OPINIÃO

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

A violência urbana: Assalto com agressão à pedrada na noite do Carnaval 04 Mar�o 2018

Depois de anos de convivência pelas diversas ilhas de Cabo Verde, a noite do dia do Carnaval de 2018 ficar-me-á marcada pela tentativa de assalto/assassinato que fui alvo. Após ter combatido um grupo de 8 rapazes que tentavam me “roubar o telemóvel”, e ter sido atingido com pedra, fui transportado pelo mesmo Taxy, directamente aos serviços de Emergência do Hospital Baptista de Sousa. Vítima da pedrada na parte superior do lado esquerdo do meu rosto e perdendo muito sangue, não me restava outra saída senão os serviços de emergência do Hospital. Durante a minha passagem pelos serviços do departamento de Emergências do HBS tive a oportunidade de conhecer melhor as deficiências técnicas e humanas existente nesse Hospital Regional e de renome nacional.

Por: Carlos fortes Lopes, M.A.

( A voz do povo Sofredor)

A violência urbana: Assalto com agressão à pedrada na  noite do Carnaval

A pobreza, o desemprego, o elevado nível de desigualdade social a ineficiencia da Policia Nacional são alguns dos fatores que continuam contribuindo para o aumento da violência urbana.

Se formos fazer uma sondagem pelas ilhas com maior fluxo turístico, Santiago, São Vicente, Sal, Boavista e Fogo acabaremos por concluir que a violência urbana atingiu um nível preocupante e quase incontrolável.

Depois de anos de convivência pelas diversas ilhas de Cabo Verde, a noite do dia do Carnaval de 2018 ficar-me-á marcada pela tentativa de assalto/assassinato que fui alvo.

Após ter combatido um grupo de 8 rapazes que tentavam me “roubar o telemóvel”, e ter sido atingido com pedra, fui transportado pelo mesmo Taxy, directamente aos serviços de Emergência do Hospital Baptista de Sousa. Vítima da pedrada na parte superior do lado esquerdo do meu rosto e perdendo muito sangue, não me restava outra saída senão os serviços de emergência do Hospital.

Durante a minha passagem pelos serviços do departamento de Emergências do HBS tive a oportunidade de conhecer melhor as deficiências técnicas e humanas existente nesse Hospital Regional e de renome nacional.

Durante essa minha visita à emergência do HBS tive a desgraçada oportunidade de sentir na pele a falta de profissionalismo, arrogância e abuso da ultrapassada Lei laboral nacional (Código Laboral). Um hospital que nem sequer tem todas as agulhas necessárias para saturar feridas terá que ter problemas graves de operacionalidade. Contudo, não queria deixar de mencionar que apesar do médico de serviço ter sido pontual, manifestou falta de sensibilidade humana ao solicitar a maior agulha - mais grossa (número 0), para saturar a parte frontal do meu rosto/testa. Como já referi anteriormente, fui submetido a essa intervenção de emergência, devido à perda descontrolada de sangue causada pela pedra com que um desses assaltantes me atingiu. Tendo sido vítima de vários atos de insensibilidade e ou falta de profissionalismo de alguns funcionários no departamento de Emergências do HBS, nessa noite do dia do Carnaval e tendo sido informado de outras vítimas da violência urbana que haviam dirigido ao hospital para os serviços de emergências, nessa mesma noite, fiquei ainda mais preocupado com o nível de insensibilidade e falta de respeito/profissionalismo de alguns dos funcionários desses serviços. Como não podia deixar de ser, já apresentamos a nossa respectiva queixa, por escrito, e estamos à espera da conclusão das investigações internas para a apuramento dos factos. Esperamos que o nível dos serviços da Direção do hospital ou do Departamento de Qualidade e Segurança sejam competentes, ao nível de punir a enfermeira que ignorou a nossa solicitação de cuidados de saúde. Há que começar a aplicar penas máximas a esses “profissionais de Saúde” e outros, de forma a se transmitir a ideia de intolerância. Caso contrário a Direção do Hospital estará a alimentar a prática dessas atitudes contraproducentes e inadmissíveis nos serviços de Saúde Pública. Esperamos, também, que os serviços de Emergência do hospital tenham fornecido aos serviços policiais os dados referente a todas as vítimas de agressão ocorridas nessa noite e que solicitaram os serviços das Emergências do HBS.

Estamos otimistas que os gestores e governantes do país mudarão de atitudes, brevemente, e passarão a ser menos tolerantes com os funcionários que não cumprem com as exigências profissionais das instituições públicas, especialmente no sector da Saúde Pública. O bem estar e satisfação dos utentes nacionais precisa ser uma prioridade nacional.

Enquanto esperamos que isso aconteça, seria de bom grado se a policia nacional procurasse adaptar-se ao sistema de policiamento de proximidade. Passeando pelas cidades nos carros de piquete e ou ausentes, nos escritórios da esquadra ou mesmo em casa e ou a tratar de assuntos pessoais não podem continuar. Essas são formas contraproducentes de se exercer as funções de agentes da Ordem Pública. Os agentes da PN têm que mudar de atitude e paradigma, passando a fazer patrulhas de proximidade (a pé ou em bicicletas, etc.), nas periferias e zonas portuárias, mantendo uma relação de proximidade e de contenção de conclusão de possíveis atos de sequestro, etc., etc.

Os governantes também precisam passar a transmitir exemplos positivos acabando com as constantes passeatas/paródias pelas ilhas e passeios nos carros de chapa amarela, etc., etc.

Talvez, a partir de aí os lambe botas deixarão de ter sucessos. Pois, pelo que acabei de constatar, após a publicação do evento nas redes sociais, muitos são os que estão aderindo a esta prática de “lambe botas” para ganhos pessoais e ou profissionais. Cada um no seu lugar, de acordo com a sua experiência pessoal. Quem nasceu e cresceu num ambiente de cinismo nunca poderá ser outro tipo de pessoa, por mais que se tente.

Mas, tendo em consideração o preocupante nível da violência urbana nacional, os agentes da justiça precisam unir esforços e trabalhar para pôr cobro a essa violência urbana, aplicando a Lei vigente e de acordo com o Código Penal em vigor e não de acordo com a disposição e ou apetite dos magistrados. Senão vejamos a Lei:

“A redacção do n.o 1 do artigo 74.o combinado com o disposto na alínea b) do n.o 1 do artigo 307.o, pode levar à conclusão equivocada de que a aplicação do Termo de Identidade e Residência (TIR) só pode ser feita pelo juiz. Por esta razão, com a alteração do n.o 1 do artigo 74.o pretende-se clarificar que tanto o Ministério Público como o juiz são competentes para aplicar o TIR, na fase processual em que cada um deles for o titular. Esta clarificação é reafirmada com a alteração da alínea b) do n. 1 do artigo 307.o.”.

O conteúdo do Código Penal de Cabo Verde confirma tudo que já havíamos relatado, noutras ocasiões. Está provado de que o Ministério Público tem sido incompetente e incapaz de exercer as suas funções, ou aplicar as leis de acordo com as responsabilidades e compatibilidades legais dessa instituição que devia ser o exemplo nacional.

Os Advogados Amadeu Oliveira e Vieira Lopes, estão de parabéns em denunciar as ilegalidade praticadas nessas instituições judiciais nacional.

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade
Cap-vert
Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project