MUNDO INSÓLITO

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Afegão ex-polícia põe filha à venda por 400 euros — Para alimentar a família, "justificação"? 14 Setembro 2021

O Afeganistão há 43 anos que só entra no noticiário mundial por tudo quanto é mau: a guerra (a americana após a soviética, e ambas a gerar a guerra civil), a crueldade dos governantes sobre os governados, a extrema violência dominante na vida social... a fome. A notícia deste início de semana tem por trás o congelamento das contas pelo FMI ($460 mln) e EUA ($7 bn), os cortes na ajuda humanitária do Banco Mundial. Um pai perdeu o emprego de polícia e está a negociar a venda da filha de quatro anos com um comerciante de Cabul por 400 euros (44 contos). Mir Nazir alega que está em desespero e não vê outra solução para poder alimentar a família.

Afegão ex-polícia põe filha à venda por 400 euros — Para alimentar a família,

"A minha família está a morrer à fome, tenho de vender a minha filha", disse Nazir ao jornalista do diário londrino The Times. "Eu preferia a morte para não ter de vender a minha filha, mas a minha morte não salvaria ninguém da minha família. Quem alimentaria os meus outros filhos? Não se trata de escolha, é puro desespero". Estava no maior mercado de Cabul, o bazar Jada-e-Maiwand onde Anthony Loyd o encontrou por entre "centenas de pessoas que vendiam tudo o que podiam", "tudo tinha um preço".

Que situação ...

O avanço dos talibãs na província fez Nazir perder o trabalho de polícia. Fugiu para Cabul com a família — esposa e cinco filhos — antes da tomada da capital pelos talibãs. Começou a trabalhar como carregador num mercado, mas dada a atual desvalorização do afegane, a moeda nacional, o seu salário já nem dá para pagar a renda da casa.

A situação que se vive no país é agravada pela retirada da ajuda externa (que tem um peso de quase metade do PIB) proveniente da União Europeia, Estados Unidos, FMI, BM, em represália "dada a composição do novo governo, formada por terroristas na lista da comunidade internacional", justifica-se. É neste contexto, de superinflação e preços a dispararem, que muitos estão a recorrer à venda de tudo o que têm para se manterem vivos.

No final de agosto, o Programa Alimentar Mundial da ONU alertou que os alimentos estavam a acabar e que a vida de 18,5 milhões de pessoas está a depender da ajuda externa.

Em tal situação ... o que faria?

Sem exceção, ninguém compreende Nazir; "não se vende um filho" e dão exemplos históricos, do Canadá, EUA, França ... "onde morríamos à fome, mas ninguém vendeu um filho". "Porque é que não se vende a si próprio?" Muitas mulheres condenam esse "pai que vende a filha para um destino que só pode ser a escravatura sexual".

As reações dos leitores do diário londrino — e dos outros meios que reproduziram a notícia — é de condenação de Nazir. Alguns chegam a fustigar o jornalista e o jornal (fundado em 1785) "pela simpatia" para com Nazir.

Fontes: The Times/Twitter/. Fotos (Twitter).

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