OPINIÃO

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Acesso ao Ensino Superior: Um direito ou privilégio? 09 Mar�o 2018

Todos em Cabo Verde já devem ter notado que o sistema do ensino se encontra num estado péssimo, ou seja, nele existe uma imensa fragilidade, o que me obriga a trazer este tema para que o público e amigos possam tirar as devidas ilações.

Por:Fábio Célio Lobo

(Estudante do 3º Ano de Direito- US)

Acesso ao Ensino  Superior: Um direito ou privilégio?

“Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. (Paulo Freire)

Quer queiramos ou não, existem certos cursos de maior prestígio social, isto não se discute, «Verbi gratia» Ciência Politica, Medicina, Direito, entre outros, sem desprezar qualquer outro, cada um vale o que vale (os serviços essenciais que movem a sociedade em qualquer país são elas: a política, a justiça, a segurança, a saúde), independentemente da área de formação, o sucesso depende sempre do esforço e do desempenho do aluno, em particular.

Porém, em Cabo Verde deparamos com áreas de formação superior, deveras, mal ministradas pelas universidades de renome ou popular, em que a competitividade entre os alunos é realmente inexistente, visto que são admitidos alguns com média escolar pouco superior a 10 valores (uma média que nem sempre é tudo), sendo que, na realidade, o nível de conhecimentos corresponde a seis ou sete valores (numa escala de 0-20), ou seja, são admitidas pessoas com sérias incapacidades para prosseguir os estudos superiores.

Por outro lado, depara-se com falta de estudantes competentes em muitos cursos. Ora, através de diálogos com alguns licenciados e alunos de diferentes áreas de formação, pois simplesmente foi vergonhoso não terem aprendido diferenças tão básicas e primarias - miséria intelectual, conjugada com a falta de conhecimentos básicos de comunicação em português, sem capacidade de memorização e de raciocínio lógico e sem aptidão para aprender, ou seja, nota-se uma mediocridade total nesses indivíduos.

Tudo isso contribuirão, mais tarde, para sérias consequências, enfrentando diversos problemas, nomeadamente o desemprego, porque as universidades estão a formar pessoas em massas e sem capacidade alguma, e outras vezes, esses ditos licenciados sequer conseguem aprovar num concurso público ou numa entrevista, em que também pecam pela violação de normas éticas e deontológicas. Por isso, é que temos a tal questão da morosidade da justiça, isto tudo por causa de magistrados incapazes e advogados que praticam actos meramente dilatórios (agir de má fé). Perante tal situação, pode-se afirmar que as nossas práticas educativas são moralmente condenáveis. No entanto, este tipo de ensino superior cria e forja "especialistas incompetentes”, sendo, por isso, um desperdício de recursos públicos.

Nesta óptica, quem realmente pretende entrar numa universidade deve provar que está apto ou habilitado para tal, funcionando como um privilégio. Logo, os alunos com capacidade intelectual não devem ser impedidos de estudar, por razões exclusivamente económicas. Muitos não conseguem entrar numa universidade, quer pública ou privada, devido a factores económicos, devendo o Governo, por isso, remover todos os obstáculos que possam impedir os indivíduos aceder ao ensino superior, quando prova a sua capacidade intelectual para tal.

Em suma, convém realçar que o sucesso para uma futura carreira profissional depende muito mais dos esforços ou atitudes de cada académico, do que o nome da própria universidade. Como é obvio, todos pretendem a melhor Universidade, quer a nível nacional ou internacional, não importa qual foi a instituição de ensino que o aluno estudou, mas sim o esforço e dinâmica do próprio académico.

Esta inquietação é lamentável, porque, apesar de Cabo Verde ter bons quadros ou bons profissionais, mas nota-se alguma falha e lacuna que precisa ser corrigida, pois quando um profissional exerce mal a sua função a que está obrigado, poderá pôr em causa a imagem de toda a classe profissional. Tudo isso por motivo da falta de estudos ou aprofundamento da matéria e, sobretudo, constata-se então, a falta de conteúdo ético presente, no exercício profissional.

Situação pior ainda poderá acontecer ao terminar a formação superior (licenciatura), em que o sujeito deixa de estar em contacto permanente com o livro, perdendo de vista qualquer obra ou doutrina que lhe sirva de referencia e que o sirva de base para fundamentar/abordar um determinado tema ou assunto. Por este motivo, para esses ditos académicos, não faz sentido falar de Aristóteles, São Tomás de Aquino, Kant, tampouco a Adela Cortina - filósofa da época contemporânea e reconhecida como referência e suporte que complementa a formação académica ou da personalidade do indivíduo.

Neste âmbito, gostaria de lançar um apelo no sentido de as Universidades promoverem uma cultura de leitura de obras e criarem bibliotecas apetrechadas de documentos e equipamentos que facilitem os alunos e investigadores a desenvolverem seus pensamentos críticos, visto que constituem e funcionam como espaços de produção de saberes, sem esquecer de organizar periodicamente, conferências para reflexão e debates sobre temas da actualidade, para que todos possam opinar de forma directa e darem seu contributo para a resolução de alguns problemas do quotidiano e da própria sociedade onde estão inseridos.

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