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A CULTURA DO SUOR – OS INTOCÁVEIS: O CHARLATÃO-MÓR –Iª PARTE 23 Outubro 2021

O nosso colaborador Jaime Ben Hare Soifer Schofield retoma a sua série sobre «A Cultura do Suor – Os intocáveis», detendo-se, desta vez, sobre « O Charlatão - mor – 1ª parte», isto numa alusão indireta ao atual ministro da Cultura Abraão Vicente. «Em que país vivemos nós em que se permite a um ministro da Cultura, na sua sanha de vingança contra o MUSEU DE RESISTÊNCIA MEMORIAL INTERNACIONAL DO CAMPO DE CONCENTRAÇÃO DA MORTE LENTA DE TXOM BOM DO TARRAFA e os ENCARCERADOS nesse complexo prisional. Após as várias tentativas a-histórias, fraudulentas e mentirosas, oportunamente partilhadas com a cidadania ativa, mande para a lixeira da história alguns equipamentos mais significantes do CRITÉRIO, I. i é, a AUTENTICIDADE, quais sejam, nomeadamente, a Central Elétrica e a Oficina. Ocorre que o Primeiro Ministro recusa-se a proceder disciplinarmente contra o Ministro da Cultura porque ele é parte irrecusável dos laços em que o Dr. Abraão Vicente então se enredou», criticou. O cronista, que é cidadão honorário do Tarrafal de Santiago, vai mais longe, denunciando aquilo que considera ser «a trapalhada do ministro da Cultura» com a promoção da era do charlatanismo. «Entretanto, a trapalhada no Ministério da Cultura não foi enterrada. Antes, é promovida para a era do charlatanismo, por quanto: qual mendigo nas esquinas da urbe, ei-lo entre os mais desfavorecidos da vida a solicitar compreensão popular, pela queda tão ‘grandiosa’ quanto as alturas a que o egocentrismo o alcandorou. Nem os grandes, nem os remediados, nem os novos ricos, nem os dos colarinhos brancos? e nem lhe rendem a reconhecida compensação?». Confira o conteúdo da referida crónica, que publicamos a seguir.

A CULTURA DO SUOR – OS INTOCÁVEIS: O CHARLATÃO-MÓR –Iª PARTE

A CULTURA DO SUOR: O CHARLATÃO MÓR – 1ª parte

Às heroínas de Txom Bom, Tarrafal.
Fernanda Fonseca e Nha Bêba

Jaime Ben Hare Soifer Schofield (a)

«Os nossos estudantes vão para as universidades, tanto no país como no exterior, sem conhecerem a história do povo de Cabo-Verde.

Um povo que não conhece a sua própria história não pode ser culto» - Fernando dos Reis Tavares – ‘’Toco’’ in Simpósio Internacional sobre o Campo de Concentração do Tarrafal - 10 maio 2009

1- AUTENTICIDADE VS. REQUALIFICAÇÃO

Em que país vivemos nós em que se permite a um ministro da cultura, na sua sanha de vingança contra o MUSEU DE RESISTENCIA MEMORIAL INTERNACIONAL DO CAMPO DE CONCENTRAÇÃO DA MORTE LENTA DE TXOM BOM DO TARRAFAL e os ENCARCERADOS nesse complexo prisional. A após as várias tentativas a-histórias, fraudulentas e mentirosas, oportunamente partilhadas com a cidadania ativa, mande para a lixeira da história alguns equipamentos mais significantes do CRITÉRIO, I. i é., a AUTENTICIDADE, quias sejam, nomeadamente, a Central Eclética e a Oficina. Ocorre que o Primeiro Ministro recusa-se a proceder disciplinarmente contra o Ministro da Cultura porque ele é parte irrecusável dos laços em que o Dr. Abraão Vicente então se enredou.

Não há memória em que um ministro tenha conseguido, com a apoio expedido do luso aliado, mobilizar 29,5 milhões de ECV, para levar a cabo as obras no Campo da Morte Lenta, com vista a inscrevê-lo na lista da candidatura a património Mundial, pela UNESCO, tendo aquele membro do Governo de Cabo-Verde asseverado que haveria uma cerimónia pública, no dia 31 de maio de 2021. durante a qual seria apresentado um projeto conjunto de Portugal e Cabo-Verde, representados respetivamente, pelo Presidente português e por ele, Ministro. No entanto, o Sr. Ministro, jamais cumpriu tal compromisso ou, ao menos, as razões justificativas para um eventual adiamento.

Entretanto a trapalhada no Ministério da Cultura não foi enterrada. Antes, é promovida para a era do charlatanismo, por quanto: qual mendigo nas esquinas da urbe, ei-lo entre os mais desfavorecidos da vida a solicitar compreensão popular, pela queda tão ‘grandiosa’ quanto as alturas a que o egocentrismo o alcandorou. Nem os grandes, nem os remediados, nem os novos ricos, nem os dos colarinhos brancos? e nem lhe rendem a reconhecida compensação?

2. DIZ-ME COM QUEM ANDAS E DIR-TE-EI QUEM ÉS

Ora, opto por transcrever, «ipsis verbis». os acontecimentos à volta das aventuras/desventuras of the days after 13.07:
« ... O IPC promoveu, hoje, (13 de julho de 2017, um seminário de divulgação dos bens inscritos na Lista Indicativa de Cabo Verde na Unesco, marcando o início dos preparativos para apresentação do Campo de Concentração do Tarrafal e da Tabanca a Património Imaterial.
(O Sr, Ministro omite quantas vezes tal já foi anunciado para o Campo da Morte Lenta).

