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Américo Medina analisa o caso sobre a proibição da TACV de voar para a Europa 08 Julho 2022

Américo Faria Medina analisa, num post que publicou na sua página de Facebook, o caso sobre a proibição da TACV voar para a Europa. Tudo por causa da empresa não ter mudado para a certificação TCO (Operador de Terceiro País, não europeu que que realiza voos comerciais para a UE), que é uma autorização de segurança operacional, emitida pela Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA), após a uma avaliação técnica e a retoma das operações previstas. «Acredito que se não estivéssemos no país em que estamos, esse Conselho da Administração ( CA ) cairia sem apelo nem agravo, pois num contexto igual e pelas razões apontadas, esses cancelamentos de voos, nessas circunstâncias, fariam rolar cabeças», defende Medina no post referido que publicamos a seguir.

Américo Medina analisa o caso sobre a proibição da TACV  de voar para a Europa

AERONEGÓCIO NÃO É PARA QUEM QUER, MAS PARA QUEM SABE.. - Virou-se o disco mas, afinal a música continua sendo a mesma! Mais do mesmo…! O que estamos ouvindo é o terceiro movimento da Sonata para piano Nº 2 em si bemol menor, Op. 35 de Frédéric François Chopin, ou seja a marcha fúnebre mais célebre que a criatividade humana jamais produziu! Há anos que estamos nessa procissão, nesse cortejo fúnebre infinito!

Para os não-aeronáuticos entenderem melhor já que o sector tem as suas especificidades: Temos obrigações em matéria de licenciamento, certificações, autorizações e aprovações (relativas ao pessoal, equipamentos, processos etc.) que, no seu conjunto constituem elementos críticos e insupríveis, cujas validades têm que ser renovadas periodicamente. Só assim, o sistema internacional de transportes aéreos garante que o pessoal e as organizações que exercem uma atividade aeronáutica, reúnem as condições exigidas, antes de serem autorizadas a exercer as regalias de uma licença, certificado, autorização para prestarem serviço de aviação civil importante, como por exemplo o de transporte de passageiros.

Pode parecer surreal, mas a Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA), desde Setembro de 2021, vinha alertando a administração da TACV, sobre a necessidade de passarem para a certificação TCO (“Operador de Terceiro País”, não europeu que que realiza voos comerciais para a UE) que é uma autorização de segurança operacional, emitida pela EASA após uma avaliação técnica, após a retoma das operações previstas.

Este certificado emitido pela EASA, é um pré-requisito obrigatório para a solicitação de direitos de tráfego comercial (autorizações de operação) junto a qualquer Estado-Membro da organização... – o que fez o CA da TACV (?): como a nossa amiga avestruz, enterrou a cabeça na areia, pois na equipa (Direção de Operações) dentro da companhia, não há viva alma que saiba montar/preparar um processo de Certificação TCO; por outro lado e, à boa maneira de uma subcultura emergente entre nós nos últimos anos, os gestores, em vez de agarrarem o boi pelos chifres, como já se fez no sector noutras ocasiões ( Dossier CAT I) optaram por fazer fuga em frente e, “..sem djobê pá ládu...”, tentaram ludibriar as autoridades europeias! Pode até funcionar aqui, mas, quem conhece esse ecossistema montado pelos europeus sabe que lá não funciona.

Só que tudo isso deixou de ser piada para ser trágico! Entalamos centenas de pessoas com consequências imprevisíveis nas suas vidas; com este episódio ferimos de morte, mais uma vez a reputação, a credibilidade e as esperanças nesta “bandeira” ( alguns dizem “Cruz”); os custos desse bordel vão ter um impacto significativo na já depauperada tesouraria da companhia e a desconfiança do mercado vai engordar um elefante de custos intangíveis que mais não fazem do que retirar oxigénio ao defunto!

E nós que depois destes dois anos de “reflexão” forçada, dissemos que a retoma tinha sido preparada criteriosamente pelos setores relevantes da nossa economia... ?! De facto a rotura de combustível nos aeroportos logo no inicio da retoma, não nos serviu de lição e alguns gestores não retiraram as devidas ilações do ocorrido.

Cara PCA, acredito que o seu foco neste momento ( provado está) não deveria estar nos salários dos pilotos (10% de 12.000.000 € de custos operacionais); que há processos muito mais críticos, vitais e urgentes do que aquilo que vem apresentando ao país como desafios, num momento em que renacionalizamos uma mão cheia de nada, absolutamente nada; que a nossa “bandeira” ( alguns dizem “Cruz”) não tem um certificado atualizado ( IOSA, TCO, FAC 129...); a IATA já nos colocou no hall de entrada; não pertence a nenhuma das três alianças que dominam o mercado, nem tem um code share para exibir; compra combustível como faz qualquer cidadão para abastecer o seu carro etc etc etc . Acredito nisso, e acredito que se não estivéssemos no país em que estamos, esse CA cairia sem apelo nem agravo, pois num contexto igual e pelas razões apontadas, esses cancelamentos de voos, nessas circunstâncias, fariam rolar cabeças, pois a culpa não pode morrer solteira, pois que, “..lack of accountability has corroded public respect for business and political leaders”! (a falta de responsabilidade corroeu/abalou o respeito público pelos líderes empresariais e políticos)»!

Acho que vou ler Stéphane Hessel de novo.

Américo Faria Medina

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