OPINIÃO

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

A importância da educação profissional 23 Novembro 2020

A formação profissional não deve ser vista como uma obrigação legal mas sim como um investimento de valor. Ao investir no desenvolvimento das suas próprias competências ou nas competências dos seus colaboradores estará a colocar-se na rota do sucesso através de uma melhoria significativa de desempenho.

Por: Adrião Simões Ferreira da Cunha*

A importância da educação profissional

A educação profissional é o conjunto de atividades que visam a aquisição teórica e/ou prática de conhecimentos, habilidades e atitudes exigidos para exercer as funções próprias de uma profissão. A educação profissional apresenta-se como um instrumento de gestão com uma dimensão estratégica: é a atividade facilitadora da mudança em sentido lato, que propicia uma melhor adequação dos recursos humanos aos novos recursos materiais existentes, através da sua qualificação e reconversão quando necessárias; permitindo assim uma maior flexibilidade das organizações para fazer face a um futuro difícil de prever.

Ao falar de Qualificação Profissional é importante que seja discutido a questão da aprendizagem e do conhecimento, pois são conceitos que se relacionam, e até mesmo são dependentes um do outro. Um processo de aprendizagem bem desenvolvido gera nos indivíduos um conhecimento sobre tudo aquilo lhe foi passado, desta forma lhe qualificando para algo.

O trabalho desenvolvido pelos indivíduos nas organizações ao longo de suas carreiras profissionais é reconhecido como uma bagagem de aprendizado organizacional, que significa um processo de aperfeiçoar as ações pelo melhor conhecimento e compreensão. Este é um processo de dupla via, pois, as organizações também aprendem com cada colaborador que passa a fazer parte de seu corpo colaborador.

É certo que organizações que aprendem, são capazes de criar e transferir conhecimentos, como também, modificar seus comportamentos para refletir esses novos conhecimentos. Desta forma, o processo de aprendizagem e conhecimento, tanto dos funcionários quanto da organização, é tido como base para suas qualificações profissionais, os colaboradores qualificando-se na execução das suas funções e a organização aperfeiçoando-se para se manter atualizada no mercado.
Quando os colaboradores desenvolvem as suas habilidades e aptidões, a perceção dos mesmos sobre a realidade é alterada. Novos conhecimentos e sensibilidades então incorporadas modificam a sua forma de pensar. Novas atitudes baseadas na interpretação da realidade poderão surgir, enriquecendo o desenvolvimento contínuo de habilidades e aptidões, qualificando o indivíduo e o sistema o qual ele faz parte.
No nível da aprendizagem poderão ser detalhados diversos conceitos que englobam este universo, tais estes como os níveis do processo de aprendizagem: nível do indivíduo, nível do grupo e nível da organização. O processo de aprendizagem em nível do indivíduo é o primeiro está carregado de emoções positivas ou negativas, por meio de caminhos diversos. No nível do grupo a aprendizagem pode vir a constituir um processo social partilhado entre as pessoas.

Por fim, em nível de organização, a aprendizagem torna-se institucionalizada e expressa-se em diversos artefactos organizacionais, como estrutura, regras, procedimentos e elementos simbólicos.

A aprendizagem também se distingue em operacional, que consiste na aquisição e no desenvolvimento de habilidades físicas para produzir ações, e conceitual, onde a aprendizagem ocorre com a aquisição e o desenvolvimento da capacidade para articular conhecimentos conceituais sobre uma experiência.

O objetivo das organizações em investir na qualificação profissional e no desenvolvimento dos seus colaboradores pode ser explicado por teorias que afirmam que o ser o ser humano vem ao mundo motivado a aprender, explorar e experimentar. Desta entende-se que a qualificação profissional gera conhecimento e aprendizagem contínua para o indivíduo e para a organização.

Competência pode ser entendida como um conjunto de capacidades humanas ou também um conjunto de recursos que cada indivíduo detém dentro de si. Neste contexto, faz-se a explanação do conjunto competência, discutindo a respeito dos conhecimentos, habilidades e atitudes dos indivíduos, que os tornam seres competentes.

