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"Alívio" na Nova Zelândia com pena perpétua ao 1º terrorista — Atentado às mesquitas com centenas de vítimas, 51 morreram 28 Agosto 2020

O hino nacional neozelândes ouviu-se a acompanhar o júbilo da multidão, no exterior do edifício do tribunal, assim que o juiz leu a sentença que condena à pena de prisão perpétua Brenton Tarrant, autodesignado "australiano, branco de 28 anos", que confessou a autoria do brutal tiroteio que matou cinquenta e uma pessoas em duas mesquitas no atentado de 15 de março de 2019 em Christchurch na Nova Zelândia.

O juiz Cameron Mander justificou a sentença mais pesada da democracia neozenlandesa com o facto de que Tarrant não mostrou arrependimento pelo seu crime "perverso, desumano".

Pelo contrário — como sublinhou o magistrado na sentença que culminou os quatro dias de julgamento—, o autointitulado supremacista branco mantém-se "obcecado" com "a ideologia baseada no ódio racial" que o levou ao ato terrorista que vitimou 91 pessoas indefesas: cinquenta e uma assassinadas e quarenta com ferimentos, alguns muito severos.

"Os crimes que V. cometeu são tão perversos que a prisão até ao fim da vida não é suficiente para os punir", rematou o juiz após ler os nomes das 51 vítimas — homens, mulheres e crianças—, um a um.

Alívio

Entre os sobreviventes e membros das famílias das vítimas dessa sexta-feira, 15 de março, estava Gamal Fouda, o imã da mesquita Al Noor.

O líder religioso disse à Associated Press que a sentença correspondia ao que a comunidade muçulmana esperava.

"Mas castigo nenhum vai trazer os nossos entes queridos. E a tristeza vai estar conosco por toda a vida", afirmou Gamal Fouda.

No mesmo sentido se pronunciou a primeira-ministra Jacinda Ardern, que desde os primeiros momentos desse crime que chocou a Nova Zelândia foi elogiada pela resposta adequada.

Firme a condenar o tiroteio e compassiva para com as vítimas e seus familiares, Ardern mexeu-se logo para levar o parlamento a votar leis de restrição à venda de armas e a pressionar os gigantes dos social-media — Gooogle, Facebook... — a eliminar o extremismo online.

"O trauma do dia 15 de março não é de fácil cura, mas espero que este seja o último dia que ouvimos o nome do terrorista que o causou", disse a primeira chefe do executivo neozelândes.

Silêncio do terrorista e luto das famílias

Os testemunhos em tribunal foram objeto da reportagem da AFP presente no julgamento do ataque perpetrado há 20 meses, durante a oração da manhã nas mesquitas Al-Noor e Linwood, em Christchurch, a cidade mais antiga da Nova Zelândia.

A AFP destacou: "A sua pena tem de ser servida em completo silêncio", como expressou Abdul Aziz, que ficou conhecido como o herói que perseguiu o atirador.

Destaque também para a viúva Ambreen Naeem: "Desde que o meu marido e o meu filho morreram, nunca mais pude dormir uma noite de sono normal. E acho que nunca mais vou".

Fontes: BBC/AP/AFP/Reuters. Relacionado: Nova Zelândia: Mais de 40 mortos em atentado a mesquitas — Reivindicado por "australiano, de 28 anos" em vídeo antes e durante o tiroteio, 16.mar.019.

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