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"Putin comanda morte lenta de Navalny" em greve de fome na prisão 15 Abril 2021

Alexei Navalny, em greve de fome, perdeu catorze quilos, à média de um quilo por dia, denunciam os seus apoiantes e ONGs internacionais. O presidente Vladimir Putin, suspeito de ser o mandante do envenenamento em agosto, é de novo acusado de comandar a morte lenta do seu principal opositor político.

Primeiro, as notícias relatavam que foi recusado tratamento médico ao opositor Navalny que sofre de dores lombares e poderá estar tuberculoso, além de que estava a ser submetido a uma das piores torturas, a privação do sono. Segundo os apoiantes do quadragenário, os guardas têm indicações para o acordarem sistematicamente assim que pega no sono.

Como denunciam os advogados do opositor político, Navalny encarcerado numa prisão conhecida pela extrema dureza a mais de cem quilómetros de Moscovo, está
há cerca de duas semana em greve de fome e a sua condição de saúde piora de dia para dia.

Noticia-se que os seus apoiantes e advogados estão a ser perseguidos. Por exemplo, na terça-feira passada, foram detidas as nove pessoas que se deslocaram à prisão a pedir tratamento médico adequado para Navalny. Todas essas nove pessoas foram condenadas a uma semana na prisão.

Também têm sido perseguidos, incluindo com detenções, os participantes nas manifestações que desde janeiro têm sido vistas pela primeira vez nas mais de duas décadas que Putin contabiliza no Kremlin, a sede do poder na Rússia.

Mas isso não impede que 350 mil pessoas estejam já inscritas para uma próxima manifestação em que os organizadores contam ter meio milhão a pedir a libertação de Navalny.

’Ação necessária’ dos países democráticos

Os apoiantes de Navalny têm exortado os Estados Unidos e União Europeia a apoiar Navalny e têm obtido alguns resultados nesse sentido, como por exemplo a imposição de sanções aos que estiveram envolvidos no seu envenenamento há oito meses.

Mas esses mesmos apoiantes voltam a lembrar aos Estados Unidos e União Europeia — como noticia o Washington Post hoje (domingo, 11) — que o próximo passo é congelar nos seus bancos a fortuna depositada pelos trinta e cinco oligarcas que Navalny indicou como testas de ferro que protegem a "imensa fortuna privada de Putin".

"Comecem a congelar os bens e a banir os cartões visa desses magnatas e seus familiares e façam-no até Putin libertar Alexis Navalny", lê-se numa tribuna do diário da capital dos Estados Unidos.

Amnistia Internacional pede libertação de Navalny, mas retira-lhe estatuto de ’prisioneiro de consciência’

A Amnistia Internacional retirou a Alexei Navalny o estatuto de ’prisioneiro de consciência’ devido aos "comentários que fez no passado", criticáveis como discurso de ódio. Todavia a ONG sediada em Londres mantém o apelo à libertação do oposicionista ao regime russo. Navalny está detido desde 15 de janeiro, no regresso da Alemanha onde esteve vários meses convalescente.

«A Amnistia Internacional decidiu internamente deixar de qualificar Alexei Navalny como ’prisioneiro de consciência’ devido aos comentários que fez no passado», disse a organização não-governamental através de uma mensagem enviada à France-Presse a confirmar as informações da imprensa russa.

«Alguns destes comentários, de que Navalny não se retractou publicamente, enquadram-se nos apelos ao ódio», em «contradição com a definição de ’prisioneiro de consciência’ adotada pela Amnistia Internacional», acrescenta a organização que garante continuar a lutar pela liberdade do oposicionista preso na Rússia.

Passado na extrema-direita

Nos anos 2000 a 2010, Navalny participou em vários desfiles da "Marcha Russa", o encontro anual de simpatizantes da extrema-direita e pró-monarquia caraterizados pelo discurso nacionalista e xenófobo contra, sobretudo, os emigrantes da Ásia central ou das repúblicas muçulmanas do Cáucaso russo.

Politólogos consideram que Alexei Navalny estrategicamente mudou de discurso em anos mais recentes, com o objetivo de comunicar com todas as esferas políticas da oposição ao presidente Putin.

Fontes: /Washington Post/IA.org/AFP/RT/. Relacionado: Putin: "O palácio do vídeo de Navalny não é meu", 26.jan.021; Personae non gratae: Rússia expulsa diplomatas solidários com Navalny — Opositor russo condenado escreve a apoiantes, 06.fev.021; Rússia pede apoio da Alemanha para esclarecer envenenamento de Navalny, 01.set.020; Navalny fora do coma continua em ventilação artificial — Governo alemão exige investigação e ameaça corte em projetos, 08.set.020; Alexei Navalny "sofreu envenenamento", diz governo da Alemanha onde está hospitalizado, 25.ago.020. Fotos: Putin rejeita ser dono de palácio. No tribunal de Moscovo, em 01.02, Navalny ouve a sentença que o condena a dois anos e oito meses de prisão, por violação da liberdade condicional num caso de fraude em que foi condenado em 2014.

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