequentes estabelecidos pela UNESCO para se atingir a finalidade de ganhar o estatuto de PATTRIMÓNIO MUNDIAL, sendo a AUTENTICIDADE, o critério primeiro.

Ao longo do processo vertente este cronista tem chamaso a atenção das mentes que nos guiam e da sociedade, para a necessidade de cumprir todos os critérios exigíveis tendentes a alcançar a inscrição na lista indicativa de Cabo-Verde a Património da UNESCO e, bem assim, para as conseqêencias gravosas de uma eventual improcedència do mesmo.

Recentemente, numa conversa à Nação, quando se esperava finalmente a justificação do atraso na apresentação do dossier para a inscrição do Museu Memorial Internacional do Campo de Concentração da Morte Lenta de Txom Bom do Tarrafal, i. é., março de 2021, na lista da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), como Património da Humanidade, eis que o Sr. Ministro da Cultura, referiu-se, ao de leve, sobre assuntos outros.

Nenhuma referência sobre o Sr.Pressidente da República Portuguesa, cuja presença no palco das operações era considerada imprescindível, mormente para a mobilização dos recursos financeiros necessários para o espaço conseguir readquirir a dimensão AUTENTICIDDADE.

Todavia, ao longo do processo causara perplexidade justificável, não tanto pelas incongruências materiais evidenciadas pelas declaraçõe do Ministro da Pasta da Cultura neste processo, descritas em crónicas anteriores, mas, sobretudo, pela parceria inopinada do Sr. Presidente da República Portuguesa!, no processo vertente, a ponto de ser ele a única personalidade convidada a honrar a cerimónia da apresentação do dossier MUSEU MEMÓRIA INTERNACIONAL DO CAMPO DA MORTE LENTA DE TXOM BOM DO TARRAFAL, na lista indicativa a Património Mundial!

Quando a História do complexo prisional de Txom Bom Campo de Concentração distingue com ênfase os demais protagonistas, sem esquecer a sua localização em Txom Bom e o papel específico da ditadura de Salazar?.

Tem este cronista alertado, em crónicas anteriores neste diário digital, às mentes que ora nos guiam e à Sociedade, para as consequências gravosas de uma eventual improcedência do dossier sobre a matéria pela UNESCO. (No Reino da Mediocridade (I e II); No Reino do Absurdo ( I e II); Um Museu Maior para Gestores Menores e o Museu da Resistència).

Acresce que o processo em questtão elaborado pelo Governo de Cabo-Verde é, pelo que se tem escrIto é, desde logo, um atentado à memória dos que tombaram em Txom Bom e, bem assim, à inteligència das Filhas das Ilhas e dos Filhos do Mar Azul, que conhecem e conhecerão as lutas pela dignidade humana.

O dinheiro público, cabo-verdiano e português, no montante de 29,5 milhões de ECV, destinado a garantir autenticidade ao espaço histórico exige uma gestão criteriosa e transparente. arredado do processo irrecusavelmente egocêntrico e solitário.

A contracenso, o Titular da Pasta da Cultura serve-se desse dinheiro para levar a cabo a mais vergonhosa, a mais mesquinha, a mais vil, a mais inqualificável vingança contra o CAMPO e os seus encarcerados, alguma vez, verificada sob o céu tropical dos 4 033 Km2 de ilhéus de basalto.
.
Denotem bem: Para o CRITÉRIO AUTENTICIDADE, desprezou o precioso e valioso acervo acumulado e devidamente organizado do MUSEU MEMORIAL INTERNACIONAL DO CAMPO DE CONCENTRAÇÃO DA MORTE LENTA DE TXOM BOM DO TARRAFAL, através do trabalho da FUNDAÇÃO AMÍLCAR CABRAL, sob orientação e dinamização directa do Dr. Ãlvaro Dantas Tavares e supervisão do seu Presidente, o Comandante, Pedro Verona Rodrigues Pires.
O Sr, Ministro preferiu levar a cabo uma nova e inútil cobertura, «caminhos» também desnecessários e equipamentos importados (?), e «outras obras» não especificadas.

Ignorou as sub-estruturas físicas edificadas pela ditadura de Salazar, de entre elas:a Frigideira, a Holandinha, a Biblioteca, o Cemitério, as duas Coiznhas, o Posto de Saúde, o Economato, as duas Lavandarias, o Sanitário colectivo e o individail, as Oficinas de Carpintaria Serralharia e Sapataria; o Colunato, as torres de Vigia, a Central Eléctrica e respectiva Oficina: o arame farpado que acompamha o perímetro envolvente, para além do fosso; o Cemitério; os gabinetes de trabalho dos polícias e guardas, a residência do Director e as dos guardas.

E, realizado pelo ‘génio’ dos próprios reclusos: as duas ‘Pistas’ e os dois ‘Ginásios’ de Atletismo ao ar livre e os dois Campos de Voleibol.

O espaço não é só o sítiio mais visitado do País, mas também tem sido objecto de inúmeros trabalhos científicos e de teses, de reportagens, de fotografias, de inspiração poética e de ficção etc., a maioria dos quais, devidanente registados conservados no Museu Mundial da Memória.

O Sr, Ministro da Cultura não atinge, nem de perto, nem de longe o critério da AUTENTICIDADE.

São essas as obras, que custaram ao erário público o montante de 29,5 milhões de ECV! Estão a gozar conosco? Somos assim tão palermas?
Daí que: data venia: ou o Sr. Ministro da Cultura mandará, publicitar as peças mais relevantes do processo e o relatório financeiro das obras ou, então, reqrererá ao Sr. Primeiro Ministro se digne mandar promover um inquérito, para se determinar se há matéria para um processo discplinar e/ou criminal contra o titular da pasta cultural.
Depois da justificável expectativa à volta do anúncio do Sr. Ministro da Cultura e Presidente da Comissão Nacional de Cabo Verde para a UNESCO, que o dossier para a lista indicativa a patrimómio da UNESCO.

O processo seria apresentado conjuntamente por Portugal e Cabo-Verde respectivamente, pelo, Sr. Professor Dr. Marcelo Rebelo de Sousa e por ele, Ministro da Cultura,

3. LAST BUT NOT LEAST

Sr. Ministro da Cultura de Cabo-Verde o que falhou no dia 31 de março de 2021?
Por que só agora aparecem a Senhora Ministra da Cultura de Portugal e o Sr, Presidente da Câmara Municipal do Tarrafal?
— -
* Cidadão honorário do Tarrafal

benhare@cvtelecom.cv

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