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AM de Lisboa aprova voto de pesar pelos 50 anos do massacre de Wiriamu 18 Janeiro 2023

A Assembleia Municipal de Lisboa aprovou na terça-feira um voto de pesar pelos 50 anos do massacre de Wiriamu, ocorrido em 16 de dezembro de 1972, em Moçambique, lembrando as vítimas que “foram torturadas e assassinadas por tropas portuguesas”.

AM de Lisboa aprova voto de pesar pelos 50 anos do massacre de Wiriamu

Apresentado pelo grupo municipal do BE, este voto de pesar foi aprovado com os votos contra de PPM e Chega, a abstenção de PSD, PAN, Iniciativa Liberal, MPT, Aliança, CDS e dois deputados do PS e os votos a favor de BE, Livre, PCP, PS e dois deputados do Cidadãos por Lisboa (eleitos pela coligação PS/Livre).

Antes da discussão e votação, o líder do grupo municipal do PSD, Luís Newton, manifestou-se sobre “a perversão do espírito do voto de pesar”, pedindo a reformulação do documento, o que levou à eliminação de uma parte, nomeadamente a ideia de homenagear todos os “que lutaram contra o Estado Novo e contra o colonialismo português, contribuindo para democratização de Portugal e para a libertação das antigas colónias”.

Na parte deliberada aprovada, a Assembleia Municipal de Lisboa decide “expressar o seu pesar pelas vítimas do massacre de Wiriamu, ocorrido em 16 de dezembro de 1972, em Moçambique”.

Do grupo municipal do CDS-PP, a deputada Margarida Penedo considerou que o voto proposto pelo BE apresenta “uma história exagerada e distorcida”, concordando que “houve um massacre”, mas a versão exposta no documento de pesar “é uma versão que exagera e que especula sem qualquer base, a não ser estigmatizar as Forças Armadas portuguesas”.

O deputado Bruno Mascarenhas, do partido Chega, disse que este voto de pesar já foi apresentado “na Assembleia da República, pelo candidato do Bloco de Esquerda à presidência da República, Augusto Santos Silva”, afirmando que “o Chega tem o maior orgulho das Forças Armadas portuguesas, de todo o trajeto que foi feito nas províncias ultramarinas”, e considerando que a proposta do BE “ataca as Forças Armadas portuguesas e ataca os portugueses”.

O social-democrata Luís Newton defendeu que a proposta do BE “não é um voto de pesar, é um documento que tem como único objetivo não demonstrar pesar genuíno por quem sofreu atrocidades de guerra, mas para atacar as Forças Armadas portuguesas, procurando beliscar àquilo que foi e àquilo que é a dignidade das Forças Armadas portuguesas”.

José Inácio Faria, do MPT, afirmou que a proposta do BE “não é um voto de pesar, mas sim de achincalhar” e Madalena Natividade, do CDS-PP, moçambicana e familiar das vítimas, concordou com o pesar, mas considerou que uma parte do texto do documento “é um malabarismo inaceitável”.

Em resposta, a deputada do BE Leonor Rosas indicou que “este debate foi trazido para a sociedade portuguesa nos últimos meses pelo Presidente da República, o presidente da Assembleia da República e pelo primeiro-ministro”, sublinhando que “todas estas figuras do Estado português sentiram a necessidade de, após mais de meio século de apagamento da história, de se chegar à frente”.

“Em 16 de dezembro de 1972, cerca de 400 pessoas foram torturadas e assassinadas por tropas portuguesas num conjunto de aldeias ao longo do Rio Zambeze, em Moçambique, no que ficou para a história como o massacre de Wiriamu (nome de uma dessas aldeias). Estima-se que, no total, o ataque tenha dizimado cerca de um terço da população dessas aldeias”, lê-se no voto de pesar.

No documento, o BE refere que, “durante várias décadas, a Operação Marosca – código militar para o massacre do qual se assinalaram 50 anos em dezembro – foi remetida ao silenciamento e maioritariamente ignorada pelas narrativas oficias sobre a Guerra Colonial e o colonialismo português”.

“É importante que também na Assembleia Municipal de Lisboa se assinale o pesar pelos homens, mulheres e crianças brutalizados e mortos por ação das tropas portuguesas no dia 16 de dezembro de 1972, sublinhando a injustiça da Guerra Colonial e a violência do colonialismo português”, refere o voto aprovado.

A Semana com Lusa

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