Ao aprofundar os estudos acerca do conceito de competência, propõem-se a análise das capacidades humanas em assumir iniciativas, ir além das atividades prescritas, ser capaz de compreender e dominar novas situações no trabalho, ser responsável e reconhecido por isso. Neste sentindo a competência está aliada com a capacidade do indivíduo de assumir algum cargo e assim desenvolver as suas funções atribuídas. É papel da organização no período qualificação profissional e no processo de formação do indivíduo dentro de cada organização, desenvolver as habilidades do funcionário, potencializar as suas competências preexistentes e até mesmo moldar aqueles que necessitam de uma qualificação a mais para exercer com excelência suas atividades.
Pressupõem-se que o funcionário ao assumir algum cargo dentro da organização já possui as competências básicas e qualificações exigidas, as quais se constituíram ao longo do período de formação de cada um, sendo: ensino médio, ensino superior, mercado de trabalho ou pós-graduação. Porém, é necessário e fundamental por parte da organização que acolhe novos colaboradores, o investimento contínuo na qualificação destes profissionais.

Desenvolver-se é qualificar-se, desta forma este tema é abordado no sentido de explorar o desenvolvimento pessoal dos indivíduos no âmbito organizacional. Neste ponto, é abordado diversos conceitos sobre a importância da Gestão de Pessoas no desenvolvimento do ser, e o papel da no mundo empresarial.

A avaliação de desempenho pode ser definida como um processo praticado periodicamente, de um gestor para um subordinado, onde tem como foco auxiliar o funcionário a entender seu local na empresa, objetivos, expetativas e sucesso de seu desempenho, enquanto a gestão de desempenho é o processo de criar um ambiente de trabalho no qual as pessoas podem otimizar as suas habilidades.

As avaliações de desempenho não servem somente para avaliar a forma que o trabalho está sendo executado, podendo assim ser divididas em dois segmentos: Objetivos Administrativos, onde as avaliações são usadas como base para definir remunerações ou demissões, quanto a objetivos de desenvolvimento, onde o foco é fornecer informações e identificar pontos fortes e fracos individuais dos funcionários, visando aprimorar o desempenho do mesmo.

Os métodos de avaliação de desempenho podem ser definidos como indicadores de comportamento, traços de personalidade ou resultados. Quanto aos métodos de avaliação de desempenho, podem ser classificados de modo geral, como medidores de traços ou características de personalidade, comportamentos ou resultados. O primeiro tem como proposta mensurar o quanto um funcionário possui de certas características como: confiabilidade, criatividade, iniciativa e liderança. Os métodos comportamentais foram desenvolvidos para descrever especificamente quais ações são apropriadas no ambiente de trabalho, enquanto os métodos de avaliação de resultados têm como foco a avaliação a partir das realizações do funcionário, ou seja, os resultados provenientes do seu trabalho na empresa.

As empresas investem em cursos de formação, pois necessitam de funcionários que estejam muito bem preparados para enfrentar quaisquer tipo de desafios que possam surgir no contexto da sua atividade profissional.

Com isso, pretende-se melhorar as habilidades do funcionário nas suas funções dentro da empresa nas mais variadas competências, tendo sempre como referência o triângulo dos saberes nomeadamente as competências psicossociais, que permitem desenvolver as atitudes comunicacionais e os efeitos comportamentais, as competências cognitivas que se situam ao nível do desenvolvimento intelectual e as competências psicomotoras para o desenvolvimento das capacidades manuais, situadas ao nível do saber-fazer.

A atual Lei Laboral de Portugal apela à obrigatoriedade das empresas proporcionarem a formação profissional e contínua dos seus colaboradores. Anualmente, os trabalhadores de uma empresa, têm que ter formação dada por uma entidade certificada. O não cumprimento pelas empresas do plano de formação é mesmo penalizado pelas entidades competentes.

