OPINIÃO

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A saúde pública e a sua correlação com os sectores judicial e laboral 28 Novembro 2018

Quando temos ilhas onde nem sequer existe dois médicos da medicina geral e as instalações hospitalares são precárias, sem utensílios básicos para o bom desempenho das funções médicas, não se pode esperar que as populações se sintam protegidas e consideradas. Esta má gestão do setor da Saúde está também contribuindo para a ampliação das crises e o êxodo rural nalgumas ilhas do arquipélago. Sem transporte e sem condições de tratamento nas ilhas o povo trabalhador é sempre a primeira vítima desse setor indispensável para o bem estar das populações.

Por: Carlos Fortes Lopes
(A Voz do Povo Sofredor)

A saúde pública e a sua correlação com os sectores judicial e laboral

A área da saúde pública cabo verdiana continua constituindo um dos mais significativos dilemas dos sucessivos governos do país.

O setor da saúde está suposto a ser o volante de qualquer sociedade e, Cabo Verde tem sido incapaz de explorar as influências desse setor na estrutura produtiva do país. Temos municípios com apenas um(a) médico(a). Estes postos de saúde precisam ser equipados com máquinas e técnicos competentes para conter as crises medicinais regionais e locais.

A ausência de médicos e equipamentos nesses municípios e postos de saúde são sinais da má gestão governamental dos recursos nacionais. Enquanto as populações sofrem com a falta de cuidados médicos, causado pela suposta falta de verbas, os governantes continuam viajando em passeatas de entretenimento, pelas ilhas. Até para assistirem conferências e ou abrir ou fechar conferências, onde podiam muito bem usar o sistema online (internet), através da qual se consegue fazer com que o mundo inteiro tenha acesso a esse momento, optam sempre pela contração, despesas supérfluas com caravanas oficiais.

Outro exemplo de utilização dessa via da internet é a contribuição que a mesma pode dar aos emigrantes e alunos em cursos e aulas online.

Em certos casos esta prática pode até ser a máquina geradora da confiança populacional e a consequente fonte de rendimento.

Mas, quando temos governantes que não conhecem e ou fingem não entender as exigências de gestão de certos setores cruciais para o desenvolvimento social do país, os cofres do Estado - dinheiro do povo- são sempre as vítimas dos corruptos.
A má gestão do dinheiro do povo e a tendenciosa centralização dos recursos económicos e financeiros nacional, estão causando transtornos irreparáveis.

Como é óbvio, a incompetência e tendência corrupta na gestão do bem público está hipotecando ainda mais o nosso país.

Quando temos ilhas onde nem sequer existe dois médicos da medicina geral e as instalações hospitalares são precárias, sem utensílios básicos para o bom desempenho das funções médicas, não se pode esperar que as populações se sintam protegidas e consideradas.

Esta má gestão do setor da Saúde está também contribuindo para a ampliação das crises e o êxodo rural nalgumas ilhas do arquipélago. Sem transporte e sem condições de tratamento nas ilhas o povo trabalhador é sempre a primeira vítima desse setor indispensável para o bem estar das populações.

Sem bons cuidados de saúde, as populações ficam expostas a doenças que podem ser fatais para alguns, especialmente as crianças, grávidas e idosos.
Uma boa política de saúde tem sempre a saudável tendência de influenciar, positivamente, a estabilidade social e o respetivo crescimento regional.

Temos vindo a assistir um desleixo total dos governantes, colocando os setores da saúde e justiça na cauda das prioridades orçamentais.

O setor da saúde está afogada na cauda das prioridades nacionais.

Verificamos que continua existindo uma carência e ou falta de sensibilidade dos governantes para com este setor, devido ao sistema político institucional e legislativo que atribui verbas para os políticos se deslocarem ao exterior para se cuidarem da sua saúde pessoal e familiar.

Os governantes continuam sendo incapazes de entender esse setor estrutural para o nosso país insular.

Esta crise nacional está condenando a esmagadora maioria a serem obrigados a sofrer consequências inaceitáveis numa sociedade democrática.

O Governo precisa cortar nas despesas supérfluas e aumentar as verbas da Saúde e Justiça nacional. Há que disponibilizar mais financiamentos para esses dois setores.
Com base na atuacão governamental, que temos vindo a assistir, constatamos que existe uma tendência forte do prevalecimento estratégico de políticas de investimentos em áreas onde os desvios são correntes e as derrapagens “o pai nosso de cada dia”.

Ora, se temos um setor da justiça que não funciona, cada um faz como bem entender e preocupar-se-á apenas em satisfazer-se a si mesmo e os familiares e ou camaradas da elite política.

O setor da justiça nacional precisa de uma reforma abrangente, para que seja possível implementar a total incorporação de condições e necessidades de cumprimento das missões dos restantes setores governamentais.

Apesar dos governantes continuarem a insistir nas suas promessas (maioria falsas), esperamos que as mudanças de atitudes venham a falar mais alto e que a arrogância e o abuso do poder político nacional sejam banidos desta nossa sociedade.

O Estado Social, nomeadamente o de promover o bem-estar social, está longe de alcançar um patamar satisfatório para os eleitores nacionais.

Aliás, continuamos assistindo ao recrudescimento de desigualdades socioeconómicas, privando parte crescente dos cidadãos do acesso aos bens públicos, sobretudo pela incapacidade do sistema público de garantir princípios de justiça e equidade do bem-estar constitucionalmente consagrados no conteúdo da Constituição da República de Cabo Verde.

As características e especificidades dos serviços de saúde podem ser atividades sui generis na esfera produtiva e reprodutiva, sendo, consequentemente a sua relevância na economia nacional.

Um setor da saúde nacional bem organizado e ou bem gerido tem uma importância económica e social, de destaque social.

Em particular, no que concerne à boa disposição e produção dos cidadãos. Para que alcancemos outro patamar de desenvolvimento, o Governo tem que criar formas de organizar e gerir melhor os setores de maior influência no bem estar e produção dos cidadãos. Pois, esses setores cruciais no desenvolvimento do país estão associados a processos complexos e exigentes e, precisam do apoio financeiro necessário para se desenvolverem.

A inovação tecnológica e terapêutica, bem como a expertise e poder dos profissionais da saúde precisam ser apoiados imparcialmente.

Há que analisar as tensões, e os desafios do setor da saúde para que possamos alcançar o crescimento indutor do desenvolvimento social e económico.

É necessário refletir sobre as escolhas politicas, sua institucionalização e as suas consequências na precarização da saúde, do trabalho e do trabalho na saúde.
A reestruturação do setor da saúde nacional é imprescindível e inadiável. Pois, verifica-se que esse setor continua muito carente e requerente de amplas discussões sobre os paradigmas em torno da sua função.

A descentralização da saúde, através de formação e atração de técnicos é uma exigência socio-laboral nacional.

As novas formas do processo da saúde pública aumentam a produtividade no mundo do trabalho. Compreender esta nova realidade no campo da Saúde implica repensar as relações de trabalho no complexo da saúde, bem como os processos organizacionais e as interações estabelecidas na produção de bens e serviços.

Para que tudo isso aconteça, há que existir determinação na incorporação das dimensões económicas, convocando outras de caracter socio-histórico, jurídico, político e ideológico, sem esquecer a subjetividade no trabalho.

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