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Angola: ADN confirma restos mortais do fundador da UNITA — Funeral sem honras de Estado 22 Maio 2019

A exumação dos restos mortais de Jonas Savimbi para confirmar a identidade por ADN foi realizada no prazo mais curto — em dezembro, apontava-se entre maio e outubro —, e esta segunda-feira, 20, o presidente da UNITA, Isaías Samakuva, anunciou o programa da transladação dos restos mortais para a terra natal do fundador que liderou o partido de 1966 a 2002.

Angola: ADN confirma restos mortais do fundador da UNITA — Funeral sem honras de Estado

Samakuva, líder da UNITA-União Nacional para a Independência Total de Angola, confirmou, ainda, que os restos mortais recolhidos — na época seca, iniciada em maio e que se prolonga até outubro — são realmente de Jonas Savimbi, de acordo com os resultados apresentados pelos especialistas escolhidos pelo seu partido.

O programa das exéquias indica que no dia 28 os restos mortais — exumados do cemitério do Luena, capital do Moxico — vão, em Kuíto, capital do Bié, ser entregues em ato solene à "família e aos membros da direção da UNITA". Segue-se a 29 a trasladação para a sua residência no Huambo. O regresso ao município do Andulo, Bié, ocorrerá no dia seguinte.

A 31, seguirá para Lopitanga, a aldeia natal de Savimbi, próxima da cidade de Muhango onde ocorrerá o velório principal, seguindo-se o enterro no primeiro dia de junho.

Comissão integra governo, oposição

O processo de exumação do corpo de Jonas Savimbi começou a 29 de janeiro do ano corrente, após a criação de uma comissão de trabalho pelo Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, integrada por membros do governo, do partido UNITA e familiares , informa o Portal de Angola nesta terça-feira, 21.

Críticas ao Governo

A ausência de um funeral com honras de Estado está a suscitar críticas ao governo de João Lourenço, mesmo após Pedro Sebastião que lidera a comissão governamental, ter explicado que Jonas Savimbi não pertencia à "família governamental" na altura da sua morte.

Nas redes sociais, alguns cidadãos, sobretudo militantes da UNITA, manifestam-se contra a postura do Executivo e entendem que pode colocar em causa o processo de reconciliação nacional em curso no país.

O porta-voz da UNITA, Alcides Sakala, disse ao Portal de Angola : "O mais importante aqui é o espírito que prevalecer, que é o de concertação de pontos de vista para a definição de um programa final".

Para o analista e jornalista angolano Ilídio Manuel, se houvesse honras de Estado no funeral de Savimbi, "estaria a passar-se um sinal de reconciliação nacional". Isso "implicaria um reconhecimento público pelo seu contributo à luta de libertação nacional" , que iniciou ao fundar a UNITA em 1966 como mais uma força na Guerra de Independência de Angola (1961-1974).

A morte de Savimbi em 4 de Abril de 2002 pôs fim à Guerra Civil de 27 anos. Iniciada na Vila Luso depois renomeada Luena, no dia da independência, 11 de Novembro de 1975, quando o MPLA ilegalizou os demais partidos, a guerra fratricida terminou com um saldo de 500 mil civis angolanos mortos, além de um número superior de feridos, estropiados...

A Guerra Civil de Angola foi, ainda, notável como uma confrontação da guerra-fria: dum lado a UNITA, apoiada pelo ’Ocidente’ (EUA, África do Sul do ’apartheid’, França, Portugal,..., e até a comunista China), do outro o MPLA, apoiado pelo ’Comunistas’ (URSS, Cuba, Alemanha Oriental…).

Fontes: Angop/Portal de Angola/Jornal de Angola. Fotos: Savimbi. Desde a guerra da independência e aé à morte combateu e manteve o domínio sobre o leste angolano, nas províncias de Moxico (onde morreu), Bié (onde nasceu) e Huambo (onde teve a última residência).

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