O ato de abertura do referido seminário promovido pelo Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas, através do Instituto do Património Cultural (IPC) foi presidido pelo ministro, Abraão Vicente, na Cidade da Praia, que em declarações à imprensa, afirmou que Cabo Verde já tem identificado pela Unesco um conjunto de bens materiais e imateriais que podem ser inscritos a Património Imaterial da humanidade.

Destacou o importante papel que as entidades locais desempenham no processo de apresentação dos bens a Património Imaterial da Humanidade, reforçando que a intencionalidade de classificar e preservar tem que ser primeiro inscrita nos programas municipais.

3 - ALL THE WORLD’S A STAGE (TODO O MUNDO É UM PALCO) William Shakespeare

O evento, segundo o governante, servirá para Cabo Verde dar um ‘feedback’ a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) sobre os preparativos que têm que ser feitos e promover a socialização junto da sociedade civil, tendo referido que a lista indicativa deve ser encarada como uma ferramenta de gestão territorial, cujos desafios quotidianos exigem, por parte dos agentes responsáveis um contínuo treinamento e capacitação. “Falta fazer o trabalho conjunto que é necessário e que foi o trabalho que fizemos em relação à Morna, não é suficiente apenas anunciar a vontade dos países em classificarem os bens a Património Imaterial da Humanidade. O que estamos a fazer aqui é o trabalho preparatório para os dois bens que queremos apresentar proximamente, que é o Campo de Concentração do Tarrafal e a Tabanca”, disse.

No entanto, informou que a dificuldade de Cabo Verde neste momento, tem a ver com a capacitação dos técnicos na conclusão dos dossiers técnicos, realçando que qualquer passo definitivo para a classificação de qualquer dos oito bens a património imaterial que Cabo Verde tem inscritos na lista da Unesco deve ser consequência da apropriação das suas comunidades.

Disse, por outro lado, que o Campo de Concentração do Tarrafal não estaria hoje “melhor posicionado”, caso a equipa envolvida no processo não tivesse corrigido as falhas contidas na lista enviada pela Unesco, acrescentando que o Governo quer envolver Guiné-Bissau e Angola, que são os dois países que tiveram o “grosso dos presos” no Campo de Concentração e mobilizar a sociedade civil cabo-verdiana neste processo.

“No caso de Tarrafal já tinha sido identificado pela Unesco, enviaram um relatório com um conjunto de falhas estruturais do próprio edifício e neste momento a próxima fase é todo o trabalho de investigação e capacitação científica para que o dossier esteja ao nível daquilo que é necessário na Unesco”, afirmou, sem, no entanto, avançar a data para a conclusão dos trabalhos.

Abraão Vicente salientou ainda que a entrega de qualquer uma das candidaturas por parte de Cabo Verde dependerá unicamente da maturação científica do dossier, frisando que enquanto os técnicos, experts da Unesco, do IPC, das câmaras municipais e as comunidades não estiverem devidamente consciencializados sobre o valor dos bens materiais e imateriais não haverá qualquer entrega por parte do Governo.

Cabo Verde tem inscritos na lista da Unesco o Parque Natural de Cova, Paul e Ribeira da Torre, Complexo de Áreas Protegidas de Santa Luzia e Ilhéus Branco e Raso, Salinas de Pedra do Lume, Centro Histórico da Praia, Campo Concentração Tarrafal, Centro Histórico de São Filipe, Parque Natural de Chã das Caldeiras e Centro Histórico de Nova Sintra ...».

Sr, Ministro da Cultura de Cabo-Verde, ainda não nos explicou o que se que se passou no dia 31 de março de 2021 and the days after. Por que só agora se refere a Angola e Guiné-Bissau? E ao presidente da Câmara do Município do Tarrafal? E da sua homóloga de Lisboa? E dos re-inventores da vida, dentro e fora de Txom Bom?
É que depois de exibir o seu luso aliado único e preferencial, sem o partilhar com ninguém, nem mesmo com o seu homólogo das Ilhas, ultrapassando e vencendo todas as barreiras diplomáticas, terá dado um trambolhão, concordante com a altura a que se alcandorou. E assim, qual dos desfavorecidos da vida, ei-lo numa das esquinas da urbe, implorando compreensão. Todos sabemos que não há perdões para o desvio de milhões do erário público, tanto mais, quando se trata de dinheiro proveniente da generosidade do trabalho abnegado de portugueses e cabo-verdianos, neste tempo crítico que a todos toca.

Todavia, a dívida resultante do desvio é, relativamente pesada. A cidadania aguarda, com compreensível interesse, a decisão das Finanças.

E apela, desde já que não tenha o mesmo destino que os processos em curso, quais sejam os dos ‘colarinhos brancos’ do Mega Processo dos Terrenos da Praia e dos Praia Leaks, denunciados e provados com documentos que fazem fé, respetivamente pelos Juristas e Advogados Sem Medo, Vieira Lopes (ora a descansar nos braços de Abraão) e Rui Araújo.

Partindo da base que, os processos dessa natureza, estão ancorados no domínio público e que, ipso facto, têm a consistência e a duração semelhantes à da parábola da «construção da casa da rocha» e que a presente denúncia se vem juntar a uma anterior emanada da mesma fonte, esperando que, entre as mentes que nos guiam, surjam umas quantas brilhantes, com competência e autocríticas suficientes para desencadear o início do processo.

Concluirei a presente crónica na próxima edição, abordando três questões:
1) A Frigideira;

2) Os Vendilhões no Templo; e
3) A Juventude.

Jaime Ben Hare Soifer Schofield

(Cidadão honorário do Tarrafal)

benhare@cvtelecom.cv

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