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Adevic defende criação de “melhores condições” para o ensino e leitura do Braille e igualdade no acesso aos materiais didáticos em Cabo Verde 05 Janeiro 2022

O presidente da Associação dos Deficientes Visuais de Cabo Verde (Adevic) defendeu esta terça-feira, 04, a necessidade de criação de “melhores condições” visando promover o ensino e leitura do Braille e igualdade no acesso aos materiais didácticos em Cabo Verde.

Adevic defende criação de “melhores condições” para o ensino e leitura do Braille e igualdade no acesso aos materiais didáticos em Cabo Verde

Em entrevista à Inforpress no âmbito do Dia Mundial do Braille, que se assinala hoje, Marciano Monteiro considerou a celebração da efeméride “muito importante”, isto porque, sustentou, o Braille é um dos meios de comunicação das pessoas com deficiência visual na escrita e na leitura.

Para além da comunicação, acrescentou, o Braille é também um dos instrumentos que servem para a melhoria do nível académico das pessoas com deficiência visual, lamentando o facto de a data ser assinalada num período do ano em que as escolas estão de férias e as ações ficam limitadas.

“Esta data tem um papel muito importante porque se hoje as pessoas com deficiência visual já estão no mercado de trabalho, a estudar desde o básico até ao ensino superior é graças ao Braille porque qualquer pessoa que estiver no nível que já mencionei o ponto de partida vem do Braille”, afirmou, indicando que há no País “um número significativo” de pessoas cegas que estão a escrever e a ler com base no ensino e leitura em Braille.

O presidente da Adevic destacou os avanços que Cabo Verde tem registado com a introdução do sistema de ensino e leitura do Braille, tendo, no entanto, reconhecido que o País enfrenta ainda alguns desafios nesta matéria.

“O País enfrenta ainda alguns desafios, nós temos falta de recursos começando pelos recursos humanos, estamos a falar isto já de uma forma mais abrangente a nível nacional, os materiais didáticos para leitura e escrita do Braille são muito caros e para além disso não existem no mercado nacional”, realçou.

Destacou, por outro lado, as ações que a Adevic tem promovido no quadro do seu programa, visando garantir a formação, capacitação e inclusão das pessoas cegas na sociedade cabo-verdiana, lembrando que tendo em conta que a inclusão não pode ser tratada por uma via só, a referida associação tem apostado igualmente na formação das pessoas “ditas normais” para que as mesmas estejam em condições de responder às necessidades dos invisuais.

Apontou ainda como ações prioritárias para a Adevic a necessidade de Cabo Verde ser dotado de capacidade humana para que possa garantir melhores respostas para os invisuais e criação de condições na aquisição dos materiais didáticos, por forma a que os alunos cegos possam ter acesso a igualdade com os demais alunos.

“Nós temos que ser muito gratos porque sabemos que a vontade por parte das autoridades não falta, mas devido às necessidades do país ainda este processo está sendo muito lento”, indicou.

Marciano Monteiro considerou ainda que com o avanço do uso das tecnologias de informação e comunicação há alguma tendência para as pessoas ficarem um pouco fora do ensino e leitura em Braile.

“O Braile é a base e o uso de tecnologias não o substitui, pois tem a sua particularidade própria, e se descurarmos o Braille mesmo usando tecnologias, estaremos fragilizados e a inclusão que sempre falamos não será nunca uma inclusão plena”, concluiu.

Criado há quase 200 anos, por Louis Braille, na França, o Braille tornou-se o meio indispensável na formação social e política de cegos, possibilitando o processo de alfabetização.

O sistema consiste em combinações de seis pontos em relevo, que permitem a representação do alfabeto, números e simbologias científicas, fonética, musicográfica e informática, garantindo que pessoas alfabetizadas neste sistema tenham acesso a informações diversas.

O Dia Mundial do Braille assinala o nascimento de Loius Braille, o criador do sistema de leitura e de escrita Braille, que permite, através do toque, facilitar a vida das pessoas invisuais e a sua integração na sociedade.

A Semana com Inforpress

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