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Adolescente dá positivo após festa de igreja, pais insistem em hidroxicloroquina interditada — "Morte prevenível", diz estudo 09 Julho 2020

Quatro semanas depois da morte da vítima mais jovem do coronavírus no distrito de Lake City na Flórida, o caso voltou ao noticiário esta terça-feira, 8, com o debate de profissionais da Saúde sobre o relatório médico.

Adolescente dá positivo após festa de igreja, pais insistem em hidroxicloroquina interditada —

Carsyn Leigh Davis morreu no último dia 23, dois dias depois de completar os dezassete anos no hospital onde deu entrada após sintomas de coronavírus. A vítima mais jovem do coronavírus na Flórida que hoje (quarta-feira, 8) regista mais de 206 mil infeções e mais de três mil e oitocentas mortes, enquanto o país conta mais de três milhões de casos e mais de cento e trinta mil mortes.

O relatório divulgado esta semana indica que a Carsyn tinha participado no dia 10 de junho numa grande festa da sua igreja, a Youth Church, contra todas as indicações pelas autoridades sanitárias. Os vídeos e as fotos partilhados nas redes sociais mostram que largas centenas de pessoas, a maior parte jovens, muitas crianças e adolescentes se acotovelavam no espaço.

A acrescer a isso, o relatório da autoridade regional de Saúde, o Miami-Dade County Medical Examiner, indica que os Davis —ambos a trabalhar na Saúde, mas que não são médicos — trataram a filha cem casa com o controverso fármaco derivado do quinino. A variante americana, a hidroxicloroquina, foi apesar da interdição pela OMS administrada à menor pelos pais, que continuaram a defender o seu uso junto dos médicos quando por fim levaram a filha ao hospital, ao fim de uma semana de tratamento em casa.

Recorde-se que, entre abril e junho, o próprio presidente Trump promoveu o uso do fármaco no tratamento da doença do coronavírus. Isso contra as indicações da OMS e entidades de Saúde dos Estados Unidos, incluindo o médico epidemiologista Fauci.

Tributos, crowdfunding

A emoção sucitada pela morte da adolescente, "muito ativa na comunidade em iniciativas de voluntariado" foi seguida da criação de páginas de crowdfunding online.

A solidariedade expressou-se em largas dezenas de milhares de dólares doados à família Davis, após a mãe, Carole Brunton Davis, escrever sobre a filha "devota cristã e discípula de Jesus" que "apesar do sofrimento causado pela Covid lutou pela vida, lutou para respirar, sem nunca deixar cair uma lágrima, sem se queixar e sem expressar medo".

Pouco depois dessa onda de solidariedade, a comunidade da Flórida diante do relatório oficial começa a questionar porque é que a família deixou a jovem em casa durante quase uma semana sem a levar aos serviços de Saúde.

Durante esse tempo, os pais administraram-lhe hidroxicloroquina, apesar da interdição pela OMS e pelas autoridades de Saúde. Apesar de a FDA-Administração dos Fármacos e Alimentação emitir vários alertas sobre as arritmias e morte potencial associadas ao fármaco antimalárico.

"Morte prevenível"

Há quem esteja a pedir a atuação da Justiça contra a Igreja e contra a mãe. Uma delas é a cientista Rebekah Jones, que anima um site dedicado aos casos de Covid na Flórida.

A cientista está convicta de que a mãe, Carole Davis, "levou a filha (que sofria de doenças imunodeficitárias) para essa festa da Covid, com a intenção de a expor ao vírus".
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Fontes: Washington Post/ Relacionado: Covid-19 nos EUA: 100 mil óbitos, 200 tacadas de Trump no golfe contadas no dia em que anuncia "Deixei de tomar hidroxicloroquina", 26.mai.020; Covid-19 e cloroquina: Sem base científica Bolsonaro decreta uso ampliado com autorização do paciente —Trump que tem ações na Sanofi revela: "Tomo hidroxicloroquina", 22.mai.020; Covid-19: Trump anuncia ter 29 milhões de comprimidos de cloroquina, que Fauci "não defende", 07.abr.020.

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