OPINIÃO

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Alguns economistas dizem que nova crise está à porta, mas as crises podem ser benéficas 07 Julho 2019

Na verdade não há organização, como não há ser humano que viva sem crises e sem sentir ansiedade diante delas. Mas as crises podem ser benéficas, desde que se tenha a capacidade de lhes responder produtivamente.

Por. Adrião Simões Ferreira da Cunha *

Alguns economistas dizem que nova crise está à porta, mas as crises podem ser  benéficas

Jean-Claude Trichet, (ex-Presidente do Banco Central Europeu): Afirmou que a atual situação financeira mundial encontra-se num plano tão perigoso como em 2007, ano que antecedeu a maior falência financeira: Lehman Brothers.

João César das Neves (Professor Catedrático de Economia): O cenário da crise anterior ainda não acabou e já estamos a preparar a próxima, e a próxima, quando vier e como vier, vai ser pior porque não resolvemos bem a anterior, garante César das Neves. O economista lembra que o crescimento da economia está muito sustentado no consumo. Para o economista, continua a ser perigosa a intervenção dos bancos centrais e a injeção brutal de liquidez. Estas medidas aliviaram brutalmente os custos, mas evitaram as reformas essenciais que dariam solidez ao sistema. Ainda hoje continuamos a ter injeção de liquidez dos bancos centrais e taxas de juro anormalmente baixas, diz.

Mira Amaral (Economista): Não tem dúvidas: a crise vai voltar. Quando, não sei, nem sei dizer a dimensão, mas acredito que vamos ter uma nova crise financeira mundial. Mira Amaral justifica este risco com o aumento da dívida mundial, apesar de esta ter comportamentos diferentes nos vários países. Nos países da OCDE, a subida foi na dívida pública; nos países emergentes, designadamente na China, assiste-se ao aumento da divida privada, de empresas e famílias. E confessa: Para mim, a China é um fator de preocupação para o sistema mundial, dado que está muito alavancada. Vejo também os financeiros americanos a fazerem jogadas especulativas sem terem cuidado com a dimensão do risco e, se houver uma nova crise, os governos e os bancos centrais já não têm as munições que tinham em 2007.

Ricardo Paes Mamede (Professor de Economia Política do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e Empresa).Para Ricardo Paes Mamede, grandes movimentos de capitais geram grandes oscilações cambiais e isso cria dificuldades aos países. Um dos principais focos de tensão internacional é precisamente o facto de estarmos a assistir a uma forte desvalorização das moedas. Dois desses casos são a moeda turca e a moeda argentina. Isso significa que entidades públicas e privadas desses países veem o nível de dívida aumentar da noite para o dia, refere. O espoletar de uma crise não é descartado pelo economista. E a justificação, de acordo com o mesmo, está à vista. A estagnação dos rendimentos de trabalho desincentiva o investimento na economia real, o que se traduz num crescimento económico anémico. Escasseando as oportunidades para investimento produtivo, os super-ricos e os países com excedentes externos acabam por aplicar as suas poupanças em atividades cada vez mais especulativas (imobiliário, ações, matérias-primas, etc.), que quase não criam emprego e geram grande instabilidade.

João Duque (Professor Catedrático e Presidente do Instituto Superior de Economia e Gestão).Os riscos existem sempre. Tenho algum receio e que não é infundado. O alerta é feito por João Duque ao afirmar que a situação económica e financeira está a agravar-se devido à elevada injeção de massa monetária em todos os mercados. O dinheiro abunda e é barato. Se não houver prudência por parte de quem empresta, isso pode trazer problemas para essas instituições. No entanto, garante que é difícil prever quando isso irá acontecer. É muito difícil apontar datas porque o mundo é muito volátil. Aprendeu-se alguma coisa, mas continuamos a ser humanos e muito do que se usou para combater a crise provocou potenciais danos colaterais fortes. É o caso da massa monetária que, nos últimos dez anos, em alguns casos duplicou. O economista lembra ainda aquilo a que se tem assistido em torno da loucura das criptomoedas e da sua irracionalidade assim como o crescimento do índice bolsista, que na última década aumentou 14% ao ano. Não há justificação económica para tais crescimentos, de forma sustentada, por tanto tempo.

António Bagão Félix (ex-Ministro das Finanças do XVI Governo Constitucional de Portugal): Costumo dizer que as crises são sempre oportunidades de discernimento porque permitem diferenciar o que é essencial do acessório, aquilo que é imediato e o que é geracional. A crise envolve muita aprendizagem, permite acautelar e prevenir, mas mesmo assim há sempre riscos de voltar a acontecer. O economista diz ainda que os agentes económicos têm pouca memória e isso gera repetição de erros. Um dos riscos diz respeito à desconsideração da poupança. Não há nenhum país que sobreviva se não tiver poupança e esta anda pelas ruas da amargura, tanto pelas pessoas como pelos bancos.

