OPINIÃO

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

ACORDA CABO-VERDIANOS! DEMOCRACIA CABO-VERDIANA ESTÁ CARREAGADA DE MIASMAS 13 Setembro 2021

Nós ainda não nos resolvemos estruturalmente, socialmente e financeiramente, por causa da ansiedade e da ganância de querermos ser o que ainda não somos, colocando a carroça à frente do boi. Reflitam, porque o amanhã só a Deus pertence!

Por: Efrem Soares*

 ACORDA CABO-VERDIANOS! DEMOCRACIA CABO-VERDIANA ESTÁ CARREAGADA DE MIASMAS

Na minha opinião, não! Vivemos atordoados pelo efeito do passado, das duas gerações como país independente, e ainda continuamos na mesma senda.Quando digo que vivemos de um passado atordoado, é porque até hoje nunca o povo cabo-verdiano conseguiu ser decisor do seu próprio destino.

Fomos gerados, através do cruzamento de povos dos dois continentes - europeu e africano, e conduzidos ao nosso destino pelo descobridor das ilhas - Portugal, donde vem a nossa afirmação como naturais das ilhas.

Sofremos uma transformação aguda, desencadeada por um núcleo de nacionais cabo-verdianos, residentes fora do país, que também sofreram influências externas e optaram pelo rompimento das relações (territorial e financeira), com os considerados universalmente donos das ilhas, com as descobertas.

No rompimento com o estado colonial, tivemos como base uma única referência política que geriu o país por quinze anos.

Veio a abertura política, mas infelizmente, não entrou no sistema outras ideologias políticas, ficando no poder os ociosos decisórios. Pessoas que inicialmente comungavam da mesma e única ideologia, com pontos de repulsão entre elas.
O país ficou dividido por dois partidos políticos, mas com uma única ideologia e cheia de dificuldades nas definições de quem pertence e defende os ideais da direita ou da esquerda. Quanto assim é a democracia não funciona e fica um atordoamento sem fim, que baralha a cabeça do povo, que é o principal alvo do sistema orquestrado, onde nunca vai saber como posicionar, acabando por ser alvo de um dos partidos políticos, para poder sobreviver.

SOBREVIVENCIA, que é a palavra-chave onde o povo encontra preso, por este longo período, vivendo na miséria, enquanto os dois partidos políticos e seus “apoiantes” vivem períodos bons quando estão no poder e de menos bons quando fazem oposição da mesma ideologia, que não deixa o povo sair do sistema orquestrado, que beneficia os dois, mais os países dos quais dependemos das ajudas e que nunca vão querer ver-nos sair de mãos estendidas, por causa de interesses outros que fogem a nossa perceção.

Povo de mãos atadas e desafios a vencer

Assim, o povo continua sempre de mãos atadas e viciadas de miasmas (aspetos nocivos) pelo sistema e até apoia a sua própria desgraça, em troca de migalhas.
E é triste porque quando assim é, dificilmente as coisas mudam, porque o povo é soberano e é quem ordena num país “democrático, mas o comodismo implantado, infelizmente não o deixa enxergar e daí vive só de esperança e não do poder da realização que tem.

Isso reflete em tudo dentro do país:

  • A corrupção que é contagiante, está alastrada em tudo que faz parte da nação, iniciando-se pela “arbitragem” presidencial, fortemente apoiada na sua eleição por partidos políticos.
  • Da estrutura do estado, que fica sofrendo mutações de corrupção de acordo com a posição.
  • Dos sistemas judicial e da informação pública, totalmente dependentes dos partidos políticos no poder, numa luta titânica e infinita.
  • Dos serviços públicos corruptos e improdutivos.
  • Das empresas públicas sem planos e estratégias de ação, funcionando como Dumper dos partidos no poder, do qual nomeiam as direções sem ter em conta os objetivos da própria empresa para que foi constituída e são nomeados para dirigir os destinos da empresa sem qualquer formalização de responsabilidade. As empresas funcionam, como escapamentos do partido político no poder, o sistema empresarial perde o sentido, porque não existe harmonias entre as opções políticas e os propósitos da referida empresa. Daí o desenquadramento é total, o efeito acentua dentro da empresa, enfraquecendo-a e mesmo falindo-a, com efeitos nefastos para o publico alvo, “POVO”, tornando-se uma cadeia enfraquecida dum sistema do dominó, tudo vai a baixo e o povo nunca saberá a cor da felicidade.
  • Os donos do país continuam como se nada fosse, sem sofrer grandes abales, porque andam prevenidos, mais a família, e apareçam com soluções milagrosas de privatização, na venda de tudo e de todos, que levou décadas para se construir, querendo sair por cima, como heróis, com a única solução, justificando as suas impotências e falta de sapiência.

Colocando as maiores empresas do país na lista de venda, o governo escolhe a Electra, como a primeira a ser ceifada, bem com a ASA e a Enapor, que são as empresas chaves de Cabo Verde. Espero que desta vez o executivo esteja munido de justificações e parceiros plausíveis.

O homem primitivo sobreviveu e por isso estamos aqui no seculo 21, pela fé, dedicação, e resiliência para acreditar, lutar e vencer.
Mas estas “quadas” de ideias políticas insensatas querem, que tudo aconteça ontem, para justificar o fracasso dos líderes e governantes.

Mais calma minha gente! O mal que foi feito inicialmente, não se desfaz com um clique. Agora é acreditarmos e lutar para vencer, sem ilusões e pânicos, o mundo não vai acabar amanhã! Estamos num processo, se formos justos para com nós mesmos, seremos justos para os nossos semelhantes. Parém de achar que o povo é ignorante, porque não é! Mas pode acabar por ficar, com tanta insapiência e falta de humildade no comando deste país, que para além de ter uma história como nação, tem uma existencial histórica de mais de 500 anos que nos orgulha pela evolução dos nossos ancestrais.

Nós ainda não nos resolvemos estruturalmente, socialmente e financeiramente, por causa da ansiedade e da ganância de querermos ser o que ainda não somos, colocando a carroça à frente do boi.

Reflitam, porque o amanhã só a Deus pertence !

*Cidadão atento.

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