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"A minha família está falida e eu sem diploma nem nada", diz soldador que investiu 11 anos de poupanças e lavras para pagar estudos na Ucrânia 03 Abril 2022

Entre milhões de deslocados e refugiados da Ucrânia contam-se 16 mil estudantes africanos que saíram, por entre muitas dificuldades, do país invadido em 24 de fevereiro. Acolhidos com os colegas ucranianos em países como a Lituânia, Alemanha, França, os africanos veem no entanto desvanecer-se a esperança de concluir os estudos porque as universidades só aceitam ucranianos. O nigeriano Desmond Chinaza Muokwudo (ao alto, à d.ta) diz que ele e a sua família perderam tudo o que investiram — dinheiro e terras agrícolas — para ele poder realizar o seu sonho de estudar na Europa.

«’Só recebemos cidadãos ucranianos’, foi o que me disseram». Este relato de Desmond à reportagem da BBC, edição de quinta-feira, obteve a confirmação da universidade nacional lituana de que existe um programa de admissão especial para os cidadãos ucranianos.

Decorridas seis semanas sobre a invasão russa, os países europeus de refúgio — França, Alemanha, Polónia, Portugal ... — têm acolhido os fugidos da guerra. Mas apenas os estudantes "nacionais ucranianos" são contemplados em programas de continuação de estudos em diversos níveis de ensino.

"Voltar à casa?, já não tenho lá nada"

O nigeriano Desmond Chinaza Muokwudo contou à BBC que durante onze anos — a trabalhar desde os quinze como soldador num gasoduto em Anambra, no centro da Nigéria — fez uma importante poupança para poder realizar o seu sonho de estudar na Europa.

Mas com a recessão em 2016 perdeu o emprego. Teve de recorrer aos pais para completar o dinheiro de que precisava para a universidade de Karkiv/Carcóvia. Os pais venderam as suas terras, que garantiam o sustento da família.

"O governo do meu país diz que só me resta voltar. Mas a minha família está falida e não tenho diploma", diz o ex-soldador e aos trinta anos ex-estudante universitário.

Fontes: BBC/Reuters/ . Relacionado: Estudantes africanos na Ucrânia refugiados em Paris têm futuro incerto — "Ucranianos 1º" na prestação de socorro indigna cidadãos em Cabo Verde, 17.mar.022. Fotos: Getty.

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