Eduardo Catroga (ex-Ministro das Finanças do XII Governo Constitucional de Portugal): A receita é simples: Olhando para a história económica, facilmente se vê que as crises são cíclicas e, como tal, garante: Vamos a assistir a uma nova crise, não se sabe é quando. E dá como exemplo as crises vividas em Portugal. Tivemos em 1977, em 1983, em que chamámos o FMI, e depois em 2011, quando chamámos a troika. E todas evidenciaram o mesmo: erros acumulados que depois foram evidenciados com a crise. E lembra que, antes de isso acontecer. Há crises que são resultados de falhas de mercado, falhas de Estado, de euforia económica que normalmente cria bolhas.

Nouriel Roubini e Brunello Rosa (cofundadores da consultora Rosa & Roubini Associates): Advertem num artigo de opinião publicado no Financial Times em 12 de Setembro de 2018, para o risco de estar a fermentar uma nova crise financeira e recessão global que poderão tomar forma em 2020.

Numa altura em que assinalamos os 10 anos da crise financeira mundial, têm surgido inúmeros post-mortens que analisam as suas causas e consequências e que se questionam sobre se aprendemos as necessárias lições, referem.

Por isso, acrescentam, este parece ser um momento pertinente para perguntar quando – e porquê – ocorrerá a próxima recessão e crise financeira.

E ambos apontam para 2020 como o ano em que isso poderá suceder. A expansão global deverá continuar este ano e no próximo – porque os EUA estão a apresentar grandes défices orçamentais, a China prossegue as suas políticas de estímulo e a Europa mantém-se na vida da recuperação. No entanto, existem várias razões pelas quais poderão surgir as condições para uma recessão mundial e crise financeira em 2020, salientam.

Para começar, dizem, não só os atuais estímulos económicos nos EUA terão terminado em 2020 como também se espera um constrangimento orçamental que baixará o ritmo de crescimento do país para menos de 2%.

Por outro lado, uma vez que os estímulos orçamentais nos EUA foram inoportunos, a Reserva Federal norte-americana terá de continuar a subir os juros directores, que deverão ascender a 3,5% em inícios de 2020, consideram Roubini e Rosa.
Os dois economistas falam ainda sobre as fricções comerciais dos EUA com a China, Europa e os seus parceiros do NAFTA [México e Canadá], que dizem serem sintomas de uma rivalidade muito mais profunda do que aquilo que aparentam – no sentido de se determinar a liderança global nas tecnologias do futuro – e cujo efeito será o de abrandar o crescimento e aumentar a inflação.

Roubini e Rosa aludem ainda a outras políticas levadas atualmente a cabo nos Estados Unidos e que irão redundar num enfraquecimento da expansão económica e numa subida dos preços no consumidor. Entre elas estão o controlo sobre o investimento direto estrangeiro e sobre a transferência de tecnologias [que perturbam as cadeias de abastecimento], bem como as restrições à migração numa altura em que a população está a envelhecer.

No resto do mundo a expansão ficará debilitada por outras razões, destacam. A China irá ser lenta a lidar com a sobrecapacidade e o endividamento excessivo, ao passo que os mercados emergentes [muitos deles já frágeis] serão ainda mais penalizados pela valorização do dólar, pela redução dos preços das matérias-primas e por uma China menos fervilhante, consideram.

E apesar de a Europa já ter perdido algum impulso, o intensificar das tensões comerciais e o fim das políticas de estímulo não-convencionais do Banco Central Europeu são fatores que significam que em 2020 terá perdido ainda mais ímpeto.
Os dois autores chamam também a atenção para os preços dos ativos. A maioria está efervescente, se não mesmo em território de bolha.

Roubini e Rosa advertem igualmente para outros mercados que estão a fervilhar em todo o mundo e a tornarem-se muito caros, como é o da concessão de crédito e do imobiliário – tanto comercial como residencial.

Por outro lado, os ativos dos mercados emergentes já corrigiram, conforme se pode observar no ‘bear market’ das bolsas. Mas a correção, incluindo nas matérias-primas e obrigações, irá continuar, sublinham no artigo de opinião no FT.

Assim, os investidores que antecipam um abrandamento para 2020 vão começar a atribuir novos preços aos ativos de risco a partir de meados de 2019, antecipam ambos os economistas.

Atendendo às alterações na estrutura dos mercados desde a crise financeira, assim que ocorra uma correção o risco de falta de liquidez e de venda em massa de ações torna-se mais severo, referem.

