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Afrobarometer: Apoio à imprensa livre em declínio em África, Cabo Verde segundo país com maior retração 03 Maio 2019

O número de apoiantes de uma imprensa livre caiu para menos de metade em África, sendo Cabo Verde o segundo país com maior retração, segundo revela dados do Afrobarometer citados pela Lusa e divulgados na véspera do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa -03 de Maio.

Afrobarometer: Apoio à imprensa livre em declínio em África, Cabo Verde segundo país com maior retração

Os dados referidos, baseados em inquéritos realizados em 34 países, incluindo os lusófonos Cabo Verde, Moçambique e São Tomé e Príncipe, revelam que, em média, os apoiantes da liberdade de imprensa são agora menos (47%) do que aqueles que acreditam que os governos devem ter o direito de proibir publicações que considerem prejudiciais (49%).

Segundo a mesma agência, o declínio dos apoiantes de uma comunicação social sem restrições foi registado em 25 de 31 países acompanhados desde 2011 pelo Afrobarometer, incluindo quebras significativas na Tanzânia (-33 pontos percentuais, Cabo Verde (-26 pontos percentuais), Uganda (-21 pontos percentuais) e Tunísia (- 21 pontos percentuais).

Apesar do recuo, 57% dos inquiridos em Cabo Verde dizem que os média devem ser livres para publicarem o que entenderem, contra 38% que defendem o direito dos governos a impedir determinadas publicações.

No barómetro de 2011/2013 sobre o mesmo assunto, indica que a percentagem de apoiantes da imprensa livre em Cabo Verde era de 83%.

O estudo integra-se na sétima ronda de perfis pan-africanos (2016/2018) sobre várias áreas, que a organização tem vindo a divulgar desde o início do ano.

Em Moçambique, o apoio à comunicação social livre caiu 15 pontos percentuais, situando-se agora nos 45% de apoiantes contra 44% dos que admitem a interferência governamental nas publicações.

Em São Tomé e Príncipe, 61% dos inquiridos manifestaram apoio a uma liberdade total para as publicações, contra 34% que advogam a possibilidade de proibição.

O país não registou alterações significativas relativamente ao estudo anterior.

Mais africanos defendem liberdade de investigar e criticar

De acordo ainda com o estudo citado pela Lusa, globalmente, há mais africanos a considerarem que a liberdade de imprensa para investigar e criticar os governos está a aumentar (43%) e não a diminuir (32%), mas a interpretação varia muito de país para país.

Os inquiridos manifestam-se geralmente insatisfeitos com o estado dos media nos seus países e entre os que dizem que a liberdade está a aumentar, a maioria (54%) apoia o aumento de regulação por parte do Estado.

Por outro lado, entre os que entendem que a liberdade está a diminuir, a maioria (54%) privilegia a liberdade à regulamentação.

A rádio continua a principal fonte de notícias, no entanto o seu domínio está em declínio, com 42% a dizerem que ouvem rádio todos os dias, menos 5 pontos percentuais do que no estudo de 2011/2013.

A televisão é apontada como fonte diária de notícias para um em cada três inquiridos (35%) e a principal fonte de informação em nove países.

Apenas 7% dos inquiridos afirma ler jornais diariamente.

O recurso à internet e as redes sociais como fontes de notícias está a crescer rapidamente, com um em cada cinco a responder que usam diariamente a internet (18%) e a redes sociais (19%) como fonte de notícias.

Países com mais apoios à imprensa livre

Sudão (12 pontos percentuais), Botsuana (dois pontos percentuais) e Maurícias (um ponto percentual) foram os países onde o apoio à imprensa livre cresceu.

O Afrobarometer é uma rede de investigação pan-africana que promove investigação, inquéritos e sondagens sobre democracia, governação, condições económicas e assuntos relacionados nos países africanos.

Entre 1999 e 2015, a organização promoveu seis rondas de inquéritos, estando os dados da sétima ronda, realizada entre 2016/2018 em 34 países, a ser divulgados até 2019.

O Dia Mundial da Liberdade de Imprensa assinala-se nesta sexta-feira, 03 de maio. Na Praia, a AJOC promove um encontro para refletir sobre a liberdade da imprensa em Cabo Verde.

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