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Alterações climáticas: cientistas estudam soluções para impedir o desaparecimento dos sapais estuarinos 16 Julho 2019

Uma equipa de cientistas de Portugal estudam soluções para impedir o desaparecimento dos sapais estuarinos. É que devido às alterações climáticas, os sapais estuarinos correm sérios riscos de desaparecer, tornando-se urgente a adoção de medidas de proteção e conservação destas zonas de elevada importância ecológica e socioeconómica.

Alterações climáticas: cientistas estudam soluções para impedir o desaparecimento dos sapais estuarinos

Segundo a assessoria da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, para mitigar o impacto causado por eventos climáticos extremos, mas também por atividades humanas (agricultura, urbanização, poluição), nas zonas de sapal dos estuários, está em curso o projeto de investigação ReSEt – Restauro de sapais estuarinos com vista à sustentabilidade.

Financiado por fundos europeus através do Programa Operacional MAR 2020, o ReSEt junta 15 investigadores do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente das universidades de Coimbra (MARE-UC) e de Lisboa (MARE-UL), do Instituto para a Sustentabilidade e Inovação em Engenharia Estrutural (ISISE) e do Departamento de Ciências da Terra da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).

Revela que, no âmbito do projeto, será instalado, ainda durante o mês de julho, um conjunto de células experimentais no estuário do Mondego, perto de Vila Verde, onde os investigadores vão estudar novas técnicas que impeçam a destruição dos sapais.

«Vamos testar e validar quatro técnicas de eco engenharia que possam ser utilizadas para promover a sedimentação e proteger e recuperar estas zonas de sapal, nomeadamente uma paliçada de madeira, uma tela de geotêxtil e sacos de geotêxtil com areia, bem como o transplante de plantas autóctones. Estas experiências vão ser implementadas ao longo de um ano e meio, para assim podermos avaliar a evolução da taxa de sedimentação e das comunidades biológicas, com o objetivo de compreender qual destas técnicas será mais vantajosa do ponto de vista ambiental e económico», clarifica Tiago Verdelhos, investigador do Laboratório MAREFOZ do MARE e coordenador do projeto.

Sabendo da importância das zonas estuarinas para a sustentabilidade das pescas, já que são fundamentais para os primeiros tempos de vida de muitas espécies de peixe, os investigadores vão também explorar a hipótese de proteger e conservar a fauna autóctone do estuário do Mondego com recurso à utilização de um tanque de aquacultura como “viveiro”. Para tal, «vamos deixar entrar a água do estuário, capturando o peixe dentro desse tanque, para que seja possível avaliar quer a quantidade quer a diversidade de peixes, assim como perceber se este método pode ser usado como técnica de proteção e conservação de espécies», adianta Tiago Verdelhos.

Mas tem que se ter cautelas. É que o investigador do laboratório MAREFOZ adverte que é urgente adotar medidas de proteção e restauro dos sapais estuarinos porque, «se nada for feito, com a subida do nível do mar prevê-se que estas zonas, que por natureza estão situadas entre marés, tendam a desaparecer, com consequências bastante negativas. Assistir-se-á à diminuição da biodiversidade e os serviços que são fornecidos por estes ecossistemas serão bastante afetados. Os sapais contribuem, por exemplo, para a retenção de carbono, a qualidade da água e reciclagem de nutrientes, e são fundamentais para a reprodução de peixes». Além disso, são ainda ecossistemas muito importantes para o turismo e lazer.

A fazer fé na mesma fonte, o projeto ReSEt desenvolve-se em três grandes eixos: ecossistema (testar técnicas de proteção dos habitats), biodiversidade (proteção da fauna) e sociedade (apostando em atividades de comunicação de ciência e ações de ciência cidadã, nomeadamente ao nível de sensibilização). «A equipa do projeto espera que as soluções de proteção e restauro de sapais estuarinos desenvolvidas sejam aplicadas no estuário do Mondego e possam ser replicadas em qualquer estuário do mundo», conclui o documento a que este jornal teve acesso.

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