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Angola: 119 mesquitas e 800 mil islâmicos — Sinais de islamofobia 07 Junho 2022

O crescimento do Islão é visto por setores da sociedade angolana como uma ameaça à segurança nacional, análoga com o que se passa na região de Cabo Delgado, Moçambique. Em entrevista à ’Deutsche Welle’, o jurista David Já, que é presidente do Conselho Islâmico, diz que tais receios são infundados e tendencialmente xenófobos.

Angola: 119 mesquitas e 800 mil islâmicos — Sinais de islamofobia

Segundo o correspondente angolano do diário alemão, na sua edição de domingo 5, reacendeu-se na capital de Angola "uma velha polémica sobre o Islão e o terrorismo".

Tudo isto devido a inquietantes "denúncias de tentativas de raptos de crianças por supostas cidadãs, alegadamente fiéis da religião islâmica".

As denúncias circulam nas redes sociais, alegadamente baseadas em gravações áudio. Referem-se vozes de "cidadãs que [] comunicavam em árabe e que supostamente tentavam atrair com doces e gelados os menores". Desconfia-se que o seu propósito seria o rapto das crianças.

Mas não são só as redes sociais. Também o embaixador angolano Luís Neto Kiambata critica o crescimento do Islão no país e exorta "o Estado a tomar medidas de segurança para que não aconteça a Angola o que se passa na região de Cabo Delgado, norte de Moçambique".


Líder islâmico rebate

O presidente do Conselho Islâmico de Angola, Altino Miguel da Conceição "sheikh Oumar", lamenta as declarações que associam o Islão ao terrorismo e recorda que Angola teve sempre boas relações com países islâmicos, mesmo na fase da luta pela independência.

"A história contemporânea de Angola está cheia de exemplos de boas relações com países islâmicos, assumidamente islâmicos. Eu acredito que mesmo o nosso embaixador Neto Kiambata já passou por países muçulmanos, como Marrocos, Argélia e Tunísia", sublinha.

A comparação com a situação vigente na região de Cabo Delgado, Moçambique, não tem qualquer cabimento. "Cada realidade é uma realidade, não podemos aqui fazer uma comparação entre a realidade angolana e a realidade moçambicana", afirma o "sheikh Oumar".

David Já, jurista e membro de direção do Conselho Islâmico, por seu turno, critica os pronunciamentos que associam o Islão a práticas que visam a subversão da ordem e segurança são descabidos e com tendências xenófobas.

"O Islão não existe só em Angola, Angola não é extraterrestre. Angola é membro das Nações Unidas e da União Africana e a religião islâmica é uma religião secular, a religião não é sinónimo de terrorismo", acentua.

"A religião islâmica é uma religião de bem, que apregoa o bem fazer", remata David Já citado pela Deutsche Welle.

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