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ALGUMAS NOTAS SOBRE A LIDERANÇA DE SERVIÇOS PÚBLICOS 08 Agosto 2021

A Liderança pode ser resumida na habilidade de conduzir um grupo, e motivá-lo a colaborar de maneira voluntária. Um bom líder consegue despertar nas pessoas a vontade de fazer a diferença.

Por: Adrião Simões Ferreira da Cunha*

ALGUMAS NOTAS SOBRE A LIDERANÇA DE SERVIÇOS PÚBLICOS

Apesar de ser uma palavra muito usada nos dias atuais, poucas pessoas realmente sabem o que é Liderança, e menos pessoas ainda conseguem aplicá-la de maneira correta na sua carreira.

A Liderança pode ser resumida na habilidade de conduzir um grupo, e motivá-lo a colaborar de maneira voluntária. Um bom líder consegue despertar nas pessoas a vontade de fazer a diferença..Trazendo isso para a prática podemos dizer que um bom líder traz resultados. Existem, no entanto, diferentes maneiras de liderar.
Alguns dos tipos de líderes mais populares são Autocráticos, Liberais, Democráticos, Paternalistas, Visionários, Exigentes.

1. O líder autocrático é o centro de tudo, como uma figura dominadora, ele não confia ou valoriza as competências dos seus colaboradores, centraliza o poder e faz cobranças excessivas, o que o faz ser visto mais como um chefe e não como um verdadeiro líder, capaz de inspirar quem está ao seu redor.

2. O líder liberal permite que os colaboradores tenham total controlo sobre as decisões no ambiente de trabalho e, dificilmente, aplica punições. A sua capacidade de demonstrar confiança na autonomia da equipa é um importante combustível para o aumento da motivação, mas pode transformar-se num problema pela sua falta de firmeza e rejeição em assumir responsabilidades. Não oferecer qualquer comando ou supervisão pode prejudicar resultados e o próprio desempenho dos profissionais, que se sentem perdidos ao executar as suas atividades e perdem o senso de autoridade no serviço, o que gera a falta de respeito e desavenças.

3. O líder democrático permite que todos os liderados participem na tomada de decisões, fornece infornação de retornos, aceita sugestões e até críticas, é encorajador, interage bem com todos e consegue inspirar pelo exemplo, e não pelo poder.

4. O líder paternalista assume um papel de pai. A sua relação interpessoal com os colaboradores é muito forte, mas pode estabelecer um comportamento ambíguo perigoso — com um forte senso de controlo e domínio ou extremamente permissivo, sem qualquer limite ou regra aplicada.

5. O líder visionário está sempre em busca de oportunidades inexploradas, é capaz de antecipar tendências e criar produtos que os utenteses ainda nem sabem que precisam. O seu otimismo latente é capaz de trazer leveza e motivar liderados, que são peças fundamentais para fazer com que as suas ideias deem certo.

6. O líder exigente não deixa nada passar despercebido. Exige sempre o melhor da sua equipa e, muitas vezes, obtêm bons resultados em troca. O problema é que não há qualquer flexibilidade na sua atuação. A sua postura é de total vigilância — não apenas dos resultados apresentados, mas do horário de chegada dos liderados, das suas posturas no trabalho e até das vidas pessoais.

Embora algumas dessas formas de Liderança sejam mais eficazes do que outras, tudo pode variar de acordo com a necessidade de cada equipa o perfil dos profissionais liderados.

De qualquer maneira a função da Liderança é conseguir criar um ambiente em que as pessoas se desenvolvam profissional e pessoalmente, garantindo bons resultados, satisfação e empenho.

Essa característica pode surgir de forma natural, são os clássicos “líderes natos”, mas também pode ser adquirida através de estudos e aplicação de técnicas de liderança.

O papel da Liderança é tornar o ambiente organizacional mais saudável e agradável para todos, além, claro, de apontar os caminhos para o sucesso e para que as pessoas consigam obter melhores resultados corporativos.

Não é necessário usar o fato e gravata para comandar, mas sim saber conduzir um grupo de pessoas rumo a um objetivo em comum. É uma questão de postura, mais do que status ou mesmo condição financeira.

A Liderança reflete diretamente na qualidade do trabalho prestado pelo grupo. Uma boa Liderança precisa de ser cativa, convincente, e acima de tudo servir de exemplo para os demais membros do grupo.

Embora algumas características de personalidade sejam fundamentais para o perfil do líder, é possível desenvolver algumas técnicas conforme se trabalhe isso. A inteligência emocional, por exemplo, é fundamental.

