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ADN tramou serial-killers dos EUA e China: Igual horror, sentenças diferentes 24 Agosto 2020

Sexta-feira, 21, um tribunal da Califórnia condenou à prisão perpétua o ’Golden State Killer’, o assassino em série Joseph DeAngelo, autor de dezenas de crimes a partir de 1975 e que só em 2018 foi identificado. Na China, Gao Chengyong atuou entre 1988 e 2002 e foi detido em 2016. Em ambos os casos, a investigação chegou ao criminoso através de data-bases de ADN.

ADN tramou serial-killers dos EUA e China: Igual horror, sentenças diferentes

O réu de fato laranja de presidiário que se apresentou nas sessões de julgamento como um inválido de 74 anos em cadeira de rodas quis levar a farsa até ao fim, mas o Ministério Público deu como provado com gravações vídeo que ele estava em boa forma física, graças aos exercícios diários na sua cela, e que se tratava de uma encenação para provocar a comiseração do tribunal.

O réu: Joseph DeAngelo, polícia que usou os conhecimentos da profissão para durante mais de quarenta anos escapar à lei de que era um dos guardiães.

A "carreira" de criminoso do polícia e veterano da guerra do Vietname começou nos anos de 1970 e durou uma década. Inclui o tempo em que esteve casado com a advogada Sharon Huddle que escreveu ao tribunal na quinta-feira, 20, sobre os efeitos "devastadores e pervasivos" que lhe causaram as ações de DeAngelo. Casaram-se em 1973 mas separaram-se em 1990. O pedido de divórcio só aconteceu depois da revelação dos crimes.

A investigação apurou o que DeAngelo mais tarde admitiu como parte do acordo para evitar a cadeira elétrica: o assassínio de treze pessoas — duplo homicídio em cinco casos —, violação de cinquenta mulheres entre os 13 e os 41 anos e assalto com roubo a mais de uma centena de casas.

Os crimes, que aconteciam de noite na casa das vítimas, começaram a leste da cidade de Sacramento, onde pelo menos 15 mulheres foram violadas entre 18 de junho de 1976 e 5 de julho de 1979.

Seguiram-se os assassinatos do Sul da Califórnia. O primeiro em 1975, os outros entre 30 de dezembro de 1979 e 4 de maio de 1986. Entre as treze vítimas mortais conhecidas constam cinco casais; um homem que tentou impedir o rapto da filha em casa a meio da noite; e duas mulheres que estavam sozinhas em casa.

Em 11 de setembro de 1975, Claude Snelling, professor de jornalismo numa escola local, foi baleado até à morte ao impedir o rapto da filha, na casa de família a meio da noite. Em 2 de fevereiro de 1978, Brian e Katie Maggiore, um jovem casal, foram assassinados nas proximidades da sua casa enquanto passeavam o cão. Em 30 de dezembro de 1979, o casal formado pelo médico Robert Offerman, 44 anos, e Debra Alexandra Manning, 35 anos. A 13 de março de 1980, Charlene Smith, 33 anos, e Lyman Smith, de 43 anos, juiz estagiário. Cinco meses depois, a 19 de agosto, Keith Harrington, 24 anos, estudante de medicina, e Patrice Harrington, 27 anos, enfermeira. Em 6 de Fevereiro de 1981, Manuela Witthuhn, 28 anos, que tinha o marido hospitalizado. Sete meses depois, em 26/27 de julho, Cheri Domingo, 35 anos, e Gregory Sanchez, 27 anos. O último crime conhecido foi quase cinco anos depois: a vítima foi Janelle Lisa Cruz, de 18 anos, cujos pais tinham ido passar uns dias ao México e estava sozinha em casa em 4 de maio de 1986.

Em 1 de outubro de 1979, um casal escapou por um triz. Depois de amarrados, a mulher gritou, o que ativou o alarme. Um vizinho, que era um agente do FBI, alertado pelo alarme acudiu e perseguiu o criminoso. Este abandonou a bicicleta e fugiu a pé pelos quintais — conhecia os locais porque, enquanto polícia, os visitava previamente antes de atacar.

Os familiares das vítimas tiveram de esperar dezenas de anos para obter justiça. O serial-killer detido em abril de 2018 — na casa onde vivia desde 1980, primeiro com a esposa Sharon, que escreveu ao tribunal a explicar que ela saíra de casa em 1990 —, começou a ser julgado dois anos depois.

Em junho deste ano, respondeu por 13 homicídios e 13 raptos para cometer roubos, enquanto que 62 crimes de violação e roubo já tinham prescrito.

Viu a mãe violentada e morta em 1976, teve de esperar 2020 por justiça

Entre os familiares das vítimas presentes no julgamento — que teve lugar na maior sala da universidade estadual de Sacramento — esteve Pete Schultze, que aos onze anos assistiu à violação e morte da mãe em 1976. O assaltante deixou a mãe morta e levou a aliança e outras joias dela e dinheiro, segundo contou.

Uma testemunha depôs que aos sete anos estando ela a dormir foi despertada quando a mãe foi amarrada e violada por DeAngelo.

"Ouvi-o a ameaçá-la de que me ia cortar a orelha, se ela não ficasse calada. Soube então o que era o Mal".

A mãe de uma vítima esteve com a fotografia da filha na sala de julgamento para confrontar o assassino e contou: "Ele fugiu com o olhar".

Irmão de vítima doa 2 milhões para ajudar lei

A Lei conhecida como DNA Bill of Rights/Lei dos Direitos do ADN — que tem permitido nos últimos anos a investigação de crimes, através de testes de ADN — foi aprovada em 2004 pelo Estado da Califórnia após uma iniciativa cidadã, co-financiada pelo irmão de Keith Harrington assassinado aos 24 anos juntamente com a esposa, três meses depois de casarem.

Jack Estripador da China

Foi graças aos avanços da ciência relativa ao ADN que o comerciante Gao Chengyong foi detido em 2016, vinte e oito anos após cometer o primeiro homicídio.

Em 2004, dois anos depois do último homicídio a polícia tinha conseguido estabelecer o vínculo entre os onze homicídios e traçar o perfil do serial-killer "com uma sexualidade desviante, odeia as mulheres", "é reclusivo, insociável, paciente".

Incapaz de avançar mais, a polícia anunciou uma recompensa de 200 mil yuans — c.3 mil contos — por informação conducente à resolução do caso. Em vão.

Foi a base de dados de ADN que permitiu chegar a Gao. Um seu primo fora detido por uma infração menor e ao cruzar os dados a polícia encontrou o elo que faltava.

Levado a julgamento, o homem de 52 anos admitiu os onze homicídios que a investigação apurou. Desde o primeiro em 1988 ao último em 2002.

Todas as vítimas eram mulheres. Todas se vestiam de vermelho, quando ele as viu na mercearia em que trabalhava com a esposa. A todas seguiu até às suas casas onde as violou, matou e mutilou. A mais nova tinha oito anos.

Gao Chengyong foi condenado à pena capital e espoliado de todos os bens em 30 de março de 2018. A sua execução teve lugar em 3 de janeiro de 2019.

Fontes: San Francisco Chronicle/ SF Globe/CNN/China Daily. Foto: A famosa ponte de San Francisco, a Golden State Bridge.

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