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Analista portuguesa diz que PR da Guiné Equatorial “é o tipo de ditador que quer morrer no poder” 19 Outubro 2022

A recandidatura de Teodoro Obiang Nguema Mbasogo à presidência da Guiné Equatorial não “surpreendeu” a analista Ana Lúcia Sá, que prevê que vá cumprir o mandato completo, porque “é o tipo de ditador que quer morrer no poder”.

Analista portuguesa diz que PR da Guiné Equatorial “é o tipo de ditador que quer morrer no poder”

“Teodoro Obiang é um ditador que se eterniza no poder, seja por que vias for e esta recandidatura não me surpreendeu”, afirmou em declarações à Lusa a investigadora do Centro de Estudos Internacionais do ISCTE, especialista no estudo de regimes autoritários em África, com destaque para Angola e a Guiné Equatorial.

Ana Lúcia de Sá acredita que Obiang irá cumprir a totalidade de sete anos do mandato presidencial, e que a única hipótese de não vir a fazê-lo é se “algo lhe acontecer, de facto”.

Um ativista na Guiné Equatorial, que conversou com a Lusa sob condição de anonimato, afirmou igualmente a sua convicção de que Obiang “permanecerá no poder durante mais sete anos”, apesar das pressões da primeira-dama, Constança Mangue Nsue Okomo, que “há anos tenta que Obiang ceda o poder ao filho” dos dois, o primogénito e o atual vice-presidente, Teodoro Nguema Obiang Mangue (conhecido como Teodorín).

“Mas ele não confia no filho”, disse a mesma fonte.

Para Ana Lúcia Sá, outro obstáculo à eventual sucessão de Teodorín relaciona-se com os problemas do atual vice-presidente equato-guineense com a justiça francesa, que o condenou em 2021 a uma pena suspensa de três anos, multa de 30 milhões de euros e o confisco de várias propriedades em França, incluindo um edifício numa das avenidas mais caras de Paris avaliado em cerca de 110 milhões de euros.

A Constituição da Guiné Equatorial estabelece que o vice-presidente é o sucessor do Presidente em caso de impedimento deste. E, sublinha a analista do ISCTE, “quando há uma sucessão constitucionalmente garantida, a ideia é que o regime se mantenha”.

“Mas creio que Teodoro Obiang irá cumprir a totalidade do novo mandato. Ele é já um senhor que não vai para novo, mas a sua ideia de sucessão é:‘depois de mim se verá’”, afirmou. “Obiang é o tipo de ditador que quer morrer no poder”, reforçou.

A analista admite como “mais plausível” a eventualidade de “uma sucessão mais rápida com Teodoro Obiang vivo, se houver pressão internacional sobre Teodorín e, paralelamente, se houver algum movimento de colocar Gabriel [Mbaga Obiang Lima, filho de Teodoro Obiang e da segunda dama, Celestina Lima] no poder”.

“Só se houver internacionalmente um apoio explícito a Gabriel Obiang, o outro filho, que dizem ser o preferido das instituições internacionais e com quem os Estados Unidos têm mais vontade de dialogar”, reforçou.

Teodoro Obiang, atualmente com 80 anos, é o Presidente há mais tempo no poder, liderando há 43 anos a Guiné Equatorial, um pequeno país rico em petróleo, com "mão de ferro" desde um golpe de Estado, em 1979.

As próximas eleições presidenciais na Guiné Equatorial estavam previstas para abril de 2023, mas Obiang surpreendeu o país e a comunidade internacional ao antecipar o plebiscito, em cerca de seis meses, ignorando a Constituição do país, fazendo com que coincidisse com as eleições legislativas e locais previstas para 20 de novembro.

As últimas semanas têm sido marcadas por um forte aumento da repressão no país, o líder do Ciudadanos por la Inovación (CI), um partido ilegalizado em 2018 na Guiné Equatorial, foi detido no final de setembro, assim como mais de uma centena de apoiantes que se encontravam nas instalações do partido em Malabo.

Um número não determinado de jovens e mais de uma dezena de ativistas foram igualmente detidos, de acordo com organizações ativistas equato-guineenses.

“A repressão é cada vez maior e há mortes não explicadas nos edifícios da polícia. Há prisões de membros do partido da oposição ilegalizado pelo regime, e há uma lista de várias pessoas que estão detidas, sendo que algumas foram mortas. Isto está tudo a acontecer”, afirmou Ana Lúcia Sá.

“Sabemos que algo muito grave está a acontecer, sabemos de alguns factos, mas sem mais explicações”, acrescentou.

A Semana com Lusa

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