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Alemanha em choque: Enfermeiro condenado a pena perpétua terá matado 200 pacientes — Mais um homicida narcisista 07 Junho 2019

Esta quinta-feira, o juiz do tribunal de Berlim reconheceu que o inquérito só conseguiu provar oitenta e cinco homicídios cometidos entre 1999 e 2005 pelo enfermeiro, que só ao fim de seis anos, 28 anos, foi apanhado, ao injetar um paciente com uma dose letal. O inquérito ao longo destes 14 anos teve indícios de que o número de vítimas terá chegado às duas centenas, mas o próprio homicida já se esqueceu. O caso deixou os alemães em choque incertos sobre a segurança e credibilidade do sistema hospitalar alemão.

Alemanha em choque: Enfermeiro condenado a pena perpétua terá matado 200 pacientes — Mais um homicida narcisista

O nome de Niels Högel ficará na história como um dos piores assassinos em série. Os motivos para a sua ação nem ele próprio os pode explicar. Um psicólogo traçou-lhe o perfil: complexado, como confirma a dependência de analgésicos, o enfermeiro queria brilhar no seio da classe. Para isso, a sua mente tortuosa concebeu um plano de ação que viria a ser fatal a um elevadíssimo número de pessoas com idades entre os 34 e 96 anos.

O enfermeiro aplicava a pacientes escolhidos ao acaso uma injeção de medicamentos que provocam paragem cardíaca, como o Gilurytmal. Ele então intervinha para reanimar o paciente em paragem cardíaca. Em muitos casos, a reanimação não resultou e os pacientes morreram.

Os colegas de Niels Högel ouvidos em tribunal foram repreendidos pelo juiz, agastado com "a amnésia coletiva" do pessoal clínico "que não notou nada". Entre eles, o médico — a quem colegas viram "testar" o conteúdo duma injeção dada por Niels Högel, que ele "convidou a lavar os óculos" por ter usado outra substância que não a requerida —, que respondeu ao juiz que não se "lembrava exatamente".

Colegas referiram a admiração que rodeava o enfermeiro pronto a intervir em caso de urgência. «"Era o nosso "Rambo ressuscitador"».

"Sentia-me segura sempre que Niels estava mo meu turno, porque sabia que ele era capaz de reanimar o paciente", garantiu mesmo uma médica.

Uma enfermeira contou ter alertado, em vão, a hierarquia para alguns factos estranhos, como a presença de várias ampolas de Gilurytmal no bloco cirúrgico.
Outros testemunhos deram conta da inquietação que começou a surgir e que levou muitos a substituir por um "Högel da morte" o "Rambo ressuscitador".

O juiz presidente agastado com "a amnésia coletiva" exasperou-se deixando escapar um desabafo ante o número de mortes que o faziam sentir-se "um contabilista da morte". Ao ditar a sentença "sem qualquer possibilidade de audiência para libertação nos prazos que a lei prescreve dada a hediondez deste caso", o juiz rematou que as duas clínicas onde o enfermeiro homicida esteve seis anos a seu bel-prazer "sem qualquer controlo" têm de ser responsabilizadas.

Fontes: DW.de/Le Figaro. Relacionado: França: Anestesista acusado de envenenar 24 pacientes, dos quais 9 morreram — Mais narcisista que monstro, 24mai2019. Foto: O réu suspeito de 200 mortes, de que só 85 ficaram provadas em tribunal, tapa a cara.

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