Os dois economistas debruçam-se ainda sobre a política da Casa Branca, que é mais um fator de pressão. Donald Trump já está a atacar a Fed e temos o crescimento económico acima dos 4%. O que fará ele em 2020, que é ano de eleições, quando o crescimento estagnar abaixo de 1% e o desemprego começar a aumentar?
Roubini e Rosa respondem à sua própria pergunta: haverá a tentação de criar uma crise de política externa. (…) Uma vez que Trump já deu início a uma guerra comercial com a China e não pode atacar uma Coreia do Norte com capacidades de resposta nuclear, o único alvo viável será provocar um confronto militar com o Irão. E isso irá desencadear um choque geopolítico com características de ‘estagdeflação’ [crescimento anémico e baixa inflação], tal como aconteceu em 1973, 1979 e 1990, levando a fortes subidas dos preços do petróleo.

Por último, assim que esta tempestade perfeita ocorra em 2020, as ferramentas disponíveis para os responsáveis pela tomada de decisões estarão restringidas. A política orçamental estará a ser penalizada pelas maiores dívidas públicas, mas o regresso às políticas monetárias não-convencionais poderá ser frustrado pelos balanços gigantescos dos bancos centrais, apontam. E os resgates, por seu lado, enfrentarão um cenário de espírito populista, bem como países menos solventes.
Roubini e Rosa terminam com um alerta: ao contrário do que aconteceu há 10 anos, assim que se dê a próxima contração económica e financeira, as ferramentas políticas disponíveis para reverter a situação irão, muito provavelmente, ser menos eficazes.

Jean-Claude Trichet [ex-Presidente do Banco Central Europeu (BCE)]: A situação financeira mundial está “tão perigosa” agora como estava há dez anos quando o banco norte-americano Lehman Brothers caiu.

É agora reconhecido que a enorme dívida nas economias avançadas tem sido um fator chave no desencadeamento da crise financeira mundial de 2007 e 2008.
Atualmente o crescimento da dívida dos países desenvolvidos – em particular privada – abrandou, mas este abrandamento é compensado por uma aceleração da dívida nos mercados emergentes. É isto que torna atualmente todo o sistema financeiro global, pelo menos, tão vulnerável, se não mais, do que em 2008, explica Trichet.
Durante o tempo em que foi Presidente do BCE (entre 2003 e 2011), a instituição económica e monetária Europeia seguia na linha da frente ao lado de outros bancos centrais globais, pelo menos até 2007. O verdadeiro início da crise financeira que iria estalar sobre o mundo, percebi em 9 de agosto de 2007 pela manhã quando fomos confrontados com uma interrupção completa do funcionamento do mercado monetário na área do Euro, lembra o ex-Presidente.

Com as primeiras falências de bancos americanos, devido à bolha do mercado hipotecário, a ocorrerem no verão desse ano, a Europa ficou logo contagiada. A Lehman Brothers declara falência a 15 de setembro, criando a maior crise financeira desde a grande depressão de 1929.

Kuing Yamang (Prof. Chinês de Economia que viveu em França): A Sociedade Europeia está em vias de se autodestruir. O seu modelo social é muito exigente em meios financeiros. Mas, ao mesmo tempo, os Europeus não querem trabalhar. Vivem, portanto, bem acima dos seus meios, porque é preciso pagar estes sonhos.
Os industriais Europeus deslocalizam-se porque não estão disponíveis para suportar o custo de trabalho na Europa, os seus impostos e taxas para financiar a sua assistência generalizada.Portanto endividam-se, vivem a crédito. Mas os seus filhos não poderão pagar ’a conta’.

Os Europeus destruíram, assim, a sua qualidade de vida empobrecendo. Votam orçamentos sempre deficitários. Estão asfixiados pela dívida e não poderão honrá-la.
Mas além de se endividar têm outro vício: os seus Governos ’sangram’ os contribuintes. A Europa detém o recorde mundial da pressão fiscal. É um ’inferno fiscal’ para aqueles que criam riqueza.

Não compreenderam que não se produz riqueza dividindo e partilhando, mas sim trabalhando. Porque quanto mais se reparte esta riqueza limitada menos há para cada um. Aqueles que produzem e criam empregos são punidos por impostos e taxas e aqueles que não trabalham são encorajados por ajudas. É uma inversão de valores.

Portanto o seu sistema é perverso e vai implodir por esgotamento e sufocação. A deslocalização da sua capacidade produtiva provoca o abaixamento do seu nível de vida e o aumento do da China!

Existe um outro cancro na Europa: existem funcionários a mais, um emprego em cada cinco. Estes funcionários são sedentos de dinheiro público, são de uma grande ineficácia, querem trabalhar o menos possível e apesar das inúmeras vantagens e direitos sociais, estão muitas vezes em greve. Mas os decisores acham que vale mais um funcionário ineficaz do que um desempregado.

