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África: Aumento das temperaturas forçará milhões de pessoas à pobreza e à fome, a menos que os governos tomem medidas rápidas 10 Outubro 2018

A África continua sendo o continente com a mais alta prevalência de desnutrição (PoU), afectando cerca de 21% da população (mais de 256 milhões de pessoas), segundo um Relatório, recentemente, divulgado pelo Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC), detalhando o progresso e os caminhos para limitar o aquecimento global do a 1,5 graus Célsius.

África: Aumento das temperaturas forçará milhões de pessoas à pobreza e à fome, a menos que os governos tomem medidas rápidas

Com base nos dados do Relatório remetido ao Asmenaonline, o Director Pan-Africano de Oxfam International, Apollos Nwafor, disse que as mudanças climáticas “incendiaram” o planeta azul, milhões de pessoas já estão sofrendo os impactos e o IPCC mostrou que as coisas podem piorar ainda mais. “Contentar-se com dois graus célsius seria uma sentença de morte para pessoas em muitas partes da África. Quanto mais rápido, os governos abraçarem a revolução das energias renováveis e moverem-se para proteger as comunidades em risco, mais vidas e mais meios de subsistência serão poupados”.

Para a Oxfam, uma África mais quente é uma África mais faminta. “Hoje em dia, a um nível de apenas 1.1 graus de aquecimento global, as colheitas e os animais em toda a região estão sendo prejudicados e a fome está aumentando. Neste contexto, as mulheres encarregadas de pequenas fazendas no mundo rural, que vivem frequentemente com índices elevados de pobreza, estão sofrendo ainda mais. A partir daqui só pode piorar”, considera.

Neste contexto, esta organização que luta contra o problema da pobreza, desigualdade e da injustiça, pede um financiamento climático maior e responsável por parte dos países ricos que apoie os pequenos agricultores, e especialmente às mulheres, para que garantem o seu direito à segurança alimentar e à justiça climática.

“Devemos rejeitar qualquer solução falsa como os Investimentos em Grande Escala Baseados na Terra que significam expulsar os pequenos agricultores e agricultoras das suas terras para dar lugar ao cultivo de carbono. Pelo contrário, devemo-nos concentrar em eliminar o uso de combustíveis fósseis, começando por parar a construção de novas usinas de carbono no mundo todo", recomenda.

Impactos climáticos na África

Conforme o relatório divulgado pela Oxfam International, a África continua sendo o continente com a mais alta prevalência de desnutrição (PoU), afectando cerca de 21% da população (mais de 256 milhões de pessoas), apontando que os desastres naturais, como as secas e as inundações, têm frustrado o desenvolvimento no continente.

“As flutuações na produção agrícola devido às variações climáticas, juntamente com sistemas agrícolas ineficientes, causam insegurança alimentar, um dos indicadores mais óbvios da pobreza. O fenómeno de El Niño de 2016, que foi acentuado pelos efeitos das mudanças climáticas, prejudicou a produção dependente das chuvas e deixou mais de 40 milhões de pessoas em insegurança alimentar na África. Sem uma acção urgente para reduzir as emissões globais, espera-se que a ocorrência de choques e stress climáticos na região da África piore muito”, destaca.

De salientar que em 05 de Julho deste ano, a África provavelmente, registou sua mais alta temperatura em Ouargla, no norte da Argélia, atingindo os 51,3 ° C (124,3 ° F). Estudos revelam que há evidências crescentes de que as temperaturas mais altas ligadas às mudanças climáticas agravaram as secas e os desastres humanitários na África Oriental, incluindo a seca do ano passado, que deixou cerca de 13 milhões de pessoas em condição de fome extrema.

Estima-se que na África Subsariana, um aquecimento de 1,5 graus em 2030 poderá levar a que cerca de 40% das áreas actuais do milho, deixem de ser adequadas para as variedades existentes e que se prevêem impactos negativos significativos na adequabilidade do sorgo.

“Sob o aquecimento de menos de dois graus na década de 2050, a produção agrícola total poderá ser reduzida de 10 por cento e haverá níveis extremos de calor nunca antes experienciados que afectariam 15% da área terrestre da região na estação quente, causando mortes e ameaçando a capacidade de cultivar dos agricultores e agricultoras”, revela o relatório da Oxfam Internacional, concluindo que, caso a temperatura global subir mais de dois graus até o final do século, as temperaturas diurnas no norte da África (e no Médio Oriente) poderiam atingir até 46º nos dias mais quentes em 2050, o que pode ser mortal.

Recorde-se, que a Oxfam International é uma confederação de 20 organizações e mais de 3000 parceiros, que actua em mais de 90 países na busca de soluções para o problema da pobreza, desigualdade e da injustiça, por meio de campanhas, programas de desenvolvimento e acções emergências.

Celso Lobo

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