OPINIÃO

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

NESTE 1° DE JUNHO, O MELHOR DISCURSO É AGIR PARA ENCONTRAR AS NOSSAS CRIANÇAS DESAPARECIDAS! 01 Junho 2021

Mas eu, confesso, gostaria mais de saber onde param as nossas crianças que continuam desaparecidas desde fevereiro 2018 sem que haja notícias do seu paradeiro. Gostaria de saber, neste dia dedicado aos mais pequenos, o que aconteceu a Clarisse e Sandro Mendes, dois primos de 11 e 9 anos que nunca mais foram vistos desde esse fatídico dia 3 de fevereiro 2018 quando iam, alegres e despreocupados, comprar açúcar! Gostaria de saber o que é feito da jovem Edine Soares, 19 anos, que foi levada com o seu bébé Maurício, de apenas 3 meses, em agosto desse mesmo ano.

Por: David Leite

NESTE 1° DE JUNHO, O MELHOR DISCURSO É AGIR PARA ENCONTRAR AS NOSSAS CRIANÇAS DESAPARECIDAS!

Amanhã é 1 de junho, dia internacional da Criança. Na falta de programas comemorativos, Covid oblige, vamos ter de nos contentar com os bonitos discursos de sempre, muita poesia, música à vontade na rádio e na têvê. No cerne dos discursos, os direitos da Criança. De todos os quadrantes vão fluir votos para que os nossos meninos cresçam em ambiente saudável, que não lhes falte nada no lar, na escola e na sociedade.

Tudo bem, tem havido esforços nesse sentido e a sociedade reconhece! Mas eu, confesso, gostaria mais de saber onde param as nossas crianças que continuam desaparecidas desde fevereiro 2018 sem que haja notícias do seu paradeiro. Gostaria de saber, neste dia dedicado aos mais pequenos, o que aconteceu a Clarisse e Sandro Mendes, dois primos de 11 e 9 anos que nunca mais foram vistos desde esse fatídico dia 3 de fevereiro 2018 quando iam, alegres e despreocupados, comprar açúcar! Gostaria de saber o que é feito da jovem Edine Soares, 19 anos, que foi levada com o seu bébé Maurício, de apenas 3 meses, em agosto desse mesmo ano.

Ao todo, quatro famílias destroçadas que pararam de viver para todo o sempre. Aliás cinco, pois não podemos esquecer Edvânia Gonçalves, cujo destino ficou selado com a descoberta dos seus restos mortais em julho 2018. Oito meses volvidos sobre o seu desaparecimento (novembro 2017), todas as esperanças morreram com a macabra descoberta. Só um demónio em forma de gente é capaz de orquestrar um fim tão cruel para um anjo de 10 aninhos de idade e abandonar o seu corpo num descampado ermo e poeirento como Ponta Bicuda, não longe da cidade da Praia!

Sem notícias continuam as famílias de Clarisse e Sandro (aliás Nina e Filu), bem como da jovem Edine Soares e do seu bébé de peito. Quatro famílias pobres dos bairros suburbanos da capital, pessoas humildes que a nossa sociedade, soberba e altiva, não vê - e se vê, passa.

A 27 de março celebrávamos o dia da Mulher caboverdeana - e quem diz mulher, diz mãe. Houve chocolates e flores, muita poesia, música à vontade! Como sempre, ouvimos belas declarações e discursos de encantar... Mas não sei se alguém ouviu uma palavra, uma reportagem, à intenção dessas mães desamparadas para quem sonhar é proibido, quanto mais com chocolates e flores! Mães que na falta de uma luz, ainda que ténue, sobre o paradeiro dos seus meninos desaparecidos, imagino que ficariam gratas com uma atenção, um gesto de conforto vindo da Investigação ou das instituições de protecção e salvaguarda dos direitos das crianças.

Se o inquérito se revelou, até agora, inconclusivo, espera-se ao menos alguma empatia para com as famílias que continuam sem chão, consumindo-se na angústia de não saber o destino que foi dado aos quatro inocentes. Fossem eles filhos dos que mais ordenam, meninos ricos do Platô, seriam outras as inquietudes, as diligências e as solicitudes também!

Talvez eu esteja errado. Oxalá alguém me corrija dizendo que essas famílias têm bom acompanhamento, apoio social e psicológico, alguma ajuda por perdas e danos... Amanhã, 1° dia de junho, quem sabe em algum discurso sejam lembrados - vá lá isso! - esses pobrezinhos inocentes, apanhados nas malhas de um destino impiedoso que até hoje os investigadores não conseguiram descortinar. Não se reteve nenhuma pista, o Ministério público não diz nada - "segredo de instrução", dixit!

Pessoalmente, tenho fé na Justiça e compreendo que o segredo de instrução deva ser ser respeitado... mas tenho por mim que também não deve ser um entrave à comunicação e à empatia que devemos aos que sofrem.

Até porque a falta de resultados alimenta as conjecturas, cada uma mais horripilante do que as outras face à situação periclitante das crianças desparecidas. Como não pensar em raptos e sequestros, em terríveis facínoras cujos fins oxalá não ultrapassem os temores dos espíritos mais sensíveis!

Amanhã é 1 de junho, e o melhor discurso é agir!

Mantenhas da terra-mãe, 31 de maio 2021

David Leite

(Post publicado na sua página de facebook)

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