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Suposto rapto de criança na Praia: Ana Rosa diz que o filho Elvis “não sofre de nenhuma perturbação mental” 02 Fevereiro 2022

Ana Rosa Lopes dos Santos, mãe do adolescente de suposta tentativa de rapto no passado domingo, 30, Elvis dos Santos Veiga, diz que o filho “não sofre de nenhuma perturbação mental”, desmentindo, assim, a PJ.

Suposto rapto de criança na Praia: Ana Rosa diz que o filho Elvis “não sofre de nenhuma perturbação mental”

“O meu filho nunca passou pelas mãos de nenhum médico. A PJ [Polícia Judiciária] está a mentir”, afirmou de forma peremptória Ana Rosa dos Santos, a propósito das afirmações da polícia científica cabo-verdiana que, ao ser contactada pela Inforpress, deixou transparecer que Elvis Veiga sofre de algumas perturbações mentais.

“Quero falar pessoalmente com eles [a PJ] para me dizerem que problema tem o meu filho”, asseverou Ana Rosa, acrescentando que o filho está assustado por aquilo que aconteceu.

No domingo, conforme as palavras da mãe, depois da catequese, Elvis devia chegar à casa às 11 horas e, o mais tardar, ao meio dia.

Segundo Ana Rosa, o filho saiu de casa, no domingo, por volta das dez horas, para ir à catequese e no caminho surgiram umas pessoas que lhe pediram para lhes comprar uma garrafa de água.

“Ele disse-me que foi abordado por um cidadão cabo-verdiano que lhe deu 200 escudos para lhe comprar uma garrafa de água. Depois de entregar a garrafa de água, agarram-no pelo braço, colocaram-no dentro do carro e taparam-no a boca”, conta a mãe, garantindo que o filho lhe confidenciou que, depois de lhe terem tapado a boca e o nariz, nada mais sentiu.

A mãe do adolescente acredita que o filho foi obrigado a inalar algum produto que fez com que perdesse o sentido.

Admite que o filho foi alvo de tentativa de rapto por parte do referido grupo, quando estava a caminho da catequese.

“O meu filho contou-me direitinho como que tudo aconteceu”, afirmou, citando o filho que lhe disse que um dos presumíveis raptores é “cabo-verdiano, sendo os outros dois, homens brancos de cabelos finos”.

Depois de localizado pelas bandas de Achada Grande, prossegue Ana Rosa, Elvis foi levado à casa por um grupo de quatro rapazes.

Segundo Ana Rosa, o filho ligou para a irmã e logo desligou o telefone.

“Pedi à minha filha que ligasse para o mesmo número a fim de contactar com o dono do telemóvel. Falei com este senhor e pedi-lhe que tentasse localizar o meu filho, dizendo-lhe que eu estava desesperada”, afiançou a mãe do adolescente.

Por volta das oito e meia da noite, admitiu Ana Rosa, o filho chegou à casa na companhia de quatro homens, tendo sido levado para o hospital onde lhe foi aplicada uma injecção “tranquilizante”, porque estava “muito perturbado”.

Ouvido pela reportagem da Inforpress, Sambu Djata Gomes Júnior, que disponibilizou o seu móvel para Elvis contactar com a família, confirmou que o adolescente se apresentava “um pouco assustado”, quando se abeirou dele, pouco mais das sete horas da noite, a pedir que lhe deixasse ligar à mãe.

“Ele [Elvis], enquanto chamava a mãe, chorava e aparentava-se espantado”, confidenciou Sambu Djata Gomes, em contacto telefónico com a Inforpress.

Ana Rosa indicou que deixou na Polícia Judiciária o número do telefone da pessoa que conduziu o filho à casa, para eventuais contatos, mas Sambu Djata informou à Inforpress que até ontem à noite ninguém da PJ o tinha contactado, uma vez que está “disponível” para prestar eventuais declarações à polícia científica cabo-verdiana.

Instada se o filho vai à escola neste momento, admitiu que sim, mas que o mesmo “está ainda um pouco espantado”, além de estar a ser “perturbado pelos colegas”.

“O meu marido já recomendou ao Elvis que na rua não deve abordar com ninguém o assunto do rapto, a não ser na minha presença ou dele”, concluiu.

A Inforpress insistiu junto da PJ para melhor esclarecimento do caso Elvis dos Santos Veiga, mas não foi possível.

O desaparecimento misterioso de pessoas em Cabo Verde tem inquietado a sociedade.

Desde Fevereiro de 2018, duas crianças, Clarisse Mendes (Nina) e Sandro Mendes (Filú), encontram-se desaparecidas e o País não sabe do paradeiro destes menores.

Encontra-se também pendente o caso da jovem Edine Jandira Robalo Lopes Soares, que deixou a casa em Achada Grande Frente (Praia) alegando que ia levar o bebé para o controlo no PMI (Programa Materno-Infantil), na Fazenda, Cidade da Praia. Mãe e filho nunca mais foram vistos.

Edvânea Gonçalves, uma menina de dez anos, também faz parte da lista negra das pessoas desaparecidas em Cabo Verde. Saiu da casa, em Eugénio Lima, Praia, para fazer um mandado, a pedido da mãe, junto de uma vizinha a pouco mais de 100 metros da sua residência, e não voltou. Mais tarde, foram descobertas umas ossadas na localidade de Ponta Bicuda, Achada Grande Trás, Praia, e apresentadas pela Polícia Judiciária como sendo dela.

A 13 de Julho de 2021, o jovem Ismael Silva saiu de casa e continua desaparecido.

O desaparecimento de pessoas já levou à realização de várias manifestações de rua, sobretudo na capital do país, e altas entidades têm expressado inquietude em relação a esta problemática.

O cardeal Dom Arlindo Furtado também considerou que a situação é “muito preocupante, grave e chocante” e, segundo ele, há “qualquer coisa que está a acontecer que não dá para entender”.

Em Junho de 2021, o procurador-geral da República, Luís José Landim, asseverou à Inforpress que a investigação sobre pessoas desaparecidas “nunca termina” enquanto não for esclarecido sobre o que aconteceu.

“Sobre as crianças desaparecidas, recentemente, foram feitas algumas diligências de buscas em certos sítios, mas não vamos revelar qual foi o resultado, onde que foi e qual foi o suspeito”, informou, na ocasião, o principal responsável do Ministério Público.

A Semana com Inforpress

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