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Alemanha em choque: Omertà entre paladinos da liberdade — Só NY Times publicou 22 Outubro 2021

Na segunda-feira, o ’New York Times’ denunciou a ’omertà’ enquanto doído silêncio que se estendia pela redação do jornal mais popular da Alemanha, o ’Bild’. Mordaças não só sobre as estagiárias vítimas do redator-chefe Julian Reichelt mas também sobre todos quantos sabiam. Vítimas e testemunhas intimidadas em Berlim pelo poder do chefe executivo que tratava o chanceler austríaco Kurz por tu.

Alemanha em choque: Omertà entre paladinos da liberdade — Só NY Times publicou

Esta semana e depois de publicada no diário novaiorquino, a verdade está escancarada nos mass- e social-media europeus sobre o redator-chefe do diário com 1,2 milhão de assinantes.

Reichelt, apesar de castigado — 15 dias de suspensão em março-abril "por comportamento sexista" — não se emendou e continuou a fazer das suas, incluindo o comportamento predatório sobre as estagiárias (sabe-se poucos dias depois de nova reinterpretação do caso Clinton-Lewinski de 1996-98).

Jornalismo de investigação vs. poder da administração

Uma equipa de jornalistas de investigação do Ippen Investigativ chegou à verdade sobre "relações nada saudáveis" entre o "poderoso editor" do Bild e estagiárias, com consumo de drogas pelo meio e pressão sobre jornalistas. Mas o magnata Dirk Ippen não a quis publicar, alegando que podia dar lugar a mal-entendidos por se tratar de um órgão de imprensa concorrente.

"Ninguém na Alemanha se atreve a enfrentar o Bild ou o seu diretor, Axel Springer", sintetiza a perita em comunicação Elizabeth Prommer, da universidade de Rostock.

Na Alemanha, não. Mas os interesses comerciais de Axel Springer, em busca de expandir-se nos Estados Unidos, acabaram por fazer justiça às vítimas do redator-chefe. É que o grupo acaba de comprar o portal "Politico" dos Estados Unidos por 630 milhões de euros.

Impossibilitados de publicar na Alemanha, os quatro jornalistas do Ippen Investigativ entregaram o resultado ao New York Times. Seguiu-se a publicação no domingo 17 e na segunda-feira, o despedimento de Reichelt.

Neste contexto, "torna-se insustentável manter Julian Reichelt à cabeça do Bild. O seu comportamento é absolutamente impensável: não corresponde em nada à cultura empresarial americana", analisa Elizabeth Prommer.

Axel Springer perante a manchete do diário novaiorquino e o risco de manchar a sua reputação no novo destino dos seus investimentos, teve de recuar na proteção a Reichelt.

O seu despedimento do programa de mais sucesso na TV alemã, acontece "no quadro das recentes investigações da imprensa, com novas provas do comportamento impróprio de Julian Reichelt trazidas ao nosso conhecimento", lê-se no comunicado lacónico de Mathias Döpfner, braço-direito de Springer.

Fontes: L’Express/NY Times/... Fotos: Grupo Axel Springer, dono do jornal mais popular da Alemanha, o ’Bild’. Julian Reichelt, de 41 anos, promotor da nova "Bild Live", uma espécie de "Fox News" à alemã. Na campanha eleitoral para as legislativas de setembro, ele deu desproporcional tempo de antena a personalidades ligadas à extrema-direita sobre os temas da imigração e direito de asilo.

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