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Contra tentativa de censura: AJOC denuncia pressão sobre jornalista da TCV devido à notícia sobre “ocorrência de 24 óbitos por negligência médica” 28 Maio 2019

Mais uma polêmica perante a tentativa de fazer calar a imprensa. É que a Associação Sindical dos Jornalistas de Cabo Verde denuncia, hoje, a pressão sobre a jornalista Deolinda Freire, da TCV, e promete apoiá-la em todas as acções, nomeadamente nas instâncias judiciais, para fazer valer os seus direitos e garantias enquanto jornalista.

Contra tentativa de censura: AJOC denuncia pressão sobre jornalista da TCV devido à notícia sobre “ocorrência de 24 óbitos por negligência médica”

Segundo um comunicado da Associação Sindical dos Jornalistas de Cabo Verde (AJOC), a que a Inforpress teve acesso, em causa está a deliberação da Autoridade Reguladora para a Comunicação Social (ARC) sobre a queixa apresentada pela ex-inspectora-geral da Saúde, Íris Vasconcelos, contra a Televisão de Cabo Verde (TCV), devido à emissão no dia 25 de Fevereiro de uma notícia elaborada pela jornalista Deolinda Freire.

Para a AJOC, a ARC agiu de forma “absolutamente ligeira, rudimentar e parcial” na análise da queixa apresentada pela ex-inspectora-geral da Saúde contra a TCV.

É que conforme a associação, a entidade reguladora “ouviu a queixosa e a denunciada, mas não ouviu a jornalista”, autora da peça, e nem “se deu ao trabalho” de analisar o teor das notícias produzidas pelos outros jornalistas que registaram as mesmas declarações de Iris Vasconcelos.

“Se o tivesse feito, teria constatado que, praticamente, todas as notícias atribuem os 24 óbitos não esperados registados em Cabo Verde em 2018 à negligência médico-hospitalar ou à negligência dos profissionais de saúde”, diz ainda o documento.

Ainda segundo a AJOC não deixa de ser curioso que no nº 23, página 7, da sua Deliberação, referindo-se à segunda peça produzida pela jornalista Deolinda Freire, em que ela reproduz o áudio das declarações da ex-inspectora-geral da Saúde na comissão especializada, a ARC, “pura e simplesmente, tenha omitido o conteúdo desse som”.

Segundo a AJOC, a autoridade reguladora fundamenta a sua deliberação “apenas, e tão-somente,” no reconhecimento por parte da chefia de informação da TCV de que “a notícia em causa extravasou o justo equilíbrio legitimamente exigível a um órgão de comunicação social na ponderação necessária entre os valores constitucionais da liberdade de imprensa e dos direitos de personalidade”.

A AJOC também denuncia “a forma subserviente” como se portou a direcção da TCV em todo este processo. Isto porque, refere, em vez de tentar perceber o trabalho realizado pela jornalista Deolinda Freire, “dando-lhe o necessário suporte profissional” e emocional, a direcção colocou-se, desde a primeira, “ostensivamente”, ao lado da queixosa.

Esta, diz a associação, mandou instaurar um processo de inquérito “para apurar os factos que terão suscitado a queixa junto da ARC” e “nomeou o jurista da casa” como instrutor do processo do inquérito.

A AJOC denuncia ainda “a pressão que a jornalista diz ter recebido por parte da direcção da TCV no sentido de “se retratar publicamente” e de “identificar a fonte” que lhe terá facultado a gravação da audição de Íris Vasconcelos no Parlamento.

Considera, igualmente, “infeliz” a nota de imprensa da Ordem dos Médicos de Cabo Verde na qual procura responsabilizar a jornalista e a comunicação social pelos efeitos negativos que a notícia referente à audição na comissão especializada de saúde terá na classe médica. A Semana com Inforpress

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