OPINIÃO

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

ALGUMAS EMULAÇÕES AOS SERVIDORES PÚBLICOS DE CABO VERDE 27 Fevereiro 2021

Infelizmente em muitas organizações costuma haver 3 tipos de pessoas: as que trabalham, as que vêem trabalhar, e as que perguntam o que é que se está a passar.Os que consideram que o dinheiro é tudo na vida correm o risco de serem suspeitos de fazerem tudo por dinheiro.

Por: Adrião Simões Ferreira da Cunha*

ALGUMAS EMULAÇÕES AOS SERVIDORES PÚBLICOS DE CABO VERDE

Embora seja aceite que a análise das organizações é indissociável das pessoas e dos grupos orgânicos que as integram, há abordagens que as analisam como se pudéssemos pensar no grupo sem pensar na pessoa e pensar na organização sem pensar no grupo.

De facto, as organizações são sistemas muito complexos compostas por atividades humanas em diversos níveis de atuação, e em que valores, personalidades, comportamentos, atitudes, grupos e normas (co)existem num padrão complexo e multidimensional, pelo que são muito mais do que a mera adição das suas partes.
Todos os indivíduos possuem uma estrutura de valores pessoais [que determina a sua maneira de ser e estar] que não poucas vezes colide com a construção da própria cultura da organização, verificando-se mesmo que à medida que as pessoas se vão integrando nos respetivos grupos orgânicos estes tendem a desenvolver as suas próprias normas e mecanismos autorreguladores que podem entrar em colisão com a organização no seu todo, sendo que o relacionamento do indivíduo com a organização nem sempre é cooperativo e satisfatório.

As organizações necessitam de pessoas que lhes ofereçam 3 níveis bastante diferenciados de habilidades:

Fazer: executar tarefas previamente definidas para realizar os objetivos estratégicos da organização;

Utilizar Conceitos: abstrair ideias e conceitos e utilizar estes como ferramentas na conceção, planeamento e organização do trabalho dos outros, abastecendo-os em permanência com motivação e comunicação, tendo um peso maior no planeamento técnico e operacional;

Influenciar: alterar o comportamento dos outros que, sendo em geral gestores a diferentes níveis, têm um peso maior na definição dos objetivos estratégicos e do consequente planeamento [citando Mc NAMARA: têm a arte de organizar o talento].

Assim, para terem sucesso, as organizações têm de assumir que o indivíduo é a base das mesmas [centro vital] e, como tal, têm de desenvolver um esforço permanente no sentido de reforçar o laço psicológico que prende o indivíduo à organização e, deste modo, alcançar a sua integração na mesma visando partilhar a respetiva cultura institucional, ou seja, participar em plenitude na realização do respetivo objeto social.

As organizações que assim procedem estão em melhores condições para minorar a tendência de valorização sectária das pessoas e dos grupos, obtendo uma melhor harmonização entre os objetivos organizacionais e os objetivos pessoais, o que contribui para melhorar a realização do potencial recíproco de desenvolvimento, assegurando a realização individual sem comprometer a eficiência da organização.

Assim, porque cada vez mais estou interessado por tudo que possa ter uma influência significativa sobre o comportamento, decidi escrever este artigo com o propósito de tentar contribuir para o reforço do rigor dos Servidores Públicos de Cabo Verde na prestação de serviços aos cidadãos em que o mais difícil do exercício é ser capaz de selecionar o essencial. Assim, os Servidores Públicos de Cabo Verde devem ter presente:

O nosso cérebro é como um chapéu-de-chuva, funciona melhor quando aberto, e quando se distende para abrigar uma ideia nova nunca mais volta à dimensão anterior.

Infelizmente em muitas organizações costuma haver 3 tipos de pessoas: as que trabalham, as que vêem trabalhar, e as que perguntam o que é que se está a passar.

Os que consideram que o dinheiro é tudo na vida correm o risco de serem suspeitos de fazerem tudo por dinheiro.

Os que vivem no passado devem inclinar-se perante os que vivem no futuro, senão o mundo começa a girar ao contrário.

Quem quiser ser indispensável tem de ser sempre diferente para melhor.
Os que se tornam indispensáveis acabarão por subir na carreira, mas se agirem como insubstituíveis irão seguramente para a rua.Só os cemitérios têm gente insubstituível.

Os que pensam que podem dispensar os outros, enganam-se, e se pensam que os outros não os podem dispensar enganam-se ainda mais.
Os que se limitam a seguir nas pegadas dos outros não deixam quaisquer vestígios.
Os que trabalham com dedicação e competência acabam por ter sucesso, há pouca concorrência!

Até no dicionário a palavra sucesso vem depois da palavra esforço.
Os incompetentes têm problemas, os competentes têm soluções.
Nenhuma corrente é mais forte que o seu elo mais fraco, o que se aplica também nas organizações.

Lisboa, 24 Fevereiro de 2021
— -
* Estaticista Oficial Aposentado, Antigo Vice-Presidente do Instituto Nacional de Estatística de Portugal

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