INTERNACIONAL

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Alemã djihadista condenada a dez anos por cumplicidade na morte à sede de criança yazidi escravizada 26 Outubro 2021

A alemã Jennifer Wenisch, acusada de cumplicidade com o marido iraquiano em crimes de guerra, cobriu o rosto o tempo todo no tribunal de Munique nesta segunda-feira, 25. Foi condenada a dez anos de prisão pela morte de uma menina de cinco anos deixada durante horas ao sol à temperatura de 50 graus.

Alemã djihadista condenada a dez anos por cumplicidade na morte à sede de criança yazidi escravizada

O tribunal de Munique deu por provado que a alemã de 30 anos, convertida ao fundamentalismo islâmico em 2013 quando fugiu para a Síria para encontrar o noivo djihad, nada fez para evitar a morte da criança no crime cometido em Fallujah em 2015. A criança de cinco anos, que adoeceu e molhou o colchão, foi amarrada a uma janela e aí ficou pendurada ao sol durante horas. A temperatura atingia os 50 graus.

O crime cometido por Taha al-Jumailly, o marido de Jennifer, foi classificado como crime de guerra. O principal arguido tem julgamento agendado para novembro no tribunal de Frankfurt.

A defesa da alemã, tal como a de Taha Al-Jumailly, afirmou em tribunal que Nora, a mãe da criança, não era uma testemunha de confiança e que nem sequer há provas de que a menina que chegou a ser levada para um hospital de Fallujah tenha realmente morrido, contrariando assim a versão da mãe da criança hoje refugiada na Alemanha.

A mãe e a filha da etnia yazidi estavam entre milhares de mulheres e crianças levadas — para serem vendidas como escravos — em 2014 da região curda, a norte do Iraque, para os acampamentos de djihadistas do ISIS.

Nora e a filha foram compradas por Wenisch e pelo marido como escravas domésticas. Eram sujeitas a maus-tratos como o que causou a morte da criança, segundo a acusação.

Nova fuga para a Síria 2 anos depois de extraditada para a Alemanha

A alemã tinha sido detida pelos serviços de segurança turcos em janeiro de 2016, em Ancara. Extraditada para a Alemanha, permaneceu em liberdade.

Mas em junho de 2018, foi apanhada a tentar chegar, juntamente com a sua filha de dois anos, aos territórios que o EI ainda controlava na Síria.

Jennifer contou à motorista do carro a sua vida no Iraque. Mas a motorista era, na verdade, uma agente do FBI e o carro estava equipado com microfones. As gravações foram usadas pela acusação.

Este processo é um dos primeiros a julgar crimes cometidos contra os yazidis, graças ao envolvimento da advogada Amal Clooney, casada com o astro de Hollywood George Clooney, e ativista pelos direitos dos yazidis perseguidos na Síria, Iraque, Turquia.

Fonte: DW.de/BBC/.Relacionado: Prémio Nobel da Paz 2018 para médico congolês e ativista yazidi, 06.out.2018. Fotos: Jennifer, a alemã que fugiu aos 22 anos para se casar com um djihadista do ISIS, tapou o rosto durante o julgamento em Munique. Yazidis denunciam frente às embaixadas em Teerão o genocídio de membros desta etnia da minoria curda que não é árabe nem muçulmana. Mulheres e crianças detidas em campos no norte do Iraque, Síria.

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade


  • Mediateca
    Cap-vert

    Uhau

    Uhau

    blogs

    Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project