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Ampliação da ETAR de Santa Maria: Inovação tecnológica possibilitará a utilização de água regenerada para a agricultura no Sal 20 Dezembro 2022

No dia 30 de novembro foi inaugurado o projeto de ampliação do Sistema de Saneamento das Águas Residuais (ETAR) da cidade turística de Santa Maria. Um projeto que pretende garantir o acesso ao serviço básico de saneamento das águas residuais e também trazer alternativas sustentáveis de prática da agricultura na ilha do Sal. A nossa reportagem foi conhecer o projeto de ampliação da ETAR, que mereceu um investimento de 440 milhões de escudos, resultado de uma parceria público-privada entre o Município do Sal, o Governo de Cabo Verde e a empresa Águas de Ponta Preta - Ambiente (APP Ambiente), concessionária dos serviços de saneamento das águas residuais na ilha do Sal.

Ampliação da ETAR de Santa Maria: Inovação tecnológica possibilitará a utilização de água regenerada para a agricultura no Sal

O projeto de ampliação do Sistema de Saneamento das Águas Residuais de Santa Maria, aprovado pela Assembleia Municipal do Sal na 15ª sessão ordinária do sétimo mandato, nos dias 3 e 4 de outubro de 2019, tem o suporte do Governo de Cabo Verde, através da ANAS (Agência Nacional de Água e Saneamento), do MICE (Ministério da Indústria, Comércio e Energia), do Ministério das Finanças e do Fomento Empresarial, bem como da própria Câmara Municipal do Sal, num serviço básico regulado pela ARME (Agência Reguladora Multissectorial da Economia).

Com este investimento, o Governo espera aumentar o acesso ao saneamento básico e promover a diversificação das formas de cultivo nesta ilha onde raramente chove e, por estas vias, fomentar uma melhoria significativa nas condições de vida dos residentes no Sal. Esse feito será conseguido graças ao tratamento das águas residuais, que são recolhidas mediante uma rede de esgotos com 35 Km de tubagem, ao longo da área urbana de Santa Maria, passando pelos hotéis e resorts da cidade, além de um conjunto de sete estações elevatórias, que canalizam tudo até a ETAR Municipal. Lá, as águas residuais são submetidas a processos físico-químicos e biológicos com recurso a equipamentos e tecnologias de ponta, que permitem que essas mesmas águas possam ser reutilizadas para a criação de mais espaços verdes, e também para rega em atividades agrícolas, mas sem comprometer a qualidade dos alimentos.

A nossa visita ao projeto de ampliação da ETAR de Santa Maria começou na estação elevatória de águas residuais de Ponta de Sinó, (EE de Ponta de Sinó), a qual tem uma capacidade de 1.100 m3/dia, montada para permitir a extensão da rede de esgotos de Santa Maria com uma nova linha de impulsão de 5,2 km, que chega até a ETAR, e junta-se às seis já existentes, das quais se destaca a Estação Principal, localizada na Avenida João de Deus Maximiano, com uma capacidade de bombagem de 2.500 m3/dia.

ETAR estava em sobrecarga desde 2019

Apesar de ter sido inaugurada em 2008, a operacionalização da ETAR de Santa Maria aconteceu apenas quase uma década depois (2017), o que exigiu na altura um novo investimento, de 200 milhões de escudos, que foram adicionados aos 300 milhões financiados pelo Fundo Koweit para a sua construção. Em 2017 também foram interconectou-se hidraulicamente as duas ETAR existentes em Santa Maria, a municipal e a da Ponta Preta, melhorando-se a eficiência do sistema, quer no tratamento das águas residuais, quer na reutilização das águas tratadas.

Perspetivada para servir 5.500 munícipes e 6.000 mil turistas, desde 2019 que a ETAR atingiu o seu limite de capacidade devido à sobrecarga provocada pelo crescimento da atividade turística e pelo aumento da população de Santa Maria, o que determinou a sua ampliação. Reforçada a sua capacidade, agora consegue servir cerca de 8 mil munícipes e 14 mil turistas.

E é na ETAR onde foi realizado o maior investimento desta ampliação, para incrementar a capacidade de tratamento de carga orgânica para o dobro (mais 50% de caudal da água residual), que, assim, passa de 2.500 m3/dia para 3.750 m3/dia, graças à introdução de um novo reator biológico.

Foi ainda melhorado o processo de pré-tratamento, com a introdução de novos sistemas de retenção de sólidos, que permite a separação de gorduras e ainda introduz um novo processo de separação de areias.

O denominado tratamento terciário, que permite a reutilização das águas residuais tratadas, também foi aperfeiçoado com um processo adicional, a decantação lamelar. Esta, além de fazer a separação da lama, reforça a filtração de areia. Também foi substituído o sistema de desinfecção por raios ultravioletas e aumentado o volume de armazenagem com um novo tanque, de 500 m3, que, juntando-se aos dois já existentes, coloca a capacidade de armazenagem em 1.500 m3 no total.

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