OPINIÃO

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CABO VERDE: A POBREZA EXTREMA E A VIOLÊNCIA URBANA 26 Fevereiro 2018

Hélida Rodrigues da cidade da Ribeira Brava, ilha de São Nicolau, uma das recém formadas que continua desesperadamente à procura do primeiro emprego, comenta a situação caótica do desemprego jovem no país e chama a atenção para as despesas com viagens, carros e alimentação das inúmeras caravanas político-governamentais que vagueiam pelas ilhas a divertir à custa do erário público, sem nenhum escrúpulo. Aliás, ela chama a esta calamidade governamental de “máquina de delapidação dos recursos financeiros deste Estado governado por (ricos) pedintes, em nome do Povo Sofredor.

Por: Carlos Fortes Lopes, M.A.

A Voz do Povo Sofredor

CABO VERDE: A POBREZA EXTREMA E A VIOLÊNCIA URBANA

A corrupção, a pobreza e o elevado nível de desigualdade social são alguns dos fatores que continuam destruindo esta nossa sociedade cabo-verdiana.

Está provado que os governantes deste país estão mais interessados no bem estar pessoal e familiar do que o das populações nas ilhas. A jovem geração nacional, por sua vez, continua inativa e condenada a ser vítima das influências sócio-politico-culturais.

Hélida Rodrigues da cidade da Ribeira Brava, ilha de São Nicolau, uma das recém formadas que continua desesperadamente à procura do primeiro emprego, comenta a situação caótica do desemprego jovem no país e chama a atenção para as despesas com viagens, carros e alimentação das inúmeras caravanas político-governamentais que vagueiam pelas ilhas a divertir à custa do erário público, sem nenhum escrúpulo. Aliás, ela chama a esta calamidade governamental de “máquina de delapidação dos recursos financeiros deste Estado governado por (ricos) pedintes, em nome do Povo Sofredor.

Outras colegas acrescentam ainda que “em vez de esses eleitos estarem por aí a gastar o dinheiro do povo em passeios e exibições pessoais e “familiares”, deviam estar a usar esses montantes para criarem emprego para as populações desfavorecidas do país”. São Nicolau é uma das ilhas onde a miséria extrema já atingiu um nível super preocupante e devastador.

A camada jovem deste país, com menos de 35 anos de idade, encontra-se numa encruzilhada sem saída, devido à liderança supostamente corrupta, incompetente e a conivência do sistema judicial nacional. A cada dia que passa, os sonhos dos jovens, como a Helida, vão sendo adiados, devido à incompetência e insensibilidade de alguns dos eleitos que deviam estar a trabalhar para o bem estar dos eleitores.

A pobreza é e sempre será a forma mais radical da exclusão política, da corrupção e da falta de oportunidades para os desprotegidos de qualquer sociedade.

Os menos afortunados são sempre os que mais sofrem em sociedades corruptas.
As jovens, com quem conversamos, recordam-nos que muitos pais tentam ajudar os seus filhos, mas quando manifestam os seus descontentamentos com as governações locais e ou central, os filhos acabam por ser marginalizados pelos responsáveis, militantes e ou simpatizantes dos partidos políticos.

A situação económica da maioria das famílias nacionais é precária e de muita aflição e, os políticos/governantes continuam vivendo e gastando o pouco que os países amigos deste Povo Sofredor oferecem para minimizar o sofrimento dos pobres coitados.

Os representantes institucionais deste país pedinte precisam mudar o rumo dos acontecimentos, começando pelo uso dos seus carros pessoais, em vez de carros do Estado, reduzindo assim as despesas supérfluas dos cofres deste Estado pedinte. Até porque esta política de o Estado dar carros, condutores, subsídios de renda, subsídios de alimentação, subsídios de comunicação, subsídios de vestuário e calçados é uma política absurda usada em países governados por sistemas de partido único e autoritário.

Isto é um dos vários problema deste nosso país.
Pois, como todos sabemos, muitos deputados nem sequer querem viver nos seus círculos eleitorais. Todos querem viver na capital, para não perderem as oportunidades.

Essas atitudes arrogantes dia governantes e seus Directores estão custando “balurdios” aos cofres deste Estado financeiramente inviável.
Voltando ao tema dos carros, de alta gama, adquiridos com o dinheiro deste Povo Sofredor, convém aqui relembrar, uma vez mais, que a manutenção dos mesmos (gasóleo, lubrificantes, condutores e outros, etc., etc., são despesas supérfluas e inadmissíveis numa sociedade tão pobre como a nossa.

Não devemos esquecer que a Pobreza favorece a prática de roubos e a violência urbana, sequestros, tráfego de seres Humanos etc., etc.

Portanto, sem muito mais a acrescentar, resta-nos solicitar a colaboração de todos para se pôr cobro a estas corrupções institucionais.

Quanto a esses casos de abuso do poder institucional devemos unir e divulgar qualquer tipo de ilicitude com vista a colmatarmos este tipo de ilegalidades institucionais.

O mesmo deverá ser feito nos casos de desaparecimento e ou tráfico de pessoas/crianças.

Como deve ser do conhecimento das autoridades nacionais, geralmente, em casos do tipo, as vítimas são aliciadas, por pessoas próximas da família ou vizinhos com alguma confiança familiar.

Com isto, convém não ignorar os fenómenos que ocorrem no nosso continente e que dizem respeito ao tráfego de órgãos. Sabemos que na maioria dos casos de rapto de pessoas no continente africano são para a extração de órgãos humanos. Outros são usados para trabalhos infantis ou não remunerados, prostituição, etc., etc.
E, o mais preocupante é que enquanto tudo isso acontece, a policia nacional continua passeando pelas cidades nos carros de piquete e outros, em vez de fazerem uma patrulha de proximidade (a pé ou de bicicleta), nas periferias e zonas portuárias, mantendo uma relação de proximidade e de confiança possível com todas as comunidades.

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