LUSOFONIA

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Amnistia Internacional denuncia fome e miséria total no sul de Angola e responsabiliza o Governo pela situação 17 Outubro 2019

Dezenas de milhares de pequenos criadores de gado que foram afastados das suas terras para dar lugar a explorações pecuárias comerciais estão a ser expostos a um risco ainda maior de fome e inanição devido à seca que aflige o sul de Angola.

Amnistia Internacional denuncia fome e miséria total no sul de Angola e responsabiliza o Governo pela situação

A denúncia é da Amnistia Internacional (AI) e foi divulgada nesta terça-feira, 15, num longo relatório intitulado “O fim do paraíso do gado: Como os desvios de terras para explorações pecuárias minou a segurança alimentar nos Gambos, Angola”, acompanhado de fotografias e um vídeo. “A situação é de miséria, fome e abandono do Governo que retirou terras aos seus donos, sem indemnizaçáo e as entregou a empresários”.

À organização de defesa dos direitos humanos, apela ao Governo medidas urgentes e “assistência alimentar de emergência às comunidades afectadas pela fome”. “A actual seca em Angola expôs o impacto devastador da pecuária comercial sobre as comunidades dos Gambos. Os criadores de gado tradicionais perderam as suas melhores pastagens e vêem agora, desesperados os seus filhos e famílias irem para a cama de estômago vazio,” denunciou Deprose Muchena, director regional para a África Austral da AI.

No documento, a AI apela ainda, ao Governo angolano que “proporcione, de imediato, assistência alimentar de emergência às comunidades afetadas pela fome, declare uma moratória às concessões de terras e nomeie uma comissão de inquérito para investigar como 46 explorações pecuárias comerciais acabaram por se ocupar dois terços das melhores pastagens na Tunda dos Gambos e no Vale de Chimbolela desde o fim da guerra civil, em 2002”.

A organização é peremptória em dizer que “o Governo não tem protegido os direitos destas comunidades, em particular, o seu direito à alimentação”.
No sul de Angola, “estas pessoas foram abandonadas a tentar sobreviver terras inférteis e improdutivas” e, agora que a seca aperta ainda mais, ficaram simplesmente sem nada para comer.

”Citado pela VOA, o relatório mostra que a fome e inanição grassam entre as comunidades dos vanyanekes e ovahereros que vivem nos Gambos”, onde a situação é dramática.

Entretanto, a Amnistia Internacional revela que, embora a região semiárida dos Gambos seja propensa a secas cíclicas, as pastagens comunitárias atenuavam os impactos da seca, mas foram atribuídas pelo Governo a criadores de gado comerciais, deixando os criadores de gado tradicionais e as suas famílias a lutar para produzir os seus alimentos. Em consequência disso, a AI garante que as famílias pastoris ficaram com terras insuficientes e improdutivas para as suas colheitas e para apascentar o gado. Ainda segundo o documento, as famílias disseram aos investigadores da AI que a situação é agora tão terrível que são obrigadas a comer folhas selvagens.

“Muitas pessoas contaram que sofrem de vómitos e diarreia e contraíram também doenças de pele, nomeadamente a sarna, devido à escassez de água e às más condições de higiene. Estamos magros, fracos e muitas pessoas ficam bastante doentes devido à fome revela um morador local à AI.

A AI afirmou que as terras, usadas durante séculos como pastagens comunitárias pelas famílias pastoris das províncias do Cunene, da Huíla e do Namibe, no sul de Angola, foram-lhes retiradas sem o devido processo legal.

Apesar disto, o “Governo autorizou os criadores de gado comerciais a ocupar a Tunda dos Gambos e o Vale de Chimbolela, sem oferecer qualquer tipo de indemnização às comunidades locais, violando assim, claramente a legislação do país”, escreveu o director regional da AI para a África Austral.

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade





Mediateca
Cap-vert

Uhau

Uhau

blogs

publicidade

Newsletter

Abonnement

Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project