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Alemanha e Namíbia colidem sobre "reparação" do genocídio 11 Junho 2021

Há duas semanas a Alemanha reconheceu o genocídio dos povos Herero e Nama, perpetrado pela potência colonial alemã na Namíbia no primeiro decénio do século XX. Mas esta semana rejeitou as reivindicações da Namíbia que protesta contra o montante e pede o seu reconhecimento como "reparação".

Alemanha e Namíbia colidem sobre

Berlim e Windoek acordaram em fins do mês transato — numa decisão que o governo da Namíbia arrancou "a ferros" ao fim de seis longos anos em que a Alemanha foi protelando a questão — que a chanceler Angela Merkel formalizará um pedido de perdão reconhecendo como genocídio os milhares de mortes em Herero e Nama na Namíbia colonial. A Alemanha propõe ainda criar um fundo superior a mil milhões de euros.

Mas o governo da Namíbia voltou esta semana a expressar o seu descontentamento por duas principais razões. Uma, o montante tido como insuficiente. Outra, a cláusula que impõe que o fundo não seja tido como uma reparação do genocídio e sim como pacote financeiro para o desenvolvimento do país da África oeste-austral, onde segundo os historiadores ocorreu "o 1º genocídio do século XX".

Ante os protestos vindos da Namíbia — os quais incluem ativistas e associações de descendentes dos mortos de 1904-08 —, o ministro alemão dos Negócios Estrangeiros deu a réplica esta quarta-feira, 9.

"Somos da opinião que o texto que rubricámos representa uma boa base para encerrar finalmente estas negociações", afirmou o ministro Heiko Maas ao intervir no ’Bundestag’, a câmara baixa do parlamento alemão.

No texto aprovado em maio com as autoridades namibianas, a Alemanha prometeu 1,1 mil milhões de euros em ajuda ao desenvolvimento ao longo de 30 anos para beneficiar os descendentes das duas tribos. O montante (122 mil milhões CVE, 122 milhões de contos) será utilizado para a aquisição de terrenos, construção de estradas rurais, abastecimento de água e saneamento.

"A este respeito, não é comparável a reparações", insistiu Maas, reafirmando que a proposta financeira é "apropriada" aos olhos de Berlim.

Genocídio de c. 75.000 pessoas

Os historiadores calculam que cerca de 65.000 pessoas da etnia herero (de um total de 80.000) e 10.000 da etnia nama (de um total de 20.000) morreram entre 1904 e 1908, no primeiro genocídio da história do século XX.

A potência colonial sob o imperador Guilherme II enviou tropas contra os que se revoltarem contra o domínio colonial alemão que se iniciou em 1880. Em 1915, a derrota alemã determinou a entrega do território à colónia britânica da África do Sul, que em 1961 se tornou a República da África do Sul, do apartheid violento. A Namíbia só ganhou a independência em 1990.

Fontes: DW.de/ Le Monde/Le Figaro/BBC. Relacionado: França-Ruanda: Macron pede perdão por genocídio de 1994 — Merkel idem por Namíbia colonial, 29.mai.021. Fotos: Enforcamento de nativos perpetrado pela potência colonizadora alemã. Em Windoek, monumento em memória das vítimas do genocídio de 1904. Descendentes das vítimas na quinta-feira em Berlim ouviram a negação de reparações.

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