OPINIÃO

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A ilusão de ser representado 22 Mar�o 2018

Infelizmente, entre a virtude e astúcia, existem ainda aqueles que sem qualquer perplexidade preferem a primeira opção, por isso a política dificilmente se livra de artifício, dissimulação e mentira.

Por: * José João Neves Barbosa Vicente

A ilusão de ser representado

Em uma democracia denominada de representativa, o povo costuma escolher seus representantes, mas estes nem sempre escolhem o povo ou trabalhem para ele; de um modo geral, os interesses e os objetivos dos representantes eleitos, caminham quase sempre no sentido contrário daqueles que os elegeram. Muitas vezes, depois de eleitos, alguns se acham melhores do que o povo e simplesmente deixam de lutar por aquilo que a ele interessa diretamente, ou seja, desligam completamente das suas questões, isso significa silenciar a voz do povo onde ela mais precisa ser ouvida. Nesse sentido, a democracia representativa não garante uma verdadeira representação, uma vez que o povo não é verdadeiramente representado; sua participação na tomada das decisões políticas, não passa de mera ilusão. De forma indireta, alguns representantes usam o povo como meio para a realização das suas próprias vontades.

Um dos objetivos da democracia representativa é, sem dúvida, defender os interesses do povo, mas nem todos aqueles que são eleitos representantes têm a intenção de fazer essa defesa, isto é, representar efetivamente aquele que os elegeu; seus objetivos e interesses particulares costumam estar sempre em primeiro lugar, ainda que camuflados perante o olhar esperançoso do povo. Infelizmente, entre a virtude e astúcia, existem ainda aqueles que sem qualquer perplexidade preferem a primeira opção, por isso a política dificilmente se livra de artifício, dissimulação e mentira. Na política o principio de ação deve ser sempre a verdade e a autenticidade, mas não é difícil observar que ainda existem alguns indivíduos que preferem uma “ação pol&iacu te;tica” baseada na aparência e na falsidade. É lamentável que em política ainda existem pessoas que preferem passar por honesto do que sê-lo.

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*Filósofo, professor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Editor da Griot: Revista de Filosofia.

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