Quando pensa em o que é Liderança, deve analisar que se trata não apenas de uma posição em que se é colocado, mas sim em um conjunto de atitudes e comportamentos que levam determinada pessoa a tornar-se destaque dentro de um grupo.

Num serviço público a noção de liderança é indissociável do facto de que é parte integrante do dispositivo administrativo do Estado e que por isso as suas atividades devem ser realizadas em conformidade com o quadro legislativo e regulamentar em vigor; trata-se do respeito do Estado de Direito que se impõe naturalmente a todos.

A qualidade do dispositivo institucional deve ser procurada com a intenção principal de libertar as potencialidades das administrações visando prestar um melhor serviço protegendo os direitos fundamentais dos cidadãos, assim como, com o tempo, ajustamentos podem ser necessários para ter em conta as mudanças da Sociedade.

A liderança de um serviço público é uma noção cuja complexidade cresce com o grau de descentralização e regionalização do poder político. Além do poder legislativo do Parlamento que pesa também sobre as decisões, leis e orçamento, pode-se considerar que há um nível político executivo nacional a 2, 3, e por vezes 4 graus e um nível técnico-administrativo também a 2, 3 graus.

Mas não pode haver desenvolvimento dos serviços públicos que seja sustentável e durável sem uma equipa de direção, competente, motivada pela amplitude do desafio, estável e sustentada pela política, a começar pelo Ministro de tutela da Estatística. É a esta equipa que pertence libertar totalmente o potencial do pessoal graças à partilha de valores e a uma cultura fundada sobre a confiança, a responsabilização e o poder de agir que estimulem a implicação de todos.
Trata-se quase sempre de agentes do Estado, funcionários cujas condições de recrutamento, remuneração, afetação, progressão, acesso à formação e cessação de atividade, são fixadas por regulamentação em vigor.

As qualificações requeridas referem-se a vários carateres administrativos ou ténicos diferentes, com para cada um estatutos e níveis de qualificação diferenciados.
Para os líderes dos serviços públicos é essencial controlar a cadeia: formação inicial, integração no serviço, formação durante o emprego e aperfeicionamento.
Quanto aos recursos materiais trata-se essencialmente das instalações, equipamentos, veículos automóveis, e alguns outros equipamentos. É o equipamento informático, os "software" mais que os materiais, que concentra os maiores desafios estratégicos. Neste contexto a atualização das competências é essencial.

Os recursos financeiros são alocados pelo Orçamento do Estado adotado pelo Parlamento, sendo pois muito importante que o Ministro das Finanças e os outros Ministros sejam convencidos da vantagem comparativa de um investimento na prestação de serviços de qualidade.

Certo número de atividades é objeto de princípios de ação esclarecidos pela liderança e que constitui regras de condução permanentes que pode-se considerar como políticas. A deontologia profissional pode também ser originalmente políticas implícitas ou incluídas na lei. Por exemplo: Políticas de qualidade; Políticas de normalização; Políticas de comunicação e relações externas; Políticas de arquivo; Políticas de segurança dos sistemas informáticos; Políticas de recrutamento; Política de gestão das carreiras; Políticas de formação; Políticas de financiamento; Políticas de gestão administrativa e financeira.

No contexto de um sistema transversal da Administração Pública, a adoção de estratégias, a elaboração de políticas e programas plurianuais são processos complexos integrados nas regulamentações administrativas e necessitando do aval de numerosass partes envolvidas por atos regulamentares (ou mesmo legislativos) formais.

Basear a diligência de elaboração nos princípios da gestão centrada nos resultados é uma boa prática a privilegiar. As fases geralmente retidas são: o estado dos lugares e o diagnóstico, a escolha dos resultados visados e os objetivos que decorrem, a determinação dos meios ou capacidades que serão necessárias para atingir os objetivos retidos, as estratégias de aquisição dos meios e reforço das capacidades, a programação plurianual e os mecanismos de aplicação, acompanhamento, ajustamento progressivo, e por último avaliação dos resultados.

A passagem entre a estratégia e a ação deveria inspirar-se princípios seguintes: Traduzir a estratégia em termos operacionais; Pôr a organização em adequação com a estratégia; Fazer que a estratégia seja o negócio diário de todos; Transformar a estratégia num processo contínuo; Mobilizar a mudança graças à liderança dos líderes.

— -
*Estaticista Oficial Aposentado, Antigo Vice-Presidente do Instituto Nacional de Estatística de Portugal

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