Será que as empresas portuguesas investem em formação profissional como uma ferramenta estratégica, se lhe atribuem tal valor e a potenciam para a competitividade?

Não é nas salas de aula tradicionais que se vai conseguir mudar comportamentos e consequentemente conhecimentos, capacidades e atitudes, pois é necessário que a aprendizagem que se vai efetuando seja posta em prática, para que possa haver uma completa correspondência entre a teoria e a prática, contribuindo assim para a sedimentação do conhecimento.

Por outro lado, a formação leva também a que o próprio empregador que simboliza a empresa conheça melhor os seus trabalhadores. A aplicação dos métodos ativos que permitem que o indivíduo se desenvolva mais ao nível socio-afetivo leva a que as competências comunicacionais e emocionais sejam também canalizadas para a relação Empresa-Pessoa.

Grande parte das empresas realiza formação. Mas nem todas a realizam de modo sistemático e consistente e há ainda uma boa parte que não realiza um diagnóstico estruturado. Denota-se também ainda alguma dependência de financiamentos para a organização de formação e este investimento não se apresenta prioritário face a outros de índole produtiva, por exemplo. O que todas mais valorizam na formação é a sua aplicabilidade, o seu impacto na organização, nomeadamente na produtividade e a sua adequação à realidade específica de cada empresa.

São estes tempos de mudança e de oportunidades que nos levam a retratar os modelos atuais da formação profissional nas empresas e analisar o valor que esta representa, as suas virtudes e os seus constrangimentos, por forma a contribuir para uma reflexão mais alargada que nos permita introduzir os drivers adequados às oportunidades que se avizinham, quer do ponto de vista dos modelos de organização da formação nas empresas quer do ponto de vista da concessão dos projetos de formação por parte dos prestadores de serviço.

O principal objetivo da educação profissional é a formação para o exercício de uma profissão, com o aprendizado de saberes ligados aos diversos exercícios do trabalho, tanto para estudantes quanto para profissionais que buscam ampliar suas qualificações.

Por outro lado, com o intuito de auxiliar na formação educacional, foram necessárias intervenções.

Na era da economia do conhecimento em que se trata a informação como mercadoria e bem de produção necessários às atividades económicas, a educação é cada vez mais essencial.

Apesar de este ser um tema muito citado e da sua importância ser de fácil reconhecimento, a verdade é que a maioria das organizações ainda não está preparada para enfrentar esta nova realidade.

É fácil compreender que o desempenho dos trabalhadores do conhecimento (profissionais com elevado grau de formação ou experiência e cujos níveis de desempenho são essenciais para a organização atingir os seus objetivos) é crítico para o sucesso de atividades baseadas no conhecimento.

O que já não é tão fácil de aceitar, apesar de ser uma realidade, é que a economia do conhecimento se banalizou ao ponto de estar presente em quase todos os negócios. Por outras palavras: o mais certo é que o Instituto Nacional de Estatística já esteja integrado na lógica da economia do conhecimento!

Neste contexto, é cada vez mais relevante o incremento do desempenho dos colaboradores de qualquer instituição, em qualquer ramo de atividade. Como disse um dia Peter Drucker, “o desafio é conseguir que pessoas comuns tenham desempenhos incomuns”, este é um dos desafios que os profissionais de Recursos Humanos enfrentam na atualidade.

Num mundo em que a volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade estão sempre presentes, imerge a necessidade da formação profissional contínua.
A atualização de conhecimentos ao longo das nossas vidas é hoje fundamental para todos aqueles que querem crescer tanto enquanto pessoas como enquanto profissionais, bem como para as instituições que pretendem ser mais competitivas.
Para exponenciar este crescimento devemos procurar aprender com os melhores dentro de cada área.

A formação profissional não deve ser vista como uma obrigação legal mas sim como um investimento de valor. Ao investir no desenvolvimento das suas próprias competências ou nas competências dos seus colaboradores estará a colocar-se na rota do sucesso através de uma melhoria significativa de desempenho.

