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Alemanha: Prisão perpétua para camionista que matou Sophia, militante do SPD — Pais processaram AfD que usou foto em campanha 20 Setembro 2019

O tribunal da Baviera condenou, esta quarta-feira,18, à prisão perpétua o motorista, de 42 anos, que em junho assassinou a jovem a quem deu boleia em Leipzig e cujo cadáver enterrou numa vala em Espanha onde reside. Sophia Lösche era membro da ala juvenil do SPD-Partido Social-Democrata e ativista pró-refugiados.

Alemanha: Prisão perpétua para camionista que matou Sophia, militante do SPD — Pais processaram AfD que usou foto em campanha

A estudante em Schkeuditz, na Saxónia viajara de avião até Leipzig e entrara num camião para fazer os 350 quilómetros até Nuremberga e daí fazer de bicicleta o resto do percurso de 65 km até Amberg, contou o irmão.

Nunca chegou a casa: o camionista que lhe deu boleia matou-a e enterrou-a em Asparrena, cidade no país Basco a 300 km a norte de Madrid, Espanha.

A polícia chegou ao assassino porque a jovem enviara à família e amigos uma foto da matrícula do camião, antes de entrar na estação de serviço próxima do aeroporto de Leipzig, a caminho do sul, na Baviera.

Segundo a imprensa alemã, a autópsia aponta que a morte ocorreu após uma primeira agressão que deixou “lesões graves mas não fatais” e que “a morte visou ocultar o primeiro crime”. Os exames periciais apontaram a inexistência de sinais de violação.

O homicida em tribunal tentou atenuar o caso alegando que a morte fora acidental. Mas o tribunal condenou-o à pena máxima: perpetuidade.

Aproveitamento político

Na semana seguinte à morte de Sophia, o irmão dela exprimiu que a dor da família fora exacerbada com as chocantes mensagens racistas, com fotos dela, que estavam a circular nos tractos de propaganda do partido de extrema -direita AfD-Alternativa para a Alemanha.

O líder regional da AfD, Björn Höcke, postara no Facebook uma foto dela a destacar que Sophia era mais uma jovem alemã “vítima de um imigrante", no caso, "um marroquino”.

“A Sophia jamais aceitaria esta mobilização racista que se está a fazer em seu nome”, afirmou o irmão. Estas afirmações levaram a que nos meses seguintes a família recebesse vários emails ameaçadores, como a família denunciou em outubro.

Os pais deram, em setembro do ano passado, entrada em tribunal de uma queixa contra o uso, para fins políticos, de fotos da filha assassinada.

O caso levou os deputados a retirarem a imunidade parlamentar ao líder regional da AfD, Björn Höcke, para que ele responda em tribunal.

Entretanto, no seio da AfD, centenas de políticos assinaram uma carta-aberta em julho do corrente, dois meses antes das eleições regionais, a marcar distância do "radical" Höcke, cabeça-de-lista na Turíngia. Apelam a que o partido no seu todo rejeite “a exibição do culto de personalidade em volta de Björn Höcke”, "que não representa o partido no seu todo".

Ascensão rápida da AfD

No domingo, 1 de setembro, na votação para os parlamentos de três estados federados, a AfD-Aternativa para a Alemanha obteve 27,5% na Saxónia e 23,5 % em Brandemburgo, landers situados na ex-RDA, região deprimida devida à baixa na indústria e que busca nos imigrantes os bodes expiatórios.

Desde outubro último, a formação política anti-imigração e anti-Europa está no parlamento. A retórica provocatória dos líderes da AfD, Alice Weidel e Alexander Gauland, encontrou eco numa faixa importante do eleitorado, descontente com a política "humanitária" da chanceler Angela Merkel.

Fontes: DW/Le Monde/El País. Foto: Amigos e familiares expressaram indignação com o aproveitamento que a AfD, da extrema-direita anti-imigração, fez da morte de Sophia.

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