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"A Steve Jobs" fundadora da Theranos condenada a 20 anos de prisão por fraude e associação criminosa 05 Janeiro 2022

Esta segunda-feira 3, um tribunal dos Estados Unidos condenou Elizabeth Holmes — prodígio de Silicon Valley e fundadora da empresa biotecnológica Theranos com “serviços que estão a revolucionar os testes de sangue” para "detetar desde o colesterol ao cancro" — a 20 anos de prisão por fraude e associação criminosa.

Um tribunal de San Francisco deu por provados quatro dos onze crimes de que foi indiciada a mais jovem bilionária da Forbes em 2014, Elizabeth Holmes.

Esta semana após sucessivos adiamentos, devido ao surto pandémico e outros fatores, chegou ao fim o julgamento que condenou a 20 anos de prisão a "Steve Jobs no feminino" por fraude maciça online vitimando milhares de pessoas.

A meteórica ascensão desta “Steve Jobs no feminino” — que em 2014, aos 30 anos, foi avaliada em nove ‘biliões’ de dólares e se tornou a primeira bilionária da biotecnologia, com entrada no ’Board Members’ da Harvard— só se compara à sua fulminante queda em 2016.

Em 2003, aos 19 anos, Elizabeth Holmes fundou a empresa biotecnológica Theranos que pela sua natureza — questões de sangue, confidencialidade do historial clínico — combinava bem com a discrição que "caía bem" aos seus financiadores.

Tudo mudou porém com a investigação realizada por um jornalista do Wall Street Journal, John Carreyrou, a partir de uma dica anónima. Milhares de pessoas tinham sido defraudadas com os serviços online de testes de sangue.

Elizabeth Holmes em 2014 valia nove milhões segundo a Forbes que a colocou no topo das bilionárias. Mas na reavaliação em 2015 foi a própria Forbes a concluir que a bilionária da edição anterior, contas feitas e pagas as tranches dos investidores, valia afinal… menos que zero, devido ao montante elevado de débitos que ascendiam aos 400 milhões de dólares.

Em 2018, a empreendedora é acusada de fraude, num montante que ascende a ’biliões’ de dólares (milhares de milhões de contos), segundo a PGR de San Francisco, Califórnia.

Formação em computação e aulas de mandarim, abandono e empreendedorismo

Os anos do liceu são marcados pelo interesse em programação de computadores. Começou a estudar mandarim, com os pais a investirem em aulas individuais em casa. O investimento compensou: ainda aluna de liceu, Elizabeth vende patentes da área da biotecnologia a empresas e universidades chinesas.

O percurso escolar/académico de Elizabeth Holmes regista a frequência do 1º ano de Engenharia Química na universidade de Stanford, o que lhe abriu portas para estágios na área, tanto no país como em Singapura em 2003. A experiência serviu-lhe para a sua primeira patente de testes de sangue.

O sucesso fê-la desistir do curso para criar a empresa Real-Time Cures que pouco depois mudou para Theranos, juntando "terapia" e "diagnóstico".

Influentes abrem portas para investidores

Holmes entrou no círculo de personalidades como Henry Kissinger, Hillary Clinton, George Shultz, ou Betsy DeVos: uma lista de pessoas influentes que ajudou "a jovem prodígio" a atrair investidores.

O secretismo do negócio durou mais de dez anos, aparentemente o tempo da sua ligação sentimental, de 2003 a 2016, com o empresário hindu Ramesh ’Sunny’ Balwani. A relação do casal foi mantida secreta "para não interferir com a percepção dos investidores", disse em tribunal o imigrante de ascendência indiana nascido no Paquistão. Sunny aos 40 anos divorciou-se da esposa japonesa para ficar com a jovem de 19 anos.

O secretismo envolvia também os investidores da Theranos: desde o secretário do Tesouro norte-americano George Schultz ou a família Walton, a mais rica da América, até capitalistas das tecnológicas como Tim Draper, o magnata dos media Rupert Murdoch (que perdeu 120 milhões de libras), a futura ministra da educação (2017-2021), Betsy DeVos, figuras da política e dos negócios.

Bens confiscados

Todos os bens da bilionária instantânea foram confiscados enquanto ela aguarda julgamento. Espera-se assim, segundo o tribunal, ressarcir os lesados, "que se contam aos milhares".

Por isso, segundo o jornalista Carreyrou, o pedido de casamento, em 2019, não foi feito com o tradicional anel de diamantes — com um valor potencial de um milhão de dólares, de acordo com o estatuto do noivo, que é herdeiro dum império hoteleiro, o Evans Hotels Group sediado na Califórnia.

Fontes: WSJ/Bloomberg. Relacionado: Covid-19 é sirene que suspendeu julgamento da "Steve Jobs" Elizabeth Holmes, ré por fraude maciça online, 05.mai.2020. Fotos (Getty): A biotecnológica Theranos não resistiu ao escândalo da fraude e extinguiu-se. William Evans, o marido desde 2019. Ramesh ’Sunny ’Balwani e Elizabeth formaram um casal de 2003 a 2016. Com Clinton: os contactos da jovem prodígio incluíam os pesos-pesados da política e negócios.

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