Atualmente é notório que o paradigma da formação profissional está a mudar, já começa a ser vista como um importante veículo de valorização, quer para as pessoas quer para as instituições.

Assim, a formação profissional deixou de ser encarada pelas instituições como uma mera obrigação legal, mas sim como um veículo para melhorar o seu desempenho como um todo. Para as pessoas também deixou de ser vista como uma perda de tempo, o que se reflete sobretudo na postura mais aberta com que estas frequentam a formação, transparecendo até alguma paixão por aprender.

Para finalizar, deixo-vos dois fatores que reforçam a importância da formação profissional:

Incrementa a Produtividade e Rentabilidade: A baixa taxa de qualificação dos funcionários de muitos quando comparada com a maioria dos países europeus, é um problema socioeconómico dos países impossível de esconder ou ignorar. Muitas vezes, as instituições acabam assim por refletir essa problemática nos níveis baixos de produtividade e rentabilidade. A formação profissional contínua é uma das soluções para elevar os níveis de produtividade e rentabilidade.

Reaviva e Atualiza Conhecimentos: A formação profissional é importante para um refrescamento dos conhecimentos adquiridos. Além disso pode manter os profissionais atualizados sobre as mais recentes tendências, legislação, tecnologias e exigências práticas para as suas profissões, contribuindo assim de forma positiva para a capacidade de inovação e adaptação que se tem revelado verdadeiramente crucial para as instituições.

MAS AFINAL O QUE É FORMAÇÃO PROFISSIONAL?

Em 1975 a Organização Internacional do Trabalho, através da recomendação n.º 150, considerava que a formação profissional visa identificar e desenvolver aptidões humanas, tendo em vista uma vida ativa produtiva e satisfatória e, em ligação com diversas formas de educação, melhorar as faculdades dos indivíduos compreenderem as condições de trabalho e o meio social e de influenciarem estes, individual ou coletivamente.

Além disso, refere ainda que a formação profissional de cada País deve responder às necessidades dos adolescentes e adultos ao longo da vida, em todos os setores da economia e a todos os níveis de qualificação profissional e de responsabilidade.

A Lei de Bases do Sistema Educativo de Portugal (Lei n.º 46/1986, de 14 de outubro) considera a Formação Profissional como uma modalidade especial da educação escolar. De acordo com este diploma legal, a formação profissional, para além de complementar a preparação para a vida ativa iniciada no ensino básico, visa uma integração dinâmica no mundo do trabalho pela aquisição de conhecimentos e de competências profissionais, por forma a responder às necessidades nacionais de desenvolvimento e à evolução tecnológica.

A Formação Profissional pode definir-se como um conjunto de atividades que visam a aquisição de conhecimentos, capacidades, atitudes e formas de comportamento exigidos para o exercício das funções próprias duma profissão ou grupo de profissões em qualquer ramo de atividade económica.

O atual Sistema Nacional de Qualificações, criado pelo DL n.º 396/2007, apresenta também, no seu artigo 3º uma definição simples e curta de formação profissional, considerando toda a formação com o objetivo de dotar o indivíduo de competências com vista ao exercício de uma ou mais atividades profissionais.

No âmbito da União Europeia a publicação mais recente da Terminologia da Política Europeia de Educação e Formação Profissional apresenta uma definição, adaptada da European Training Foundation de 1997, de Ensino e Formação Profissional, considerando que ensino formação visam dotar as pessoas de conhecimentos teóricos e práticos, capacidades e/ou competências exigidos por profissões específicas ou pelo mercado de trabalho.

Lisboa - 10 de Novembro de 2020


*Estaticista Oficial Aposentado - Antigo Vice-Presidente do Instituto Nacional de Estatística de Portugal

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade


  • Mediateca
    Cap-vert

    Uhau

    Uhau

    blogs

    publicidade

    Newsletter

    Abonnement

    Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project