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África Ocidental prepara integração bolsista em Cabo Verde 23 Outubro 2021

Cabo Verde recebe em 2022 a próxima reunião do conselho para a integração dos mercados de capitais na Africa Ocidental, que pretende permitir que investidores de um Estado-membro possam investir em qualquer bolsa de valores, foi hoje divulgado.

África Ocidental prepara integração bolsista em Cabo Verde

De acordo com informação do presidente do conselho de administração da Bolsa de Valores de Cabo Verde (BVC), Miguel Monteiro, as decisões resultam da reunião de dois dias do conselho da WACMIC (West African Capital Markets Integration Council), que terminou hoje no Gana, onde esteve presente.

"A nosso convite ficou acordado que a próxima reunião deverá acontecer no próximo ano em Cabo Verde. Também foi estabelecida, pelo atual presidente do conselho [Ekow Afedzie, do Gana], a meta que esta segunda fase fique concluída no prazo de um ano. O objetivo último desta integração de mercados de capitais é permitir que os investidores de um país-membro consigam investir em qualquer das bolsas de valores, e quem precisa financiar-se o possa fazer também em qualquer dos países", explicou Miguel Monteiro.

Atualmente estão ativas na África ocidental a Bolsa de Cabo Verde, a Ghana Stock Exchange (GSE), a Nigeria Stock Exchange (NGX) e a BRVM, que representa a União Económica e Monetária do Oeste Africano (oito países, principalmente Estados francófonos, da África ocidental).

Em Cabo Verde, a capitalização da BVC renovou no primeiro trimestre deste ano novo máximo desde a sua criação, chegando a quase 796 milhões de euros, equivalente a 61,5% do PIB (Produto Interno Bruto) do país, segundo dados da instituição.

De acordo com o relatório extensivo de operações de bolsa do primeiro trimestre de 2021, noticiado anteriormente pela Lusa, trata-se de um crescimento de 13,7% na capitalização bolsista (aproximação do valor de mercado das empresas e títulos) face ao mesmo trimestre do ano passado.

No primeiro trimestre de 2019, a capitalização bolsista foi de mais de 76,2 mil milhões de escudos (688,3 milhões de euros), que subiu no mesmo período de 2020 para 77,4 mil milhões de escudos (699,2 milhões de euros), aumentando já este ano para 88,1 mil milhões de escudos (795,6 milhões de euros), "um pico máximo desde o início do funcionamento" da bolsa.

"No segmento Títulos do Tesouro (Obrigações do Tesouro e Bilhetes do Tesouro) seguiu-se a tendência dos anos anteriores, registando-se aumentos da capitalização para o valor de 77.632.620.000 escudos [701,2 milhões de euros], representando 88,1% da capitalização global, explicado pelo aumento do volume das emissões", lê-se no relatório.

Devido à quebra de mais de 30% nas receitas fiscais, face à crise económica provocada pela pandemia de covid-19 e à recessão histórica de 14,8% do PIB, o Estado cabo-verdiano aumentou o nível de endividamento público desde meados de 2020, para financiar as políticas sociais, económicas e sanitárias de mitigação da crise.

A administração da BVC refere que relativamente ao mercado de valores mobiliários, durante o primeiro trimestre de 2021 registou-se um aumento de 191,88% nas emissões de títulos face ao primeiro trimestre de 2020.

"Relacionado principalmente com o mercado primário de títulos do tesouro (emissões de obrigações e bilhetes do Tesouro), num montante de 8.725.376.177 escudos. A quantidade de títulos cotados admitidos à negociação teve uma variação positiva de 6,452% em relação ao mesmo período do ano passado", destaca o relatório.

Acrescenta igualmente que no mercado secundário houve um aumento global de 2.545% no volume de transações relativamente ao primeiro trimestre de 2020, "influenciado essencialmente pelas transações de obrigações do tesouro nesse seguimento de mercado".

Ainda segundo o mesmo relatório, no primeiro trimestre do ano estavam admitidos no mercado de cotações oficiais da bolsa cabo-verdiana um total de 198 títulos (+6,4% face ao mesmo período de 2020), 187 dos quais eram Títulos do Tesouro.

A BCV foi criada em maio de 1998 e conta ainda com quatro empresas cotadas, com destaque para o Banco Comercial do Atlântico (BCA, detido pelo grupo Caixa Geral de Depósitos) e para a Caixa Económica, e outras que emitem obrigações.

Os acionistas da Cabo Verde Telecom (CV Telecom), principal operadora de telecomunicações do país, aprovaram em 2018 a entrada da empresa em bolsa, que ainda não se concretizou.

A Semana com Lusa.

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