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A CRISE ECONÓMICA E SOCIAL QUE A PANDEMIA DA COVID 19 ESTÁ A PROVOCAR 12 Maio 2020

As economias abertas vão sofrer por um período mais longo os efeitos da Covid 19 na oferta e na procura, e mesmo depois de terem o vírus controlado a nível nacional, as economias abertas continuarão a sofrer os efeitos da Covid-19 devido à queda da procura oriunda de países que ainda estarão a combater a pandemia.
E se alguém pensa que as economias fechadas estarão a salvo desengane-se. A resistência de um país a esta crise depende largamente do quanto a sua capacidade de produção é afetada pelo vírus.

Por: Adrião Simões Ferreira da Cunha*

A CRISE ECONÓMICA E SOCIAL QUE A PANDEMIA DA COVID 19 ESTÁ A PROVOCAR

Perante as consequências da pandemia da Covid-19 na economia até os gigantes mundiais vão tremer com particular incidência nos países mais dependentes do comércio externo.

Economias quase paradas ou a meio gás, empresas fechadas, comércio reduzido ao mínimo essencial, famílias fechadas em casa, sendo que a crise provocada pela Covid-19 é diferente de todas as outras já vistas até hoje e terá um efeito na economia mundial nunca antes visto.

Esta pandemia afeta países ricos e pobres indiscriminadamente, em vários continentes, e a crise económica que dela resultará caracteriza-se, ao contrário das demais, por uma queda acentuada da produção e do consumo em todo o lado, ao mesmo tempo.

As economias abertas vão sofrer por um período mais longo os efeitos da Covid 19 na oferta e na procura, e mesmo depois de terem o vírus controlado a nível nacional, as economias abertas continuarão a sofrer os efeitos da Covid-19 devido à queda da procura oriunda de países que ainda estarão a combater a pandemia.
E se alguém pensa que as economias fechadas estarão a salvo desengane-se. A resistência de um país a esta crise depende largamente do quanto a sua capacidade de produção é afetada pelo vírus.

Crise tem sido uma das palavras mais utilizadas neste século, fazendo parte do vocabulário da ciência da Economia e na diplomacia, sendo diagnosticados vários tipos de crises.

A palavra crise vem do grego krisis (κρίσις), que significa tão-somente mudança. Na língua chinesa a palavra crise escreve-se com 2 caracteres 危 機, o primeiro significa perigo e o segundo oportunidade.

Sabemos que a vida, enquanto processo social, é um suceder de crises, e neste processo estamos sempre diante de novos desafios, novas situações e novos problemas.

Vivenciar uma crise é uma experiência normal de vida, que reflete oscilações do indivíduo na tentativa de procurar um equilíbrio entre si mesmo e o seu ambiente envolvente, e quando este equilíbrio é rompido está instaurada a crise, que pode ser uma manifestação violenta e repentina de rutura de equilíbrio.

Essa alteração no equilíbrio, gerada por um fracasso na resolução de problemas que o indivíduo costuma utilizar, pode causar sentimentos de desorganização, desesperança, tristeza, confusão e mesmo pânico.

O estado de crise é limitado no tempo, quase sempre manifestando-se por um evento desencadeador, e a sua resolução depende de fatores como a gravidade do evento e dos recursos pessoais e sociais da pessoa afetada.

A crise deve ser entendida não só como algo negativo, mas como algo que pode também ser positivo.

Assim, o desenlace de uma crise pode ser um marco para mudanças que permitam um funcionamento melhor do que o anterior ao desencadeamento do evento. De tal forma, quando a crise é resolvida satisfatoriamente, pode auxiliar o desenvolvimento dos países, caso contrário, poderá constituir-se num risco, aumentando a sua vulnerabilidade.

Assim, as crises são uma ocorrência normal, tanto na vida pessoal e familiar como na vida profissional. Na verdade, não há país ou organização, como não há ser humano, que viva sem crises e sem sentir ansiedade diante delas.

Crise é diferente de um problema. É um evento imprevisível, que, potencialmente, pode provocar prejuízo significativo a um país organização, empresa ou pessoa.
Mas as crises podem ser benéficas, desde que se tenha a capacidade de lhes responder produtivamente.

Albert Einstein definiu Crise da seguinte maneira: Não pretendamos que as coisas mudem, ao fazermos sempre o mesmo. A crise é a melhor bênção que pode ocorrer a pessoas e países, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem as grandes invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera-se a si próprio, sem ficar superado. Quem atribui à crise os seus fracassos e penúrias, violenta o seu próprio talento, e respeita mais os problemas do que as soluções. A verdadeira crise é a crise da incompetência. O inconveniente das pessoas e países é a esperança de encontrar as saídas e soluções fáceis. Sem crise não há desafios, sem desafios a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito. É na crise que se aflora o melhor de cada um. Falar de crise é promovê-la e calar-se sobre ela é exaltar o conformismo. Em vez disso, trabalhemos duro. Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora que é a tragédia de não querer lutar para superá-la.

Os dirigentes temerosos ou mal preparados sentem as coisas e preocupam-se com elas, mas procuram de imediato mecanismos compensatórios para aliviar a ansiedade.

Quase sempre adotam soluções que nada resolvem, a não ser adiar os problemas. Acabam por ser arrastados pelos acontecimentos sendo dominados pelas crises.
Os dirigentes eficazes, os verdadeiros dirigentes fazem das crises uma oportunidade de progresso, mostrando todo o seu talento e liderança, pois não sucumbem aos desafios nem se desorientam.

Sentem e sofrem as crises, mas dominam-nas percebendo o seu advento e mobilizando todos os seus recursos, estruturas e processos. Enfrentam com determinação as exigências da nova situação e, por isso, saem delas mais fortes do que entraram.

Não esperam o amanhã para agir, agem logo, de forma planeada e preventiva, porque têm presente que no universo da gestão, onde as mudanças são cada vez mais rápidas e profundas, em que o futuro é já presente, e as crises bem aproveitadas são, normalmente, o anúncio do progresso.

Lisboa, 09 de Maio de 2020
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*Estaticista Oficial aposentado, antigo Vice-Presidente do Instituto Nacional de Estatística de Portugal

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