OPINIÃO

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ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE AS ELITES CABO-VERDIANAS E O PAÍS 05 Junho 2018

Além da sua competência técnica as Elites Cabo-verdianas, para o serem verdadeiramente, têm de cumprir diariamente com deveres que abarcam valores, atitudes e padrões de comportamento, ou seja, trata-se de ética, e o eventual sucesso das Elites Cabo-verdianas na vida acadêmica, nas profissões liberais, na área financeira, económica, social e de gestão, tem de ancorar aqui, partir daqui e retornar sempre aqui.

Por: *Adrião Simões Ferreira da Cunha

ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE AS ELITES CABO-VERDIANAS E O PAÍS

Nas minhas já 9 idas a Cabo Verde em missões de assistência técnica ao Instituto Nacional de Estatística fui ouvindo alguns comentários sobre as Elites Cabo-verdianas, o que me levou a escrever este Artigo numa tentativa de estimular a necessária reflexão sobre o papel fundamental das elites políticas, sociais, culturais e económicas de Cabo Verde no processo do seu desenvolvimento e modernização.

O conceito de elite social possui diversas definições: como um grupo situado numa posição hierárquica superior numa dada organização e com o poder de decisão política e económica; como um grupo localizado numa camada hierárquica superior numa dada estratificação social; podendo igualmente ser o grupo minoritário que exerce uma dominação política sobre a maioria num sistema de poder democrático.
Elite pode também ser uma referência a grupos posicionados em locais hierárquicos de diferentes instituições públicas, partidos ou organizações de classe, ou seja, pode ser entendida simplesmente como aqueles que têm capacidade de tomar decisões políticas, económicas ou sociais com impacto nacional, podendo ainda designar as pessoas ou grupos capazes de formar e difundir opiniões que servem como referência para os demais membros da Sociedade, e neste caso Elite seria um sinónimo tanto para liderança como para formadores de opinião.

Neste contexto penso que os comentários que fui ouvindo sobre as Elites Caboverdianas não radica propriamente nelas mas no facto de parecer que não conhecem bem o País profundo, e a ser assim qual será a motivação para tal comportamento?

Além da sua competência técnica as Elites Cabo-verdianas, para o serem verdadeiramente, têm de cumprir diariamente com deveres que abarcam valores, atitudes e padrões de comportamento, ou seja, trata-se de ética, e o eventual sucesso das Elites Cabo-verdianas na vida acadêmica, nas profissões liberais, na área financeira, económica, social e de gestão, tem de ancorar aqui, partir daqui e retornar sempre aqui.

Na verdade, o povo não pode deixar de pensar que os seus concidadãos que constituem as Elites Cabo-verdianas são os únicos que podem ser chamados a desempenhar um "serviço público", um "serviço cívico", como que uma "comissão de serviço", em nome da responsabilidade da cidadania e do sentido de Estado no sentido mais profundo de solidariedade nacional.

Mas para isso as Elites Cabo-verdianas precisam de eleger uma causa de conduta verdadeiramente nacional, como por exemplo uma verdadeira reforma da Administração Pública capaz de transformar uma administração poder numa administração prestadora de serviço, capaz de ser leve, eficaz e útil, porque a Administração Pública deve ser útil e não um peso inútil.

Na verdade, a Administração Pública é nos países em desenvolvimento o setor que apresenta maior oferta de serviços aos cidadãos, e como tal deve dedicar uma atenção particular ao nível do grau de satisfação dos seus utentes, pois estes assumem o duplo papel de contribuintes e beneficiários do serviço público, tendo presente que o cidadão contribuinte paga, através dos seus impostos, o funcionamento da Administração Pública, sendo legítimo que quando necessita dos Serviços Públicos exija qualidade nos serviços que estes lhe prestam.

Acresce que nos países em desenvolvimento é na Administração Pública que se encontra uma parte significativa das elites nacionais, mas cujo bom funcionamento depende em larga medida dos políticos na governação.

De facto, em todos os países os dirigentes públicos dependem de políticos, não de acionistas, pelo que os políticos que afirmam lutar pelo reforço e consolidação da democracia devem meditar seriamente nas consequências desastrosas que poderiam advir para a democracia se as seguintes ideias prevalecessem na opinião pública: a) Os políticos lutam pela conquista do poder para, uma vez alcançado, estarem sempre a explicar que não têm assim tanto poder; b) Há políticos que só se sentem bem no interior do seu próprio Partido, como um agrupamento de indivíduos para a discussão abstrata de ideias e elevação concreta de alguns dos seus membros.

É necessário que as Elites Caboverdianas desempenhem o referido "serviço público de solidariedade nacional", e para lá da causa subjacente é de esperar que assumam verdadeiramente a responsabilidade social da sua existência perante o povo que dizem pretender servir.

Assim, também por isto, a democracia multipartidária é um bem supremo do Povo.

Lisboa, 01 de Junho de 2018
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*Estaticista Oficial Aposentado – Antigo Vice-Presidente do Instituto Nacional de Estatística de Portugal

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