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Adeus, Sean Connery do ’James Bond’ ao ’monge franciscano’ 01 Novembro 2020

O ator Sean Connery mais conhecido por incarnar o espião ’James Bond’ em sete filmes, faleceu no sábado, 31, aos noventa anos, nas Bahamas. Uma morte "em paz, durante o sono", segundo a BBC que cita a família do extinto.

Adeus, Sean Connery do ’James Bond’ ao ’monge franciscano’

O paradoxo marcou o encontro entre a ficção e o real no reino britânico, com o inglês ’James Bond’ ao serviço de Sua Majestade a ser incarnado pelo escocês Sean Connery, que durante uns quarenta anos lutou pela independência da Escócia.

A personagem e o seu intérprete são, desde James Bond contra o Dr. No em 1961, indissociáveis no imaginário do planeta global onde todos conhecemos o agente secreto do MI6 com licença para matar — num país onde os agentes da polícia não usam armas de fogo.

E se Sean Connery obteve a sua glória universal graças a ’James Bond’, também a personagem deve ao ator o sucesso indiscutível que, desde o primeiro filme em 1961, marcou a existência do espião ficcional.

O sucesso de Bond prolongou-se por décadas, e com outros intérpretes. Entre eles Pierce Brosnan que agradeceu em homenagem póstuma este domingo, 1: Pierce Brosnan: "Sean Connery, o senhor foi o meu maior James Bond", enquanto "eu crescia e mais tarde quando interpretei a personagem que você iluminou".

Infância pobre: "Respeito o dinheiro"

Thomas Connery nasceu em 25 de agosto de 1930 em Edimburgo, numa família em que o pai era operário e a mãe doméstica.

"Nasci pobre. Aos nove anos, trabalhava sete dias por semana como leiteiro", narrou décadas mais tarde quando aos trinta anos ’Sean’ já era famoso, com direito a biografia. Antes, aos dezanove ’Sean’ ganhara um terceiro lugar no ’Mister Univers 1950’ graças aos seus 1,90 m e robustez herdados do pai.

Sean foi a alcunha que os amigos lhe deram na adolescência, por fazer parte do grupo do Seamus, um irlandês carismático. Carisma não haveria de faltar ao derivado Sean, um escocês com nome irlandês no território insular onde os nomes marcam a identidade nacional.

Aos dezasseis anos entra para a Marinha, donde sai dois anos depois tatuado e enrobustecido.

Desfardado, acumula o treino de musculação e o trabalho de mestre de natação, ou modelo a posar nu para estudantes de arte, ou até a fazer de Hércules limpador de estábulos. Estes são uns tantos degraus mais, que o habilitam para o concurso ’Mister Univers 1950’, onde chega ao pódio.

Do pódio da musculação encaminha-se para o palco dos teatros de Londres. Mas ele diz que foram as leituras que lhe abriram as portas do mundo da representação.
Vários prémios desde o Óscar aos Bafta e Golden Awards reconhecem o sucesso de Sean Connery no cinema onde esteve ativo mais de 50 anos, até 2007.

Monge, vinte anos depois do hedonista 007

Em 1986, a adaptação do romance O Nome da Rosa, de Umberto Eco, dá a Sean Connery um dos papéis mais emblemáticos da sua carreira.

O romance tem como protagonista o monge franciscano Guilherme de Baskerville, que no ano de 1327 chega a um mosteiro beneditino no norte de Itália e se vê enredado numa sucessão de crimes. O móbil? Alegadamente, é o livro que se acredita ser o manuscrito perdido da tetralogia de Aristóteles sobre os géneros literários.

República da Escócia, Sir Sean?

A Rainha nobilita-o como Sir Sean Connery no ano 2000, não obstante a filiação no Partido Nacional da Escócia, pró-independência,. Aliás, em 1997 e 1998 tinha sido excluído por isso da lista.

Fiel à Escócia, o ator em 2014 foi o principal mecenas do Partido Nacional da Escócia, pró-independência, porque "o mais importante para mim é a educação e a Escócia", disse.

A prová-lo está que deu à ’Scottish International Educational Trust’, a fundação que criou em prol da Educação, todo o cachet que recebeu pelo seu último ’007’, Os Diamantes São Eternos, uma soma astronómica.

Fontes: BBC/Le Figaro... Relacionado: Escócia decide dentro de quatro dias independência do Reino Unido, 15.set.014. Fotos: Personagens marcantes. Na foto inserida, Sean Connery e esposa Micheline em frente ao Parlamento da Escócia onde a Rainha Isabel o nobilitou, em 5 de julho de 2000.

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