Schäuble (ex-Ministro das Finanças da Alemanha): A liquidez colocada no mercado pelas autoridades monetárias e a elevada dívida pública e privada criam condições para uma nova crise. Os aumentos exponenciais da dívida a nível mundial e da liquidez nos mercados representam um risco importante para a economia internacional. Por todo o mundo economistas mostram-se preocupados com os riscos crescentes da acumulação de mais e mais liquidez.

Frank-Jürgen Richter (antigo responsável pelo Fórum Económico Mundial): Em declarações divulgadas pelo Observador avisa que vamos ter uma nova crise económica global, a começar no terceiro trimestre deste ano, e vaticina que todos os indicadores apontam nessa direção, de surgimento de uma nova crise económica.
Há dois fatores: a tecnologia não é tão promissora e célere como era; e a guerra económica entre os EUA e a China está a fazer todas as empresas perderem dinheiro, constata Richter, frisando que é preciso perceber que uma crise vai acontecer e encontrar os ‘cancros’ do sistema bancário e resolver os problemas no imediato.

Pode ser como foi em 2008, mas há uma hipótese que seja só uma recessão diz ainda, na certeza de que será uma “crise global” que afetará países como Portugal. E para o mercado imobiliário isto é preocupante, nota.
Só as elites estão a ganhar com a globalização e a classe média está a encolher, constata.

MAS AS CRISES PODEM SER BENÉFICAS

A palavra crise vem do grego krisis (κρίσις), que significa mudança, e na língua chinesa crise escreve-se com 2 caracteres, o primeiro significa perigo e o segundo oportunidade.

Uma crise é uma mudança brusca ou alteração importante no desenvolvimento de um evento ou acontecimento, podendo também ser uma situação complicada ou de escassez.

Sabemos que a vida, enquanto processo social, é um suceder de crises, e neste processo estamos sempre diante de novos desafios, novas situações e novos problemas. Assim, as crises são uma ocorrência normal, tanto na vida pessoal e familiar como na profissional.

Na verdade não há organização, como não há ser humano que viva sem crises e sem sentir ansiedade diante delas. Mas as crises podem ser benéficas, desde que se tenha a capacidade de lhes responder produtivamente.

Albert Einstein definiu Crise assim: Não pretendamos que as coisas mudem ao fazermos sempre o mesmo. A crise é a melhor bênção que pode ocorrer a pessoas e países, porque a crise traz progressos.

A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem as grandes invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera-se a si próprio, sem ficar ″superado″. Quem atribui à crise os seus fracassos e penúrias, violenta o seu próprio talento, e respeita mais os problemas do que as soluções. A verdadeira crise é a crise da incompetência.

O inconveniente das pessoas e países é a esperança de encontrar as saídas e soluções fáceis. Sem crise não há desafios, sem desafios a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito. É na crise que se aflora o melhor de cada um. Falar de crise é promovê-la e calar-se sobre ela é exaltar o conformismo. Em vez disso, trabalhemos duro. Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la.

A maioria das pessoas encara a crise como um período muitodifícil, sendo comum que as pessoas procurem uma razão, um culpado ou alguma forma de transmitir que as coisas não estão a funcionr como deveriam.

O diferente acontece quando se tem um líder que assume um papel que tem tudo a ver com a sua qualidade mais incrível: assumir responsabilidades. Assim, ele assume a frente, motiva a equipa e responsabiliza-se pelos resultados conquistando a sua confiança, estimulando todos a trabalharem juntos para vencer desafios.

Mas como é que o líder exerce a liderança para vencer na crise? Agindo de maneira diferente, por exemplo:

1. Não foge dos problemas: procura entendê-los e enxerga formas de os transformar em oportunidade;
2. Motiva os colaboradores: faz com que mantenham bom ânimo para que todos dêem o seu melhor;
3. É bom comunicador: dá informação à equipa sobre o seu desempenho para que os valores sejam seguidos;
4. Está atento e aberto às mudanças: nunca fica preso ao passado ou às velhas formas de fazer as coisas. Está sempre atento ao que acontece no mundo, investe em soluções que ofereçam melhorias contínuas.

Os dirigentes eficazes fazem das crises uma oportunidade de progresso, mostrando o seu talento, pois não sucumbem aos desafios nem se desorientam, dominam-nas mobilizando todos os seus recursos.

Agem logo, de forma planeada e preventiva, porque têm presente que no universo da gestão, onde as mudanças são cada vez mais rápidas e profundas, em que o futuro é já presente, as crises bem aproveitadas são, normalmente, o anúncio do progresso.
Lisboa, 06 de Julho de 2019
— -
*Estaticista Oficial aposentado, antigo Vice-Presidente do Instituto Nacional de Estatística de Portugal

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