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Português deve ficar sem hotel de Luís Filipe Vieira do Benfica em parceria com Odebrecht 29 Agosto 2022

"Fomos ultrapassados", diz o presidente do grupo hoteleiro Vila Galé sobre o Sheraton Reserva do Paiva, unidade de cinco estrelas em Pernambuco, Brasil que pertenceu ao ex-presidente do Benfica. O Vila Galé, com presença em Portugal e no Brasil, chegou a ser dado como o melhor posicionado para assegurar a exploração da unidade, que desde junho de 2020 se encontra fechada devido à pandemia de Covid-19.

Português deve ficar sem hotel de Luís Filipe Vieira do Benfica  em parceria com Odebrecht

O processo de concessão do Sheraton Reserva do Paiva em que a Promovalor investiu perto de 200 milhões de euros (22 mil milhões CVE) — e cujo ativo ficou sob a alçada do Novo Banco, como garantia das dívidas deixadas pela imobiliária de Luís Filipe Vieira — ainda está por concluir, mas o presidente do grupo hoteleiro Vila Galé, Jorge Rebelo de Almeida, admitiu ter pouca esperança num desfecho positivo.

"É um belíssimo hotel, só perdeu dinheiro desde que abriu", explicou Rebelo de Almeida à reportagem da CNN-Portugal, este fim de semana no Brasil. O presidente da cadeia hoteleira Vila Galé inaugurou no sábado mais uma unidade na Barra de Santo Antônio, no Estado de Alagoas. O investimento de 150 milhões de reais (3,3 milhões de contos), responsável pela criação de 300 postos de trabalho, é o décimo hotel do grupo no Brasil e que se juntam a outros 27 em Portugal.

O processo de concessão do Sheraton Reserva do Paiva necessita da aprovação do Fundo de Resolução, acionista do Novo Banco agora liderado por Mark Bourke.

Auge e queda do presidente do Benfica

Luís Filipe Vieira foi detido quarta-feira, 7.7.021, em Portugal, na sequência do caso que investiga suspeitas de burla, abuso de confiança e branqueamento de capitais. No mesmo processo foram ainda detidos o filho Tiago Vieira, o milionário José António dos Santos, conhecido como o "rei dos frangos", e o empresário Bruno Macedo, responsável pelo regresso de Jorge Jesus à Luz e outras contratações de vulto no SLB.

Os quatro arguidos passaram a noite na esquadra da PSP-Polícia de Segurança Pública do bairro lisboeta de Moscavide, com vista à apresentação ao juiz no dia seguinte.

No âmbito do mesmo processo, foram também feitas buscas a Nuno Gaioso Ribeiro, responsável pela reestruturação da dívida da empresa Promovalor, de Luís Filipe Vieira, e ex-vice presidente e administrador da SAD do clube encarnado.

O alegado esquema serviria para benefício de Vieira e do empresário José António dos Santos, em prejuízo do Benfica: na compra de ações da SAD encarnada, por parte do clube, que dariam uma mais-valia de 11 milhões de euros ao maior acionista privado, que detém 16,33 por cento do capital.

O negócio em 2020 acabou por ser travado pela CMVM, ao concluir que a OPA do clube sobre a SAD ia ser feita com fundos da própria SAD, numa operação no valor de 32 milhões de euros.

Antes disso, o empresário e amigo José António dos Santos, 79 anos, recomprara ao Novo Banco por oito milhões de euros a dívida de Vieira na Imosteps. Assim o presidente do Benfica safou-se da insolvência, por ocasião da sua recandidatura à liderança do clube e da SAD, e com a idoneidade salva pôde reeleger-se.

Acredita o Ministério Público que, em contrapartida, Vieira — numa estratégia de uma mão lava a outra — usou a sua posição de presidente do clube para conseguir que o amigo tivesse largos benefícios na venda de ações ao próprio Benfica, que tinha 67% da SAD do clube e queria chegar aos 95%.

O "rei dos frangos" logrou uma mais-valia de 11 milhões de euros, face ao investimento que fizera. Mas o regulador da bolsa travou a operação por a considerar irregular.

Em causa, suspeitas de crimes de burla qualificada ao Fundo de Resolução bancária e ainda crimes de fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais.

Reações. Em Portugal, há um ano, o PAN-Partido dos Animais e da Natureza foi um dos primeiros a reagir sobre a detenção de Vieira, como um "sinal positivo de que não há cidadãos intocáveis". Em causa, as acusações de corrupção a partir das alegadas descobertas do pirata informático Rui Pinto.

Em setembro de 2020, segundo o diário português Observador, Rui Pinto (que é feito dele?) referia alegados subornos realizados para viabilizar a construção do complexo Sheraton Reserva do Paiva através de uma parceria com a construtora brasileira Odebrecht ( a mesma que aparece em vários casos de corrupção nas duas últimas décadas).

Fontes: TVI/SIC/CNN.pt/. Relacionado: Presidente do Benfica detido em Portugal, 07.jul.021; Peru recebe extraditados ex-juiz, ex-PR Toledo, um de quatro Presidentes manchados com escândalo Odebrecht, 04.set.019). Fotos promocionais da Promovalor: Presidente do SLB e da Promovalor inaugura Sheraton ao lado do governador de Pernambuco, nos tempos em que a TACV ligava Recife-Praia-Lisboa-Paris — e Praia sonhava com o seu 5-estrelas.

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