OPINIÃO

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Reflexões sobre ser-se culto 09 Dezembro 2019

Nos países que não primam pela leitura, conhecimento e cultura ser culto pode ser um grande diferencial para o crescimento pessoal e profissional. Afinal, conhecimento nunca é demais e saber usá-lo é um fator decisivo na resolução de problemas ou na construção de uma carreira.

Por: Adrião Simões Ferreira da Cunha*

Reflexões  sobre ser-se culto

Ser culto é ler os melhores livros, apreciar e recordar as melhores pinturas e esculturas e saber identificar os mais imponentes monumentos de todas as cidades cosmopolitas. Mas não é assim tão redutora a definição de alguém culto, é algo mais que transcende qualquer definição térrea e que se delimite a recontar a nossa história. Na verdadeira aceção da expressão, um ser culto é alguém que tem cultura.

Quando falamos de cultura, falamos das grandes obras de literatura, de ciência, de arte ou das formas mais ou menos padronizadas de comportamentos, valores e costumes.

Ser culto pode ajudar muito na vida profissional e pessoal e penso que muitos já devem ter-se admirado com aquelas pessoas que parecem ter uma aura de sabedoria e mistério, capazes de acrescentar conhecimentos em horas oportunas e que sempre colaboram com algum projeto informando algo interessante que ninguém sabia.

As pessoas cultas são as que possuem uma elegância natural, um certo encanto quando mostram a sua intelectualidade, sempre bem-vindas em conversas requintadas, e acabam sendo ouvidas e respeitadas por causa dos seus conhecimentos gerais.

Nos países que não primam pela leitura, conhecimento e cultura ser culto pode ser um grande diferencial para o crescimento pessoal e profissional. Afinal, conhecimento nunca é demais e saber usá-lo é um fator decisivo na resolução de problemas ou na construção de uma carreira.

Eis alguns benefícios de ser culto:

- Gera um aperfeiçoamente constante: Ninguém nasce culto, portanto a pessoa culta aprendeu a cultivar em si mesma o gosto pelo refinamento, pela educação e pelo conhecimento. Aprendeu a ser disciplinada e curiosa na busca de coisas que aumentem a sua mente e intelecto, sendo assim, são constantes no seu auto aperfeiçoamento. Procuram sempre fazer o melhor e superar seus antigos limites.

- Torna as pessoas mais agradáveis: Em geral, sempre aparentam ser mais inteligentes, o que naturalmente faz com que as pessoas se aproximem. Também acabam por serem chamadas a dar a sua opinião nos projetos ou trabalhos. São aquelas pessoas com conteúdo, que ensinam e que cativam com o seu bom gosto. Possuem uma boa conversa e sempre acrescentam algo a mais.

- Amplia a criatividade: A sua visão de mundo é ampla, possuem bons pontos de vista e sabem discernir entre o que é bom ou mau. São pessoas de mente aberta com uma perceção apurada e, por isso, conseguem ver detalhes que os outros em geral não percebem. Devido aos seus conhecimentos de outras culturas e de assuntos diversos, podem unir tais informações para criar algo novo. Têm também mais autonomia e decisão. Sabem argumentar com criatividade as suas ideias.

- Aumenta a autoestima: A mente humana foi criada para aprender de forma quase ilimitada. O cérebro gera hormónios que nos dão prazer sempre que aprendemos algo novo. Tomar posse do nosso cérebro e usá-lo para aprendermos cada vez mais é garantia de satisfação e prazer constantes. Uma pessoa culta tem um elevado conceito de si mesma, porque preenche a sua mente com várias emoções, experiências e aprendizagens. Sabe que sabe coisas que poucos se dão ao trabalho de estudar.

Mas como adquirir mais cultura? Não perca tempo com cultura inútil, não desperdice possibilidades de cultivar mais sabedoria e conhecimento em locais e com coisas que não agregam, foque-se nos lugares certos como:

- Leitura: Ler autores renomados de outras nações e culturas. Revistas que mostrem o modo de vida de outros povos, suas curiosidades e lendas. Escolher livros que sejam do seu gosto ou paixão, mas, o importante é fazer disso um hábito, pois, infelizmente, a maioria das pessoas lê muito pouco. Procurar também assuntos diferentes e novos como forma de ampliar os seus horizontes e desafiar-se a si mesmo.

- Viagens: Viajar é uma forma muito importante de entrar em contacto com novos mundos e pessoas, ouvir as suas histórias, ver e sentir a cultura através de uma boa gastronomia. Investigar pessoas é reconhecer que há mais semelhanças dentro das diferenças do que se imagina. Quando viajamos estamos n um estado mais atento e disposto ao lúdico e prazeroso o que propicia a aprendizagem.

- Comunicação: Procure pessoas mais cultas e inteligentes. Vá a seminários de assuntos que conhece pouco, permita-se ser um aprendiz. Vá assistir a aulas abertas ao público de universidades conceituadas. Ouça música clássica, vá assistir eventos de culturas diferentes, procurando ver que a comunicação transcende as palavras.

- Filmes e documentários: Ao invés de perder tempo com a programação normal da televisão, procure documentários e filmes que possam agregar valor, trazer cultura e conhecimento. Selecione os que sejam pertinentes ao seu ramo de atuação. Ficar bem informado é uma forma de crescer na vida e carreira. A vantagem é que hoje, pela Internet, pode encontrar filmes que não se encontram por aí, bem como documentários noutras línguas. Assim aprimora ou estuda outros idiomas, que fazem com que sua cultura aumente.

Há uma profunda diferença entre culto e inculto. O culto é bem visto no ambiente de trabalho e também entre amigos. Porém, o inculto ninguém quer por perto.
O culto é educado, espera o momento apropriado e sempre colabora com coisas pertinentes ao assunto e ao grupo. O inculto acha que deve falar sempre e mostrar os seus conhecimentos a toda hora, mas nem sempre consegue ser pertinente ou sequerengraçado.

O culto apresenta os detalhes e as fontes somente se perguntado ou se for necessário. O inculto faz questão de mostrar a sua memória para datas e para as referências bibliográficas, cita os livros e até parágrafos inteiros, o que, muitas vezes, não acrescentam nada ao momento e torna a conversa enfadonha.
A pessoa culta gosta de ensinar e por isso preocupa-se com a forma com que os outros vão entender e assimilar, foca a sua comunicação no ouvinte. O inculto quer mostrar-se e engrandecer o seu próprio ego e por isso fará questão de usar palavras difíceis e de preferência em outros idiomas (sem traduzi-las).

O culto ressente-se por atitudes que não sejam apropriadas ao seu modo de ver o mundo e em geral só comenta se perguntado sobre a questão. O inculto vive comparando o seu próprio povo com outros que considera mais evoluídos e reclama de tudo e de todos, profere palavras ofensivas e perde facilmente a paciência.
O culto gosta de aprender com todos e possui humildade de reconhecer que há “saberes” diferentes ao invés de um único “saber” que seja melhor ou pior. Sabe respeitar a opinião alheia mesmo que diferente do seu modo de ver. O inculto não considera ninguém de igual para igual: ou ele está acima, se a pessoa não souber mais que ele, ou está abaixo, quando encontra alguém que o supera e assim sente-se inferior e sai do recinto. O inculto dificilmente assume que a opinião alheia possa ser boa ou melhor que a dele.

Lisboa, 06 de Dezembro de 2019
— -
*Estaticista Oficial Aposentado, Antigo Vice-Presidente do Instituto Nacional de Estatística de Portugal

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